Universidade Federal Fluminense


Os professores(as) de educação física e as “táticas” do cotidiano: alguns caminhos possíveis



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Os professores(as) de educação física e as “táticas” do cotidiano: alguns caminhos possíveis

A opção de começar esse texto por uma reflexão crítica do atual momento histórico e da escola inserida nesse contexto, foi uma opção política, por pensar com Freire(1996), que todo ato educativo é um ato político, e que a educação tanto pode estar a serviço da dominação e reprodução social, quanto pode ser emancipadora.

No entanto, esse caminho nada tem a ver com um discurso de desqualificação da categoria docente. Ao longo da minha trajetória pessoal/profissional, desde os tempos de professora no espaço escolar até os dias de hoje puxo os fios que vão me ajudando a tecer uma tapeçaria que de diversas formas vem me mostrando que os(as) professores(as), apesar das desvalorizações que sofrem tanto do ponto de vista financeiro, quanto do ponto de vista do reconhecimento e importância das múltiplas possibilidades de trabalho dessa categoria no ambiente escolar, estão interessados em buscar espaços para refletirem, discutirem sobre suas práticas e em dar continuidade aos seus processos de formação. Prova disso, é o Curso de Especialização em Educação Física Escolar do Departamento de Educação Física, que se encontra à caminho da sua décima terceira edição.

A oportunidade que tenho em trabalhar no referido curso enriquece o meu processo de formação cotidianamente. Nas relações de trocas das nossas ações/reflexões e das experiências vividas, potencializa-se um espaço de relações dialógicas onde compartilhamos nossas dúvidas, dificuldades, os impasses e também os saberes, as criações e as alternativas que se produzem no cotidiano escolar e que apesar do instituído fazem a escola acontecer. Esses docentes criam, inventam e dessa forma, movidos por uma sensibilidade e pelo desejo de resistir e buscar uma prática pedagógica mais conseqüente, produzem “novas maneiras de fazer”. É o que Certeau(1998), em sua obra A invenção do cotidiano, vem chamar de “táticas” , que são movimentos, indicativas de resistências dos atores sociais que dão vida ao cotidiano escolar. Esse cotidiano de que falo, é o “ lugar praticado”, é o dia-adia que se tece e se retece escapando de mesmices e de banalizadas repetições para se mostrar a todo momento novo e surpreendente.

Pois apesar do cenário inicialmente configurado produzido pelo discurso oficial e por quem faz as políticas públicas educacionais, pensando na escola de forma reducionista e homogênea, as marcas do cotidiano são as imprevisibilidades. Dos imprevistos e das incertezas vão brotando as diversidades, as heterogeneidades e apontando que não é possível dar conta da complexidade das relações e tramas que se tecem no cotidiano escolar. E, ainda que aqueles que ocupam o lugar de dominantes nessa estrutura de classes que se configura na nossa sociedade, se pensem onipotentes, mas não o são.

Tendo como ponto de partida a inserção da Educação Física com a Sociologia, Betti(2001) nos fala sobre novas e velhas questões; ao discorrer sobre velhas questões, como as que ligam diferentes correntes de pensamentos acerca da Educação Física escolar às possibilidades de transformações sociais, nos diz:



Há, ainda que considerar o contexto histórico atual; em tempos de globalização e neoliberalismo paira um certo ceticismo no ar quanto às possibilidades de promover as transformações propostas na década de 80, em geral ligadas à superação do capitalismo. A inércia é, contudo, a pior opção. É preciso prosseguir por caminhos mais criativos” (p,158.)

Nesse sentido, nos remete ao que Moreira(1998) fala do “ professor/a como pesquisador/a em ação”, como sendo aquele/a que refletindo sobre sua prática, produz conhecimento, para reformulá-la, com vistas a trabalhar como um “ intelectual transformador”. Esse professor/a é o perfil do profissional que se coaduna com uma proposta que contemple, por exemplo os princípios da inclusão e da diversidade, como a “abordagem sociocultural da Educação Física escolar” , de que nos fala Betti(op. cit.).

Quando visualizamos algumas pistas e apontamos alguns caminhos possíveis, estamos também fazendo nossas opções, compactuando com alguns e nos afastando de outros, mas se assim fazemos, é porque acreditamos que essas escolhas são possíveis; contudo, não quero trazer para essa discussão um olhar simplificador. Sabemos da complexidade que enfrentamos ao nos depararmos com a problemática histórico-sociocultural, na qual a educação se insere, que passa pelo descaso e a omissão dos nossos governantes e chega ao nosso cotidiano, evidenciada nas precárias condições de trabalho, na baixa remuneração dos docentes, na falta de uma política pública de educação de qualidade...

Essas reflexões estão enredadas em tantas outras que sugerem, instaladas nessa rede de complexidades, devo aqui salientar que é preciso, ainda pensar além...Qualquer proposta que traga um outro olhar, sentir, pensar acerca dessa relação prática/teoria/prática no cotidiano das aulas de Educação Física nas escolas e suas conseqüentes possibilidades de transformações, perpassa, também, por uma ampliação dessas discussões no que tange aos processos de formação dos docentes desse área, de um novo currículo, da diversificação de estratégias pedagógicas, da inclusão de novos conteúdos... Mas, apesar do caminho ser longo, não é uma utopia. É preciso sonhar, lutar, trabalhar muito e, sobretudo acreditar que é possível.

A autora, Professora Ms. Martha Copolillo é docente do Departamento de Educação Física e Desportos da UFF.



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