Universidade federal do rio grande do sul


Em busca da desconstrução de uma categoria: Os “excluídos” – ou “os que estão fora”



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1.3.3 Em busca da desconstrução de uma categoria: Os “excluídos” – ou “os que estão fora”


Sobre mim não tem quase nada” 20

Na busca de iniciar uma constituição dos processos identitários que a situação de vida na rua pode compor, comecei tentando analisar melhor o termo “exclusão” que assumiu, de uma década para cá, o status conceitual enquanto categorizador de um estado e de uma identidade muito em voga tanto nos meios científicos, quanto circulantes na opinião pública.



O conceito “exclusão” que gera a categoria “excluído” tornou-se, de certa forma, tão genérico e abrangente, que substituiu a discussão de “classes” (existência; dominação , luta de , etc.) por um “novo” protagonista das políticas sociais. Ele surge da insuficiência das categorias anteriores para explicar o fenômeno. No dicionário: Excluir: 1) por à margem; 2) afastar, eliminar, omitir; 3) ser incompatível com; 4) isentar-se, privar-se fora = excluído (adj.) 21. São os marginais, estão à margem, são “outsiders”, estão fora. Resta a pergunta: fora de quê?
Na economia globalizada em que vivemos, a progressiva concentração de renda nas mãos de umas poucas corporações transnacionais, impulsionada pelo desenvolvimento inusitado das tecnologias de informação, vem criando um novo paradigma de emprego. Junto a este fator, está a minimização do papel do Estado no que diz respeito ao apregoado wellfar-state, resultado da revitalização do imperialismo e do liberalismo econômico após o Consenso de Washington, sob o nome de neoliberalismo.
O Estado Previdência, com seu caráter assistencialista, demarcou o auge da associação entre capitalismo avançado e “bem-estar social”. Poderíamos caracterizar este bem-estar como forma de equilibrar a balança social-econômica de maneira desigual, mas sem despejar seu conteúdo. Ou seja, uma maneira de manter a ordem capitalista, sem produzir muitos excedentes que pudessem ameaçar ao sistema22.
Mas, parece que o indesejável não foi o inevitável. Com a crise do Estado do bem estar social, em meados dos anos 70, surge então uma “nova” ordem de categorias que se sobrepõe à de pobreza e à de miséria. Em um sistema de democracia “formal” e de fascismo econômico (Boaventura Santos)23, nada mais evidente que a intensa preocupação que hoje se torna tema político emblemático com a questão dos
excluídos. Enquanto a pobreza for assistida e os miseráveis estiverem controláveis24, não há o que possa abalar o sistema.
Na medida que crescem as massas de desempregados e os limites de pobreza e miséria, tornam-se menores e mais flexíveis as temáticas, como as da “exclusão social”; assumem um status político e intelectual tanto para a direita quanto para a esquerda. Surgem, então, os “inempregáveis” (Forestier,1997), os “sobrantes”; os “supérfluos”, os “excedentes” e toda uma nova série de adjetivos que cristalizam ‘qualificações’ a estes sujeitos.
Apesar de o caso brasileiro nunca ter estado configurado totalmente na política do welfare state, é fato que a nova crise do capitalismo agravou ainda mais a situação de desigualdade econômica no Brasil (concentração de riquezas por poucos) e de esvaziamento do Estado enquanto promotor de políticas de assistência aos pobres e miseráveis.
Outro fator, de cunho mais intelectual, que traz à tona este tema é a crise dos paradigmas e a discussão sobre a centralidade da questão do trabalho que desloca as atenções sobre a luta de classes.
Tentei aqui resgatar a origem destas categorias e de como a temática vinha sendo suscitada até então, passando das categorias de pobreza e miséria de cunho mais economicista e ainda sem consenso quanto às chamadas “linhas” de delimitação, para o conceito de exclusão. A diferença básica na análise é a de articular diversas dimensões da problemática (histórica, territorial, cultural, econômica, psicológica), complexificando-a e tornando-a um caleidoscópio da sociedade atual.

Em décadas anteriores, o debate girava em torno das categorias analíticas de pobreza e de miséria. Em 1970, diz Milton Santos: “a moda atual entre os sociólogos latino-americanos é trocar ‘pobreza’ por ‘marginalidade’” (p10).


Este autor revela a diversidade de trabalhos que se voltam para discutir estes conceitos, e discute algumas interpretações sobre pobreza e miséria mensuráveis enquanto:

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