Violência doméstica: influência no desenvolvimento biopsicossocial e no processo de aprendizagem de quem a sofre


Relação violência doméstica e contexto escolar



Baixar 128.06 Kb.
Página5/7
Encontro27.05.2018
Tamanho128.06 Kb.
1   2   3   4   5   6   7
1.1 Relação violência doméstica e contexto escolar

A criança que sofre violência em casa fica com o desenvolvimento prejudicado. Os efeitos negativos da violência intrafamiliar podem ser observados no funcionamento cognitivo e emocional e na vida escolar e social. O declínio no desempenho escolar da criança vitimizada é uma sequela que vem sendo demonstrada tanto em pesquisas feitas no exterior, como no Brasil.

Nas escolas, a violência doméstica pode ser detectada a partir de algumas ocorrências escolares como: ausência frequente, baixo rendimento, falta de atenção e de concentração e comportamentos como apatia, passividade, agressividade e choro, podem ser indicadores significativos de abuso (Azevedo & Guerra,1998). Com isto o Estatuto da Criança e do Adolescente atribuiu à escola e a outros estabelecimentos a função de zelar pela proteção da criança e do adolescente que sofreu maus tratos com o intuito de denunciar os agressores conforme afirma o Artigo 245.

De acordo com Firmino (2003), o estudante vítima de violência apresenta na escola sinais de que algo em sua vida não está ocorrendo normalmente. Geralmente manifesta comportamentos estranhos, baixo rendimento e pouca frequência. É vítima de um transtorno emocional. Segundo a psiquiatria, este é um estado que interfere substancialmente na vida normal. Isso também significa que interfere no benefício que uma criança pode ter com a escolarização. Este estado pode durar meses ou anos e inclui o predomínio de algum humor. Em crianças são divididos em transtornos de exteriorização marcados pela agressão e baseados na raiva, e transtornos de interiorização, marcados pelo retraimento e baseados em ansiedade, tristeza ou ambos. (Olson e Torrance, 2000). Estudantes vítimas de violência podem apresentar problemas físicos (agressão ou negligência), psíquicos/emocionais, sociais e pedagógicos.

Os problemas pedagógicos estão relacionados às seguintes dificuldades: expressão oral, emitir as próprias opiniões escritas ou oralmente, resolução de problemas, raciocínio lógico-matemático, interpretar textos com conceitos subjetivos, que exijam maior aprofundamento, entender um problema e segmentá-lo de forma que possa resolver uma etapa de cada vez produzir textos organizados com uma sequência de fatos e coerência baixa frequência.

Em sua pesquisa Vasgotello (2003), obteve a concluiu que os profissionais conseguem identificar várias situações e características de maus tratos domésticos, mas não são capazes de solucionar adequadamente estes casos, pois procuram orientar os pais em vez de encaminhá-los aos serviços de proteção à criança e ao adolescente. Este procedimento pode colocar ainda mais em risco a integridade das vítimas. A temática da violência doméstica é tratada com receio no ambiente escolar e os profissionais da educação ainda se mostram despreparados para abordar esta questão.

Millani (2009), objetivou em sua pesquisa a verificação do autoconceito e ao desempenho escolar de crianças com história de risco psicossocial, associado à violência doméstica. Foram avaliadas 40 crianças, de ambos os sexos, de oito a doze anos, que residiam com pelo menos um dos pais biológicos, distribuídas em dois grupos, um com histórico de violência doméstica; e outro, sem história de risco psicossocial relatada. Procedeu-se à aplicação da Escala Piers-Harris de Autoconceito e do Teste de Desempenho Escolar. As crianças com história de violência doméstica apresentaram um autoconceito mais negativo na área comportamento e mais dificuldade no desempenho escolar na área de escrita. Tais dificuldades sugerem prejuízos em áreas que deveriam funcionar como proteção, ou seja, que essas crianças não contam com alguns recursos essenciais para enfrentarem as tarefas desenvolvimentais da idade escolar.

A adaptação da criança aos eventos de vida estressantes, como a violência doméstica, e a forma como se coloca frente às situações de seu cotidiano, são influenciadas pela avaliação cognitiva que ela faz de seus atributos e habilidades, assim, as estratégias de enfrentamento empregadas estão diretamente ligadas ao seu autoconceito. Nesse sentido, os recursos pessoais das crianças favorecem respostas positivas às situações de adversidade, que podem minimizar o impacto do estressor.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A violência doméstica é considerada um assunto complexo, pois altera toda uma estrutura familiar. Já o diagnóstico é um desafio, devido a muitas vezes os atos violentos ficarem limitados em quatro paredes.

Nesse estudo foi evidenciado, que a violência doméstica pode comprometer o desenvolvimento físico, cognitivo, social, psicológico e pedagógico, de quem a sofre.

Tal constatação evidência que a escola pode contribuir muito para detectar as vítimas de violência, e também auxiliar a superação destes danos, tendo profissionais, interessados no bem-estar emocional do corpo discente, sendo um ambiente propício para relacionamentos de amizade, de confiança, de segurança, de afeto e principalmente para o estímulo positivo da autoestima.

Millani (2009), concluiu em seu estudo que crianças com histórico de violência doméstica, apresentaram um autoconceito mais negativo na área comportamental e mais dificuldade no desempenho escolar na área de escrita.

Compete ao espaço escolar e também as demais instituições socializadoras que são agentes na efetivação dos direitos e garantias estabelecidos pelo referido Estatuto da Criança e do Adolescente, de denunciarem casos em que a transgressão do mesmo ocorre, em especial pela violência doméstica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALCANTRARA,M.A.R. Atençao Psicossocial a crianças e adolescentes sujeitos a violência intrafamiliar. Revista Minitério da saúde.ed 1 Violencia faz mal a saúde. 2006.
BISCECLI,T.C et al. Violencia domestica contra crianças: nivel de conhecimentos dos pais de crianças em escolas públicas e privadas.Revista Paul Pediatra,vol 4, 2008.
BRITO,A.B;REZENDE ,M.R. Atendimento psicopedagogico: Reflexão e desafios com crianças que vivem em situação de risco e apresentam dificuldade de aprendizagem. Revista de ciências humanas e sociais da FSDB.vol.IX jan/jun 2009.
BARBOSA,A.E. Violencia infantil.2010. Disponivel em http://www.psicopedagogia.com.br/a. Acesso em: 25 de junho de 2012.
BRANCALHONE,P.C.Crianças expostas a violência conjugal: Avaliação do desempenho acadêmico.Revista Psicologia teoria e pesquisa.vol 20.n 2 Mai/ago 2004.
CECONECONELLO,A.M; ANTONI,C.D; KOLLER,S.H.Práticas educativas, estilos parentais e abuso físico no contexto familiar. Revista Psicologia em estudo. Maringa. 2003.



Baixar 128.06 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual