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- DISCUSSÃO DAS CATEGORIAS



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3.3 - DISCUSSÃO DAS CATEGORIAS

ENTENDIMENTO DA EQUIPE MULTIDISCIPLINAR SOBRE A INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIENCIA NO CONTEXTO ESCOLAR

Todas as profissionais das equipes multidisciplinares entrevistadas possuem um entendimento a respeito do conceito de inclusão escolar da pessoa deficiente, de acordo com a sua função, exemplificando: A Psicopedagoga vai atuar na equipe multidisciplinar enfocando as dificuldades que o aluno deficiente poderá vir a ter na dinâmica da sala de aula regular, auxiliando o professor na criação de estratégias pedagógicas para realizar a inclusão do aluno especial, seu olhar no movimento inclusivo estará voltado para as questões relativas ao ensino-aprendizagem desse aluno. A Fisioterapeuta tem sua atuação concernida em possibilitar que o aluno deficiente consiga dentro do possível possuir uma autonomia dentro do ambiente escolar, seu olhar estará voltado para as adaptações físicas que a escola irá promover para independência desse aluno em seu cotidiano. A Fonoaudióloga atua em aspectos relativos à socialização desse aluno e promove em sua atuação possibilidades do aluno deficiente acompanhar as aulas da sala regular olhando para uma aquisição da linguagem mais qualificada em materiais elaborados de acordo com as necessidades. A Psicóloga atua enfocando as questões afetivo-emocionais desse aluno ao ser inserido na escola. A Pedagoga atua em conjunto com os professores auxiliando-os nas estratégias pedagógicas como, materiais adaptados e planos de aula. A função desempenhada pelo professor já discutimos anteriormente. Apesar de desempenharem funções distintas e especificas entre as profissionais entrevistadas, existe um consenso de que o movimento da inclusão escolar do deficiente é paulatino, gradual e ainda há muito a fazer em termos de estratégias de trabalho, adaptações curriculares e formação de professores capacitados para a inclusão.

O movimento inclusivo é incipiente e ainda não está completamente difundido em todas as escolas. Muitas escolas e profissionais ainda compreendem a inclusão a partir de uma visão simplista, baseada no senso comum e no protecionismo, o que denota certo preconceito.

Assim diz a entrevistada 3: (Pedagoga)


Acredito que tenha que contar com a boa vontade e a solidariedade das pessoas, acredito que tem que ser isso, uma maneira de cada um fazer o máximo que puder para contribuir com essa pessoa que tem essa dificuldade.”
A doação de cada um, cada um se doar um pouco né, acho que acaba contribuindo para que a gente possa realmente ajudar essa pessoa”. (E3)

Esta mesma entrevistada visualiza a inclusão escolar da perspectiva de uma ação de doação que depende somente da boa vontade de cada um. Segundo Stainback (1999) a inclusão se caracteriza como um movimento social em que são incorporadas leis que a regulamentam, não obstante o olhar para esse movimento não pode advir de um senso comumente aceito. Como a escola entrevistada realiza a inclusão há pouco tempo, acreditamos que seu olhar para o movimento inclusivo ainda é incipiente.

“A realidade que eu vejo aqui na escola é que todos tem muito boa vontade, todos estão sensibilizados, eu sinto isso.” (E3).

Já a entrevistada 1(Psicopedagoga) concebe a inclusão como um processo. Afirma que cada caso deve ser olhado pela equipe individualmente para não gerar um movimento de exclusão dentro da própria inclusão. Visualiza como positiva e ideal a inclusão, mas critica a visão romântica de alguns setores sociais em relação ao tema.


Na prática eu encontro crianças que na escola regular não estão preparadas.

O próprio nome inclusão, já está sendo exclusão, temos que olhar cada caso, temos um ideal que cada criança PNE participe como todos, mas sem romantismo e sem ser radical não sou sempre a favor”(E1).

Analisando esta fala, podemos ligá-la com o pensamento de Vygostsky (1997, 2003 ) quando considera que o movimento da inclusão nas escolas não deve se propor a incluir sem definir uma estratégia a partir de estudos aprofundados e contando com uma rede de apoio composta por profissionais de diversas áreas que implementem acompanhamentos que favoreçam a mediação em sala de aula. É importante que se verifique, de acordo com o autor o quanto essa inclusão será produtiva para o aluno deficiente. Vygostsky pontua que a escola não deve servir como um espaço não mediado e sem estratégias, pois o contexto escolar deve promover a inclusão de todos, mas de uma maneira que as potencialidades de cada aluno sejam desenvolvidas. Sem essa consciência, a escola se torna apenas um depósito, incluir é necessário mas com responsabilidade.

Observamos que a entrevistada 3, exibe uma outra compreensão referente a inclusão, uma postura que visualiza esse movimento a partir do senso comum, denotando uma falta de conhecimento ou preparo para receber na escola alunos deficientes. É uma postura diferente da que observamos na fala da entrevistada 1 que considera a inclusão de uma perspectiva mais realista e enfatiza que a inclusão deve ocorrer se a escola estiver preparada para receber esse aluno.

As postura que observamos nas falas das entrevistadas 2(Professora), 4(Psicóloga), 5(Fonoaudióloga) e 6(Fisioterapeuta) se assemelham, elas também consideram a inclusão de uma perspectiva mais realista.


“Eu acho que é um processo gradativo, não tem como ser assim automático, não há condições de ser assim, por mais que nós sejamos profissionais formados, colocar uma criança com necessidades especiais especificas né? Sejam elas quais forem existe uma adaptação do próprio professor né?...” (E2)
“Não sou contra nem sou a favor, acho que tem que ser um trabalho muito bem feito.

Inclusão por inclusão eu sou contra, tenho vinte anos de trabalho, diretamente trabalhando com inclusão e vejo que há várias escolas trabalhando sem a menos condição, e isso não é inclusão e sim exclusão.

É muito mais interessante observar a disponibilidade da escola, realizar a inclusão somente pela lei eu sou contra.”(E4)
“Hoje a inclusão nas escolas, eu diria que está começando a funcionar. É um pouco polêmico porque tem escolas que se dispões a incluir alguns deficientes de uma faixa etária, conforme esses jovens vão crescendo fica mais difícil esta inclusão acontecer.

E tem escola que não tem nenhum preparo ainda, tem professores em formação.

Por exemplo, deficiente visual, tem que ter professores especializados.Então eu acho que hoje em dia ainda é muito difícil as escolas incluírem as pessoas, que exige uma postura de mudança, da filosofia da escola da direção, mais ainda dos professores tem que abandonar a zona de conforto deles e mudar, fazer diferente e fazer diferente é muito difícil para as pessoas”(E5)
“Na verdade a inclusão ainda está caminhando a gente tem dois movimentos isto é:

Quando aconteceu a inclusão há dez anos nesse momento era uma novidade e até hoje não estamos preparado para entender como aquele individuo iria aprender, que recursos ele precisaria para aprender”(E6)


Segundo Stainback (1999) A visão dos profissionais ligados à escola deve ser conjunta para preparar a escola para assistir a criança deficiente.” O que é possível traduzir a partir da fala do autor é que cada profissional da equipe deve proporcionar uma concepção de inclusão verdadeira e possível. Parece que o posicionamento do autor se assemelha com as falas de nossas entrevistadas, a inclusão escolar é um movimento que exige da escola, da equipe de profissionais, da família das pessoas com deficiência e do próprio deficiente uma mudança de postura, um olhar e uma disponibilidade para compreender esse movimento inclusivo.



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