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- O ensino regular: inclusão social do deficiente nesse contexto



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2.0 - O ensino regular: inclusão social do deficiente nesse contexto
O ensino regular surge em uma concepção paralela às instituições de educação especial. A inclusão do deficiente nas salas de aula regulares, hoje, impõe uma discussão apontando para uma transformação de paradigma no atendimento ao aluno com necessidades especiais .

“A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações nos contextos educacionais, na mentalidade das pessoas e também da pessoa com necessidades especiais, é uma forma de preparar essas pessoas para assumirem uma postura frente à sociedade.”

(CAPUTO E FERREIRA 1998 p. 78)
Ao analisarmos o processo de inclusão, muitos questionamentos estão sendo realizados para reflexão e melhor atendimento para essa população. Algumas das questões mais discutidas versam sobre a formação de professores, uma equipe multidisciplinar constituída por profissionais de diferentes áreas que possam discutir a inclusão desse aluno com necessidades especiais de forma conjunta e integrada para definirem estratégias de trabalho que possam promover uma melhor inclusão. O olhar dessa equipe deve estar focado em questões como: desempenho cognitivo do aluno, adaptação curricular, ambiente físico, adaptação do material didático da escola, como o aluno se relaciona com os colegas e professores, quais são as estratégias de mediação que os professores e o corpo docente estão desenvolvendo para receber esse aluno, enfim situações relacionadas com a permanência do aluno dentro da sala de aula do ensino regular.

Na relação entre a escola e o aluno especial, os profissionais integrantes da equipe de apoio podem ser mediadores, como elementos de interação voltados para promover níveis mais amplos de autonomia das pessoas com necessidades especiais.

“a inclusão vem contribuir para o desenvolvimento desse aluno quando se assume que é um ponto real e determinante e não sustente a ideia de que o deficiente está condenado à inferioridade, considerá-lo inferior significaria contribuir para a imobilização social e não mediada do deficiente”

(VYGOTSKY 1997, p. 253)


Ainda considerando o que Vygotsky (1997) pontuou, o professor deve servir como facilitador das relações entre colegas em sala de aula, no entanto somente criar oportunidades não significa que as relações estabelecidas serão adequadamente exploradas, mas o professor, ao estabelecer a mediação, estará proporcionando integração entre os seus alunos e estimulando as potencialidades de cada um, respeitando a singularidade.

Para que a inclusão ocorra de forma integrada é preciso que sejam trabalhadas estratégias de mediação de ensino de forma consistente e a ampliação das oportunidades para as pessoas com necessidades especiais dentro do sistema regular de ensino. .



- Construção de uma rede de apoio frente à inclusão escolar

Uma equipe multidisciplinar pode ser entendida como:

“um grupo de indivíduos com contributos distintos, com uma metodologia compartilhada frente a um objetivo comum, cada membro da equipe assume claramente as suas próprias funções, assim como os interesses comuns do coletivo,e todos os membros compartilham as suas responsabilidades e seus resultados”

(ZURRO ,FERREROX e BAS,1991, p. 29)


Alunos com necessidades especiais ao serem inseridos no contexto da escola regular, se defrontam com inúmeras barreiras para adaptar-se, pois o ritmo desse aluno e muitas vezes a forma como ele capta as informações é diferente dos demais alunos. Imbuídos dessa consciência, profissionais de diferentes áreas do conhecimento se integram, formando uma equipe multidisciplinar que irá auxiliar esse aluno em suas dificuldades. O trabalho dessa equipe funciona de forma integrada e cada profissional integrante traz contribuições para a inclusão desse aluno. A qualidade da relação que a equipe estabelece com a escola é muito importante para o sucesso da inclusão, reuniões com o corpo docente da escola são realizadas sempre que necessário enfocando estratégias de trabalho que vão desde materiais pedagógicos adaptados, como o aumento de letras em uma prova para alunos com deficiência visual , até lugares em sala de aula que o aluno irá ocupar para visualizar melhor a lousa, enfim as estratégias de trabalho são desenvolvidas de acordo com as dificuldades que o aluno especial apresenta e que a escola percebe, portanto a comunicação integrada entre os profissionais da equipe é fundamental.

Ao falarmos em equipe multidisciplinar não podemos deixar de correlacionar com o conceito de interdisciplinaridade, ela se mostra como uma linguagem entre os profissionais membros de uma equipe multidisciplinar. O trabalho realizado por cada um deles precisa ser interligado por uma postura de cooperação, pela composição de um diálogo conjunto e participativo, em que cada membro da equipe utilize seus recursos para contribuir de alguma forma com a escola para auxiliar na inclusão de alunos com alguma deficiência.

Vamos exemplificar: O aluno tem uma deficiência física, e a escola é repleta de escadas, que são barreiras que podem dificultar a inclusão do aluno. Se a escola estiver implicada na política de inclusão, irá buscar soluções junto ao profissional de fisioterapia para que ele com o seu conhecimento possa contribuir. A relação entre os profissionais da escola e os profissionais da equipe é sempre muito delicada, pois estes últimos ao entrarem no espaço escolar, quase sempre acabam modificando algumas estruturas físicas, materiais didáticos e outros aspectos da escola para poder incluir o aluno com deficiência da melhor forma possível.

O movimento inclusivo está incipiente, pois algumas escolas não estão preparadas para receber nem os profissionais da equipe e muito menos alunos com deficiência.

“Para que as relações entre o corpo docente da escola e a equipe multidisciplinar se configurarem em uma postura de cooperação mutua é necessário que se busque a conscientização globalizada, trazendo a escola,os profissionais da equipe, o próprio aluno deficiente e o seu núcleo familiar que também participarão desse contexto de inclusão.”

(STAINBACK 1999, p. 128)

As funções desempenhadas por cada profissional da equipe devem ser legitimadas como importantes para que exista uma soma de saberes que possa criar estratégias para beneficiar os alunos com necessidades especiais. O professor é o profissional que irá atuar efetivamente com a inclusão e, ele será o facilitador para aplicar as estratégias de maneira consciente e disponível para conversar com a equipe e apontar suas dificuldades. O professor capacitado se sentirá mais autônomo para mediar às relações em sala de aula e elaborar atividades dinâmicas de modo que consiga integrar todos os alunos.

“Inclusão é um movimento necessário e possível, que está regulamentado pela legislação, todavia na prática se impõem um dilema, incluir por incluir o movimento se torna apenas um agrupamento de pessoas, a inclusão efetiva precisa ser pensada, desenvolvida e qualificada”

(FIGUEIREDO 2002, p. 32)
A escola precisa estar disposta para que a inclusão aconteça, e deve nutrir com a equipe multidisciplinar uma relação de escuta compartilhada, o corpo educacional deve interagir com os outros profissionais e com o próprio aluno especial, para compor uma consciência inclusiva.

Essas adaptações estão engendradas nos Parâmetros Curriculares Nacionais, são adaptações que possibilitam a inclusão no âmbito pedagógico e educacional que rompem com algumas posturas de exclusão. Tais estratégias visam flexibilizar as propostas educacionais por alternativas mais apropriadas para tornar o ambiente escolar mais dinâmico e propicio para integração de todos os alunos. Adaptar os parâmetros de um currículo escolar, não significa alterá-lo completamente, mas sim ampliá-lo para que possa integrar e incluir todos os aluno. Essas adaptações valorizam o ritmo de cada aluno, o currículo passa a ser não somente um transmissor de conteúdos, suas adaptações tem o valor de transformá-lo em uma estrutura sólida que pode ser modificada para propiciar a inclusão de alunos deficientes em uma escola mais condizente com a peculiaridade individual de cada aluno. As adaptações podem ser mais ou menos significativas para o contexto da sala de aula.


“A maior parte das adaptações curriculares realizadas na escola são consideradas menos

significativas, porque constituem modificações menores no currículo regular e são facilmente

realizadas pelo professor no planejamento normal das atividades docentes e constituem pequenos

ajustes dentro do contexto normal de sala de aula.”

(PARAMETROS CURRICULARES NACIONAIS 1999, p. 34)

Como já falamos, o professor é um facilitador, mediador dentro da sala de aula, cabe a ele desenvolver seu material de aula de forma a atender todos, e possibilitar que o tempo de cada aluno para realizar as atividades, sejam de acordo com o que cada um produzir. Exemplificando: Se um aluno na sala regular, possuir uma deficiência física que afete sua parte de abstração terá provavelmente dificuldades em disciplinas que envolvam geometria espacial ou gráficos matemáticos, mesmo com essa dificuldade, o aluno deficiente não poderá deixar de aprender esses conteúdos, porém é função da equipe multidisciplinar e do professor adaptarem a forma como esse conteúdo será transmitido.

Os fundamentos das adaptações curriculares não se centram na perspectiva de excluir disciplinas para as pessoas com necessidades especiais, pois se essa premissa for seguida, não se estaria incluindo, mas sim nutrindo a prática da exclusão. Os conteúdos são apenas repensados quanto a sua forma de transmissão, que deverá ser diferenciada para atender esse aluno.
“As adaptações nos procedimentos didáticos e nas atividades de ensino-aprendizagem referem-se ao como ensinar os componentes curriculares. à alteração nos métodos definidos para o ensino dos conteúdos curriculares; à seleção de um método mais acessível para aluno; à introdução de atividades complementares que requeiram habilidades diferentes ou a fixação e consolidação de conhecimentos já ministrados – utilizadas para reforçar ou apoiar o aluno, oferecer oportunidades de prática suplementar ou aprofundamento. São facilitadas pelos trabalhos diversificados, que se realizam no mesmo segmento temporal; à introdução de atividades prévias que preparam o aluno para novas aprendizagens; à introdução de atividades alternativas além das planejadas para a turma, enquanto os demais colegas realizam outras atividades. É indicada nas atividades mais complexas que exigem uma seqüenciação de tarefas; à alteração do nível de abstração de uma atividade oferecendo recursos de apoio, sejam visuais, auditivos, gráficos, materiais manipulativos etc.; à alteração do nível de complexidade das atividades por meio de recursos do tipo: eliminar partes de seus componentes (simplificar um problema matemático, excluindo a necessidade de alguns cálculos, é um exemplo); ou explicitar os passos que devem ser seguidos para orientar a solução da tarefa, ou seja, oferecer apoio, especificando passo a passo a sua realização; à alteração na seleção de materiais e adaptação de materiais – uso de máquina braille para o aluno cego, calculadoras científicas para alunos com altas habilidades/superdotados etc. As adaptações na temporalidade dizem respeito: à alteração no tempo previsto para a realização das atividades ou conteúdos; ao período para alcançar determinados objetivos.”

(PARAMETROS CURRICULARES NACIONAIS 1999, p. 37)


O trabalho multidisciplinar da equipe está configurado no sentido de conscientizar as escolas que é possível ensinar,capacitar-se e aprender com e na diversidade, criando possibilidades de transmitir conhecimento, qualificá-lo e não quantificá-lo esperando resultados exatos.


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