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A escola inclusiva

O modelo atual nos aponta para uma escola que está atrelada ao poder central, cuja orientação política está pautada num contexto neoliberal e cujas políticas visam retirar do Estado as responsabilidades com as questões sociais. Silva (1994) comenta que a educação possui papel estratégico no neoliberalismo, na medida em que está sendo direcionada para “servir aos propósitos empresariais e industriais” (p.12). O autor nos mostra, ainda, que esse direcionamento possui dois aspectos consideráveis que são: “atrelar a educação institucionalizada aos objetivos estreitos de preparação para o local de trabalho” e viabilizar que “as escolas preparem melhor seus alunos para a competitividade do mercado nacional e internacional”. É uma escola, enfim, que estimula a competição, a excelência, a exclusão e não garante a permanência, uma vez que não existe aplicabilidade social naquilo que ela oferece, mas "valoriza uma educação geral para formar trabalhadores com capacidade de abstração, polivalentes, flexíveis, criativos e ficam subordinados à lógica do mercado, do capital e, portanto da diferenciação, segmentação e exclusão" (Frigotto,1994:42).

Acreditamos que se deva oferecer educação de qualidade em que sejam considerados "aspectos sociais, políticos, culturais, antropológicos e psicológicos [...] que concorrem para a formação do aluno" e, assim garantir que "o processo de escolarização” possa “passar, de fato, a colaborar para a atuação autônoma dos alunos, na construção de uma sociedade democrática" (PCN:37).

Vale lembrar que "a escola não muda a sociedade, mas pode, [...]” articulada com esta, "constituir-se não apenas como espaço de reprodução, mas também como espaço de transformação" (idem:23). Dentro dessa perspectiva, a escola deve preocupar-se em conhecer o que a sociedade e a comunidade esperam dela, e a mesma assuma o seu papel no processo de transformação, contribuindo para "desbloquear os mecanismos de exclusão que, ao mesmo tempo em que deixam à margem das condições mínimas de vida [...] mais da metade da população, congelam ou retardam o próprio progresso técnico" (Frigotto,1994:69).

É preciso perceber que a escola não está isolada, uma vez que pretende trabalhar com a educação de indivíduos e isso, por natureza, torna-se um processo político-social, uma vez que "a questão da democracia se apresenta para a escola assim como se apresenta para a sociedade" (PCN:23). Além disso, devemos observar quais contribuições aquela pode prestar à população, quais necessidades pode vir a suprir e buscar mecanismos conjuntos que garantam a presença da comunidade no ambiente escolar.

Acreditamos que somente através de uma educação transformadora, comprometida com a democratização do conhecimento, entendida aqui como direito de "ter acesso aos conhecimentos indispensáveis para a construção de sua cidadania" (idem:9), através da apropriação de conteúdos que possibilitem uma visão crítica da realidade e que possam ser utilizados como “instrumentos para refletir e mudar a própria vida do aluno" (ibidem:24), é que a escola poderá cumprir seu papel na luta pela construção de um projeto social possível e igual para todos.

A escola deve ser um local de socialização, onde sejam possíveis as trocas de experiências e que auxilie ao aluno a desenvolver todas as suas potencialidades através do acesso aos conhecimentos técnicos e científicos que permitam sua inserção no mercado de trabalho; isso sem perder de vista as questões humanistas. Nesse sentido, ela deve ser ainda um espaço para o exercício pleno da cidadania, da autonomia intelectual e da formação ética no sentido pleno, permitindo segundo Manacorda, citado por Frigotto,

o chegar histórico do homem a uma totalidade de capacidades e ao mesmo tempo, a uma totalidade de capacidades de consumo e gozo em que se deve considerar sobretudo o usufruir dos bens espirituais (plano cultural e intelectual) além dos materiais”. (1994:69)

A escola não existe por si só, mas é composta por um grupo de pessoas que desempenham funções primordiais na concretização da democracia e do exercício da cidadania, e que estão envolvidas nesse exercício, através das situações e relações estabelecidas nesse convívio. Não deve ser "apenas um lugar de reprodução de relações de trabalho alienadas e alienantes, mas “um lugar de possibilidades de construção de relações de autonomia, de criação e recriação [...]" (PCN:32).

Nesse contexto estão inseridos os professores que, como cidadãos, devem desenvolver suas capacidades pessoais e profissionais, além de ocupar seu papel primordial de "participante do processo de construção da cidadania, de reconhecimento de seus direitos e deveres, de valorização profissional" (idem:31).

Estes devem saber, dentre outras coisas, que não adianta oferecer apenas aquilo que eles sabem, mas construir o conhecimento a partir também das necessidades do aluno, aproveitar sua bagagem de informações.

Segundo Gadotti (2000), “o professor deve ser um mediador do conhecimento, sensível e crítico, aprendiz permanente, um orientador, um cooperador curioso e, sobretudo um cidadão” (JB, Caderno Educação).



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