Visão dos animais



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Encontro05.07.2018
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VISÃO DOS ANIMAIS.

Prof. Francisco M. Moreno Carmona

Uma questão recorrente a todos nós amantes dos cães, profissionais do meio ou não, é –Como os cães enxergam o mundo? Várias são as situações nas quais esta pergunta aparece:brincando com eles, passeando ou quando estamos vendo TV e eles estão ao nosso lado.

Será que vêem da mesma forma que nós vemos? O mundo que eles enxergam é cinza? Sua visão é melhor de dia ou de noite? Entre outras.

A questão de como e quanto os cães enxergam não é tão simples de responder, já que a visão é uma percepção individual do mundo. A ciência e a tecnologia atuais têm nos ajudado muito em responder objetivamente esta questão, muito embora saibamos que, na melhor das hipóteses, nossa compreensão da função visual canina será somente uma boa aproximação de como ela é na realidade. Nessa tentativa de compreender essa função e descrever as habilidades visuais dos cães nós usamos termos correntes da nossa própria capacidade visual. Há três aspectos que podem nos ajudar a entender melhor a função visual: (1) acuidade visual, (2) habilidade em detectar luz e cores e (3) as características dos

parâmetros visuais individuais.Todos os seres vivos, de uma forma ou outra, estão bem adaptados ao seu meio ambiente, portanto a comparação entre a função visual de espécies diferentes tem caráter meramente didático, sem a intenção de classificar como pior, ou melhor, uma em relação à outra.

O olho pode responder a mudanças nos níveis de luminância do meio ambiente. O sistema visual canino não é adaptado ao dia ou à noite, porém devido à sua arquitetura, sua performance visual é aumentada em condições de baixa luminosidade. O sistema dos bastonetes, responsável pela visão escotópica, i.e. em ambientes com baixa luminosidade e à noite é caracterizado pela extrema sensibilidade às mudanças no nível de luminosidade.

Os cães empregam vários métodos para aumentar sua visão em condições de baixa luminosidade. Uma das razões pelas quais os cães têm maior sensibilidade na penumbra é a existência de uma área localizada superiormente na retina denominada de tapetum lucidum que reflete a luz quando o olho é atingido por um feixe luminoso.

Embora ainda pouco estudado, parece que a sensibilidade ao movimento é um aspecto critico da visão nos cães. Alguns, mais observadores, já devem ter percebido que para um cão é muito mais fácil identificar objetos em movimento do que os estacionários. É mais fácil para eles seguirem uma bolinha rolando do que achá-la quando parada.

Uma curiosidade sobre os cães é a freqüência na qual ocorre a fusão da luz intermitente.

Nós, seres humanos, temos a capacidade de fundir as oscilações de luz, em média, na freqüência de 60 Hz, ou seja, embora saibamos que a luz pisca 60 vezes por segundo nós a percebemos como se fosse contínua. Estudos eletrorretinograficos sugerem que os bastonetes dos cães podem detectar intermitência (flicker) de luz numa freqüência máxima de 20 Hz, já os cones detectam-na entre 70 e 80 Hz e, portanto conseguem perceber flicker na freqüência de 60 Hz.

Com relação ao campo de visão dos cães também encontramos diferenças em

relação a nós seres humanos. O campo visual dos cães é de aproximadamente 240º (horizontal), 60 a 70º maior que o do homem, sendo limitado pelo nariz quando olha para baixo da linha do horizonte, nas raças de focinho longo (Figura 3).

Uma das funções mais importantes da visão é a acuidade visual (AV) que é o poder máximo de resolução do olho. Esta função depende grandemente das propriedades ópticas do olho (filme lacrimal, córnea, humor aquoso, cristalino, corpo vítreo) e da capacidade de focalizar a imagem sobre a retina. Os cães são considerados uma espécie emétrope, ou seja, têm visão dentro dos limites da normalidade, não sendo míopes nem hipermétropes. Porém dentro da população canina encontramos indivíduos com visão anormal, indivíduos míopes por idade avançada e até raças predispostas à miopia. Cães com astigmatismo também são

encontrados, mas essa condição é bastante rara.

Vários estudos tiveram como objetivo a determinação da AV dos cães. Dentre eles

destacamos os testes comportamentais e os eletrofisiológicos sendo estes mais objetivos que os primeiros, pois, via de regra, não necessitam de muita cooperação do animal analisado. Como média de todos estes testes já realizados podemos dizer que a acuidade visual de um cão adulto é de 20/75. Ou seja, o que um ser humano, com acuidade normal, enxerga a 75 pés de distância, um cão, com acuidade normal, só conseguirá ver se estiver a 20 pés de distância. Em termos numéricos a AV nos cães é pior que a nossa. Lembramos que isso é apenas uma constatação e que os cães são bem adaptados a esse nível de

acuidade visual.

Num estudo desenvolvido por nós no Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia, medimos a AV de cães adultos e filhotes da raça Terrier Brasileiro (procedentes do canil Indalo In Totem). Realizamos um tipo de eletroencéfalograma da região posterior da cabeça responsável pela visão, o córtex occipital. Os chamados potenciais visuais evocados de varredura foram realizados nos cães adultos e filhotes e concluímos que a acuidade visual dos cães da raça Terrier Brasileiro está por volta de 20/65, um pouco acima da média considerada como normal para os cães. Este teste é nãoinvasivo

e não são utilizadas drogas de nenhuma natureza para sua realização. O estabelecimento do padrão de AV de outras raças se faz necessário, ou de pelo menos de raças representantes dos vários tipos cefálicos encontrados nos cães.

Outro aspecto importante da função visual nos cães é a visão de cores. Os cones são os responsáveis por esta função. Dois tipos de cones são encontrados nos cães. Um que é sensível ao violeta/azul e outro que é sensível ao amarelo. Portanto diferente de nós, tricromátas, que possuímos 3 tipos de cones (sensíveis respectivamente às cores amarelo, verde e azul), os cães não têm capacidade de identificar o verde, sendo portanto considerados dicromátas. Apesar desse potencial de visão em cores, não sabemos exatamente se os cães percebem essas cores da mesma maneira que nós as percebemos. Esta questão ainda requer muito esforço científico para ser concluída...




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