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A Praça XV e o Largo Glênio Peres 35



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A Praça XV e o Largo Glênio Peres 35




Em torno dos pontos turísticos do centro da cidade – como o Chalé da Praça XV – reúnem-se várias famílias “de rua”: consangüíneos e agregados. Set/94

A praça mais movimentada da cidade é também a que abriga o maior número de moradores de rua. Com a chamada revitalização do centro da cidade, um dos projetos que afetaram mais diretamente a população que vive das ruas foi a recuperação do Chalé da Praça XV36. Colocou-os mais adiante dos olhos da cidade, levando-o com maior freqüência para defronte ao Paço Municipal, nas escadarias do que costumam chamar de “os Leões”37. Também a interdição aos banheiros da Praça XV não conduziu à mudança a população que ali dorme. Para a população em geral, os banheiros do Mercado Público eram um acesso que, para eles, estava negado devido ao impedimento dos vigias do mercado e dos banheiros, pois estes não deixavam que a população de rua entrasse por estarem sujos e/ou visivelmente drogados. Com o passar de alguns meses, conseguiram utilizar os banheiros do Mercado, porém só até às 20 horas; após este horário defecavam nas escadarias da Prefeitura.


No Largo Glênio Peres e arredores reúnem-se os mais variados grupos de crianças, adolescentes e adultos, assim como indivíduos isolados de grupos. Há famílias consangüíneas e “famílias de rua” vivendo há anos ali. Agregam-se recém chegados dos bairros pela oferta muito grande de possibilidades que o local oferece: esmolação, prostituição, tráfico, trabalho informal, roubo e furto, além do show constante no passeio público.
Havia um número muito grande de gestantes neste local, algumas se encontravam dormindo constantemente, fizesse chuva ou sol, cobertas por um cobertor velho e cheirando o loló trazido pelos traficantes, a olhos vistos de toda Brigada Militar.
No final de 2001, na Praça XV, há um número expressivo de mulheres e meninas com filhos nos braços. Em um dia de observação, contei 27 pessoas instauradas na praça, sendo que dez eram crianças entre zero e cinco anos, doze eram mulheres e jovens e cinco jovens guris. Parece haver um movimento de afirmação desse espaço, tanto enquanto território de prostituição feminina, das que não têm lugar garantido no grupo das antigas da Alfândega, quanto de segurança para as novas mães e seus bebês usados para a mendicância na grande quantidade de bancos 24 horas que o Centro dispõe. O banheiro do Mercado Público continua sendo utilizado com grande freqüência, apesar de uma funcionária de lá ter me dito que os seguranças “cuidam prá não entrar o cheirinho da loló”.
Em 2001, circundando o Mercado Público, os cheiros de peixe fresco, baunilha e erva-mate misturam-se aos de suor e loló das crianças que continuam esmolando comida nos seus bares.


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