Universidade federal do rio grande do sul



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3.2.1 Drogas e tempo
A relação que faço entre a noção de tempo e uso/abuso de “drogas”60 se dá com base na teoria temporal do psiquismo de Alfredo Moffatt e na exacerbação temporal do presente em que vivem os m/m com quem convivi.
Para Moffatt, este “fechamento” no presente que o indivíduo experiência serve para impedir que os invada ‘o que foi’ e ‘o que está por vir’, que são espaços que não aprendeu a manejar (1981). Estas pessoas contaram com um número de frustrações tão grandes e tão freqüentes em sua infância que não lhes permitia ter tempo de simbolizar as perdas e ressignificá-las, tampouco consegue antecipar-se como o “outro” do porvir, do amanhã. Encontra-se sempre no aqui e agora (idem; 37).
Ainda para Moffatt, o uso de substâncias psicoativa exacerba o “fechamento” no presente61, pois a droga aumenta seus canais de percepção, multidimensiona suas sensações e faz com que viva o agora continuamente. O corpo, em sua atividade perceptual, está encerrado no presente. A intensa vivência do corpo, da imediata percepção, pode reter o tempo (como num êxtase sexual e/ou religioso). São os instantes em que parecem ficar de fora da coerção dos hábitos cotidianos e do tempo imposto.
Mas o tempo não é só percepção dos sentidos; é, antes de tudo, uma convenção cultural, um instrumento simbólico compartilhado por determinada sociedade, que só se configura enquanto estado do meio ambiente real na medida em que se elege uma dentre a complexidade de leituras possíveis da ‘realidade’, enquanto figura e não enquanto fundo (Moffatt, idem). É essa leitura, parcialmente compartilhada com os outros fora de nós, que compõe a história. Sendo assim, a história é o imaginário compartilhado (idem).
Quanto aos moradores de rua, Moffatt diz que cada história de vida é um quebra-cabeça e que pedaços da história formam uma figura, porém, a história destes jovens é um filme recortado e colocado em qualquer ordem. É a lembrança de fatos caóticos, sem seqüência, sem ressignificação.


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