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2- Revisão de literatura

Segundo Betti (1992) é necessário a implementação de propostas inovadoras que possam substituir os modelos “esportivistas” ou “recreacionistas” e assim, possibilitar à Educação Física escolar introduzir e integrar o aluno na esfera da cultura corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transforma-la, usufruindo, deste modo, dos jogos, esportes, danças, lutas e ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.

O diagnóstico dos fatores que auxiliam a compreender o quadro atual, indesejado e pouco transformador, deve figurar entre as prioridades das políticas de educação pública, envolvendo de maneira integrada a comunidade acadêmica e escolar, de modo que a reflexão e a discussão permita vislumbrar alternativas para sua superação ou redimensionamento. Para tanto, nada mais viável do que ouvir os próprios professores e descobrir o que almejam, que situações vivem, suas dificuldades e sugestões.

Como apresentamos anteriormente, o pilar de sustentação do presente trabalho refere-se a um estudo recente realizado pelo LETPEF, cujo objetivo foi diagnosticar a realidade dos professores de Educação Física na escola, quanto às dificuldades e sugestões dos mesmos. Sendo assim, faz-se necessário apresentar os principais resultados daquele estudo, intitulado “A realidade dos professores de Educação Física na escola: suas dificuldades e sugestões”, para que o leitor possa situar-se frente às discussões e reflexões aqui desenvolvidas.

Os pesquisadores utilizaram como metodologia do trabalho a pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semi-estruturadas, com 21 professores de Educação Física da rede pública e privada de ensino, dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

A estrutura da entrevista foi dividida em cinco grupos de questões: a) informações gerais; b) contexto escolar; c) dificuldades; d) sugestões; e) concepções dos professores.

De acordo com o objetivo do presente trabalho serão apresentadas as análises dos resultados obtidos, especificamente no item c (dificuldades), ou seja, os obstáculos encontrados para desenvolver aulas de Educação Física, conforme a história docente dos professores que participaram do estudo.

Um dos obstáculos apontados pelos professores refere-se à falta de discussões que apontassem as dificuldades da prática docente durante a formação inicial (graduação). Assim, assume-se que os cursos de formação profissional não estão preparando os professores para a realidade concreta. Pois, a maioria dos entrevistados, afirma que na graduação, não foram tratados assuntos sobre o cotidiano escolar e as dificuldades existentes na prática. Esperavam por dificuldades, mas não imaginavam que seriam tantas, como mostram os depoimentos de alguns entrevistados como a professora 7:



Encontrei outra realidade à que esperava. Tive dificuldades para entender o funcionamento interno da escola: como preencher diários, coordenação ausente (trabalhava sozinha), falta de organização escolar (direção escolar ausente), problemas de ordem social, alunos faltosos (mais de 50% de alunos ausentes) com a orientação da Supervisão de Ensino para aprovação desses alunos, dificuldade na compreensão sobre o papel e a participação do Conselho de classe na Escola (pois nunca participei) e a questão da evolução da profissão.” (Professora 7)

Foram apontados também os problemas referentes à estrutura e organização escolar, como a falta de materiais e espaços adequados para as aulas de Educação Física, a exposição à qual o professor é submetido na quadra (todos têm acesso à quadra de Educação Física, dando margem à crítica) e a dificuldade de obter apoio dos demais professores da escola, relacionada ao baixo “status” credenciado à disciplina Educação Física na comunidade escolar de uma maneira geral.

Outros fatores que dificultam a realização de boas aulas de Educação Física citados pelos professores nas entrevistas são as classes super lotadas, o número reduzido de aulas de Educação Física e o fato dessas aulas serem oferecidas no mesmo período das demais disciplinas e as turmas serem mistas. Os professores entrevistados identificaram ainda como um dos maiores problemas, a indisciplina/falta de atenção dos alunos.

A falta de reuniões e apoio pedagógico da escola alia-se à falta de apoio do governo acusado pelos baixos salários, alta carga de trabalho semanal e não oferecimento de cursos de capacitação/atualização, corroborando para o delineamento de um quadro caótico e decadente da Educação e mais especificamente da Educação Física nos dias atuais, como sugerem os professores entrevistados.

Após este diagnóstico traçado por meio dos depoimentos dos 21 professores entrevistados, passamos a analisar as possibilidades de superação ou enfrentamento das principais dificuldades, refletindo sobre sugestões dos próprios professores e dos membros (também professores de Educação Física escolar) de nosso grupo de estudos, o LETPEF.



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