Universidade federal de são carlos


DIÁRIO DE AULA – 11/06/07



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DIÁRIO DE AULA – 11/06/07

As duas primeiras aulas foram na quinta A.

A professora Fátima não veio e avisou de ultima hora, e foi substitui-la uma professora de português, chamada Fernanda, que dá aulas de reforço. Ao entrar na sala ela disse que iria substituir a professora Fátima e que era professora de português e inglês, e também disse: “ Sou péssima em matemática”.

Ele usou o aula para passar um texto, para tentar fazer uma ponte entre português e matemática, e que se chamava “A partilha das laranjas”, retirado do um livro de matemática de sexta série: MATEMÁTICA SCIPIONE, SCIONE DO PIERRO NETO, 6A SERIE.

Os alunos ficaram quietos copiando texto, mas reclamando que estavam escrevendo muito. Durante a aula, que a professora passava o texto na lousa, algumas alunas fizeram perguntas pessoais, sobre o namorado dela. O engraçado foi o tom da conversa, quando ela disse: “Aí, nem te conto menina”.

Fiquei no fundo da sala observando a turma e lendo o texto, que se tratava da partilha de oito laranjas entre três pessoas, e em troca dois meninos receberam oito moedas de prata.

O estranho nisso tudo foi uma professora de português substituir uma de matemática. Se ao menos fossemos avisados com antecedência, sabíamos que o assunto agora seria frações. Apesar de não sermos obrigados a dar regência, daria para preparar uma aula de frações construtivista baseado em livros paradidáticos.

Ficamos sem saber o que fazer, no fundo da sala observando a turma. O professor deve se preparar para o improviso. Que tal tentar algo da próxima vez?

Já no segundo C, tinha um professor de matemática substituto, chamado Rafael e que inclusive foi formado na UFSCar. O Rafael foi meu aluno. Vocês conversaram?

Ele chegou na sala e se apresentou, e pediu para ver o caderno de uma aluna, e na hora, com o livro do Iezzi, volume único, escolheu alguns exercícios relativos à matéria dada em sala e passou na lousa. Notei claramente que ele não preparou aula e escolheu os exercícios na hora, ao acaso. Você perguntou se ele foi avisado em cima da hora?

O assunto era área de figuras planas. Porém quando ele escolheu os exercícios ali ao acaso, ele pegou um exercício sobre área de trapézio, o qual ficou para o final e não deu tempo de fazer tudo, mas quando ele foi explicá-lo como podia ser feito, ele se complicou e ao final da aula me confessou que não sabia fazer o exercício.

Já na sala de professores ele me pediu para fazer o exercício para que na próxima aula eu fizesse na lousa para o s alunos, juntamente com a professora Fátima.

Depois em casa pedi ajuda para um colega e fiz o exercício. Vocês tiveram dificuldades com o conteúdo ou com a metodologia? Você pode colocar o exercício no relatório e dar mais detalhes?

Vi claramente que ele não preparou a aula, não sabia o assunto que se tratava e muito menos que livro a professora usa. O livro que ele escolheu, considero particularmente difícil até para ensino regular, e fora de nível para aquela turma de EJA.

Alem disso, os alunos estavam fazendo muita bagunça e a indisciplina tomou conta da aula, e ele não soube controlar, chegando a gritar com os alunos, o só fez piorar a situação, chegando a discutir com alguns destes

Alguns diálogos:

“Qual a área do triangulo? Não lembram? Tem no caderno, Olha!”, onde praticamente gritava, com tom de voz alterado.

Sobre a discussão com um aluno:

“Oh, do fundo, fica quieto, ta irritando”, com voz alterada.

“To quieto, mano!”.

“ Mano, não”, gritando.

Resposta do aluno: “Você é professor ou aluno?”, sem resposta. Aqui porque ele era mais novo ou da mesma idade dos jovens da sala

A meu ver, ele perdeu totalmente o controle da aula, e não soube usar o que ele por ventura tenha aprendido na universidade. Você pensou em como fazer, se fosse o professor da turma?

Depois do intervalo a aula foi no primeiro C, onde se continuou a atividade da aula anterior sobre o estudo da poluição numa aula de matemática.

A maioria dos alunos estava, no inicio da parte 2, onde a primeira atividade se referia à de interpretação de texto, perguntando por que a equação de recorrência representava o processo de despoluição do lago. A atividade surpreendeu porque era somente reler o texto e explicar facilmente, mas os alunos tiveram grandes dificuldades. E aí, como fazer?

A segunda atividade tratava-se de utilizar a formula de recorrência e substituir os períodos de tempo de 1 a 11. Aqui minha atitude foi explicar o enunciado, relendo com cada grupo duas ou mais vezes ate que compreendessem o exercício, sendo que eles ao final entenderam o exercício, na parte matemática, mas novamente a dificuldade apareceu na interpretação do resultado.

Um dos objetivos das atividades era a interdisciplinaridade, mas nota-se a grande dificuldade de interpretação de texto por parte dos alunos. Já na seqüência, a terceira e quarta atividades desta parte trata-se de uso da formula de recorrência, substituindo termo a termo ate encontrar uma formula generalizada. A parte de substituição os alunos conseguiram fazer bem, mas demoraram a visualizar a generalização da formula.

Nas partes B e C, seguiram-se as atividades, com destaque para confecção de um gráfico, sobre uma tabela feita na parte A. Na tabela já feita por eles, começava esta com o numero 16 e ia decrescendo até 0,9. Porem teve um grupo que montou o gráfico com os números na ordem colocada na tabela, ou seja, o numero 16 vinha parto de zero, depois o 12, 9, até por ultimo 0,9. Este fato foi-me relatado pela professora após a aula, onde ela explicou que se se tratava do plano cartesiano e explicou como deveria ser feito. Pelo que entendi, uma aluna coordenava o grupo e os outros nada concordaram. Você já colocou o projeto no MOODLE? Parece muito interessante!

Eu vejo que estas dificuldades de interpretação e de resolução das atividades, pode-se dever a resolução mecânica de exercícios de matemática durante todo sua vida acadêmica. Concordo com você. É a Matemática sem significado. Quando qualquer exercício fugia da mecanização, tinha-se grande dificuldade.

Este tipo de problema, a meu ver, pode ser corrigido com o tempo, com resolução de novas atividades deste tipo, envolvendo um trabalho conjunto com o professor de português, para ver o que pode ser feito para melhorar-se a interpretação de textos por parte dos alunos. Também é fundamental estimular o aluno a pensar mais, e a menos exercícios mecanizados. Concordo que o problema possa ser corrigido com o tempo, mas exige vontade, investimento de tempo, reflexão e, principalmente confiança de que somos capazes de fazer grandes diferenças.



(vi) DIÁRIO DE AULA – 18/06/07
Nas aulas ontem, as duas primeiras foram com a professor Fátima na quinta A, onde o tema da aula foi decomposição de fatores primos e calculo do mínimo múltiplo comum.

No inicio da aula, a professora distribuiu livros da EJA para os alunos, que pegou na biblioteca da escola, e começou a seguir a matéria sobre fatores primos do próprio livro, onde leu a teoria e explicou rapidamente. A leitura teórica não apresentou qualquer conexão com a realidade. E no EJA, principalmente, este aspecto é fundamental. Ela costuma ser muito aberta ao diálogo. É pena que não temos mais tempo para questionar isto.

Quanto aos exemplo, refez os mesmos do livro e resolveu três exercícios deste, passando alguns para os alunos fazerem, semelhantes aos exemplos. Neste ponto notei que os alunos estavam muito presos à tabulada, tendo uma para consultar sempre para as contas. Durante este processo também se utilizou os critérios de divisibilidade, no caso de números grandes. Percebi que muitos alunos não lembravam ou confundiam as regras para 2, 3 e 5.

Numa das vezes em que fui ajudar os alunos, uma em especial me chamou a atenção, que foi a indígena. Expliquei o exercício sobre fatores primos, mas notei uma dificuldade extrema até na língua portuguesa, e mesmo na escrita dos números. Fiquei sem saber o que fazer, pois neste caso seria um trabalho de longo prazo a ser realizado para tentar sanar os problemas, e não só em matemática, mas interdisciplinar. Concordo. Se você tiver oportunidade, continue o trabalho no próximo semestre.

Ao final da aula, uma aluna me disse que eu era o melhor estagiário, em comparação aos outros dois, Rafael e Fábio, com maior interesse e capacidade de ensinar. Também ouvi o pedido da aluna para que eu tentasse pegar a turma que eles estarão no próximo semestre, no caso na sexta serie. É muito bom ouvir isto.

Senti-me útil na turma, e consegui cumprir meu objetivo, ao passar um pouco do meu conhecimento matemático para estes alunos, que acima de tudo tem muita vontade de aprender, a pesar das dificuldades de aprendizado.

Na aula seguinte fomos para o segundo C, onde a professora passou alguns exercícios sobre áreas de figuras planas como retângulos, quadrados, retângulos e círculos. Eram exercícios simples já passados na aula anterior.

Alguns alunos do fundo não estavam interessados na aula e conversaram o tempo todo, não se interessando pela aula. Disseram que se não passassem iriam entrar com processo na justiça, quando a professora se referiu à prova.

Alguns alunos que estavam tentando fazer os exercícios percebi uma clara divisão em dois grupos distintos: um que consegui resolver os exercícios com facilidade, apesar das dúvidas, e outro que não estavam conseguindo resolve-los, mas tinham interesse em aprender, e me procuravam para tirar duvidas. Nos dois casos, percebi um claro interesse no aprendizado.

No intervalo fomos entrevistar a professora Fátima, que respondeu às perguntas com tranqüilidade de quem tem 25 anos de profissão, sendo para mim em particular uma experiência gratificante entrevistá-la.

Após o intervalo fomos para a aula da professora Eliani no primeiro C, onde se continuou a resolução dos problemas da apostila da poluição numa aula de matemática.

A professor leu para os alunos a parte C da apostila, para explicar melhor os exercícios e resolver alguns com eles. Também percebi que pretendia passar melhor a interpretação do problema, não só a resolução mecânica.

Na atividade sobre funções do primeiro grau, relembrei para o grupo a definição e como identificar uma função deste tipo, e também o formato do seu gráfico. Assim, eles fizeram a atividade com mais facilidade. Os demais exercícios dependia mais de interpretação do que matemática, onde a professora explicou para os grupos. Também repeti o processo nos demais que assim exigiam.

Uma evolução num grupo que mais acompanhei, percebi claramente, quando uma aluna que geralmente não tinha muito interesse na aula, começou a ter mais atenção na aula, e também conseguindo resolver bem os exercícios. Para mim foi uma evolução, onde eu acompanhei o processo e fiz parte deste também. Recebi novamente elogios de alunas, onde me disseram que eu realmente estava ensinando matemática, e não fazendo tudo para eles. Também pediram para eu acompanhar turma no próximo semestre.

Foi gratificante todos estes elogios, apesar de achar antiético a comparação com os outros estagiários, pois acho que cada um tem seu ponto e seu ponto fraco e se expressa de uma maneira, nem pior e nem melhor, apenas diferente. Concordo. Parece que alguns professores trabalham com mais garra porque acreditam que podem fazer uma diferença.

Neste ultimo dia de estagio percebi claramente o cansaço dos professores e seu abatimento. Também o mesmo acontecia comigo, mas lutando o tempo todo para demonstrar interesse pelos alunos e pelo aprendizado deles.





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