Universidade federal do rio grande do sul


Meninos e meninas “de rua”



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1.3.5 Meninos e meninas “de rua”

No bojo da criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, substituindo a concepção menorista da infância e juventude pobre, surgem diversos conceitos: em situação de risco pessoal e social, em situação de rua, em situação de vulnerabilidade social, os “de rua”, os “na rua”.


Para o educador Mário Volpi:

Passar a falar em meninos e meninas de rua foi uma forma de recuperar a identidade daquelas crianças e adolescentes que fazem da rua seu principal espaço de luta pela sobrevivência. Hoje esta denominação já reaparece carregada de novos sentidos ideológicos, inclusive com subdivisões referindo-se a meninos de rua e meninos na rua que revelam novos estigmas e rotulações.” (1996: 6)


Optei por usar a categoria meninos e meninas de rua ou crianças e adolescentes de rua, pois trabalho justamente com os processos identitários dentro desta cultura de rua. Acredito que o estigma que este conceito fixo representa, faz parte da constituição identitária e da manutenção de um status quo específico de um grupo social de características determinadas, mesmo que não homogêneas.
Mas por que estudar/trabalhar com a miséria? Pela crença de que investigando as formas máximas de exclusão social e cultural no limite das tensões sociais - que é o fato de crianças e adolescentes viverem das ruas consigamos encontrar não apenas os níveis de exclusão e inclusão, mas como este “ciclo” pode ser interrompido.Acima de tudo, é a busca por entender a própria condição humana.
E o que representa ser “de rua” ou estar “na rua” de forma constante?
Segundo Bachelar, o espaço é também lugar preenchedor e preenchido pelo interno de quem nele habita. E, citando o poeta Noël Arnaud, nos diz: “Sou o espaço onde estou” (1988-1: 199).
Podemos também lembrar do cronista carioca do fim do século XVIII, João do Rio, que nos canta em prosa poética:
A rua faz as celebridades e as revoltas, a rua criou um tipo universal, tipo que vive em cada aspecto urbano, em cada detalhe, em cada praça, tipo diabólico que tem, dos gnomos e dos silfos das florestas, tipo proteiforme, feito de risos e de lágrimas, de patifarias e de crimes irresponsáveis, de abandono e de inédita filosofia, tipo esquisito e ambíguo com saltos de felino e risos de navalha, o prodígio de uma criança mais sabida e cética que os velhos de setenta invernos, mas cuja ingenuidade é perpétua, voz que dá o apelido fatal aos potentados e nunca teve preocupações, criatura que pede como se fosse natural pedir, aclama sem interesse, e pode rir, francamente, depois de ter conhecido todos os males da cidade, poeira d'oiro que se faz lama e torna a ser poeira - a rua criou o garoto!” (199: 50).
Sendo assim, cabe aqui analisar como o espaço se apresenta enquanto o “lugar-rua”.


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