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4.2 Identidade e estigma – “Sobre mim não tem quase nada”
Transitar sobre o terreno do conceito de identidade atualmente é transpor um território perigoso.
A noção de identidade é uma das premissas fundadoras do mundo moderno, que se inicia com a reificação do homem como centro do universo, dotado de uma razão inabalável e capaz de conhecer a verdade do mundo, fazendo-o progredir para um futuro glorioso.

Assim, a identidade foi concebida enquanto algo indissolúvel, fixo e estável, ligada a uma personalidade inata ou adquirida que deve ser alimentada até se tornar cada vez mais segura daquilo que “é” e permanecer única durante toda a vida. A lógica cartesiana e o determinismo histórico conceberam o passado do sujeito enquanto causa do seu presente e como determinante imediato do seu futuro (Morin, 1986).


Por isto, ao falar em “identidade”, estamos nos aproximando mais da noção de estigma, de uma representação do sujeito enquanto algo pronto, acabado e único. Hegel nos dá um brilhante exemplo: “se você chama de criminoso alguém que cometeu um crime, você ignora todos os outros aspectos de sua personalidade ou de sua vida que não são criminosos” (apud Morin, 1997: 269).
Com este exemplo, podemos pensar o sujeito enquanto um ser complexo (idem), dotado de identidades múltiplas e capaz de se reconhecer mais em um ou outro aspecto do seu “eu”, variável com seu contexto e com suas interações sociais.
A identidade não se desenvolve a partir de um núcleo, mas é constantemente formada na relação com os outros. E é na relação que se estabelece, com olhar do “outro”, que o sujeito vai criando seus sistemas simbólicos de pertencimento e de identificação. A identidade é múltipla (Morin, 1986), não uma essência estática, mas um processo fluido de interações com os outros e com o mundo.
É no paradoxo identidade/alteridade, no jogo constante entre similitude e diferenciação, que a “identidade” passa, de um conceito fixo, a um processo.
As categorias de menino-de-rua e de excluído acompanham a representação do indivíduo em questão como um ser dotado apenas de uma possibilidade: estar fora do lugar. A maneira como eles são vistos pelos “outros” elabora uma construção de si.
Encontramos, na modernidade, a imagem do indivíduo isolado, alienado, determinado pelas suas condições históricas e perdido no anonimato da metrópole (Velho,1993) e na impessoalidade da rua (Da Matta, 1990).
Quando um menino diz: “sobre mim não tem quase nada”, este nada revela uma ausência de si que é dada tanto pelo aspecto da negatividade de sua identidade quanto pelo aspecto da invisibilidade social que ele vive diariamente.


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