Universidade federal de são carlos


DIÁRIO DE AULA – 28/05/07



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DIÁRIO DE AULA – 28/05/07

As duas primeiras aulas foram na 5a A, onde o tema da primeira aula foi divisibilidade.

Ao chegar na classe, os alunos disseram que sentiram faltam de mim na semana passada, por eu não ter ido e relaram que outro estagiário assistiu aula e disseram que “Você ensina e ele não”. Eles me trataram já como professor o tempo todo. Para mim está ficando natural este tratamento, mas às vezes fico sem graça. Penso que isso tudo reflete o meu empenho no estágio, onde tento superar minhas limitações e fazer relações com a teoria. Aqui também ressalto a superação do medo que tinham antes de enfrentar uma sala de aula, devido a minha timidez excessiva. Esta foi a primeira vez que você se “sentiu” professor?

Bem, indo de fato para a aula, a professora Fátima deu uma lista de dezesseis números para os alunos quais deles eram divisíveis por 2, 3, 4, 5, 6, 9 e 10, baseados numa lista com os critérios detalhados dados em aulas anteriores.

Eu andei pela sala e percebi quando eu tirava duvidas que eles tinham dificuldades nas contas e raríssimas vezes lembravam das regras dadas em sala. Muitos deles ficaram presos a tabuada para tentar resolver as contas básicas, de divisão por 2 e 3. Percebe-se claramente que eles não estudaram o assunto em casa, até porque muitos relataram que não tinham tempo, por trabalharem o dia todo, além de terem problemas particulares para resolverem.

A aula serviu também para que eu relembrasse os critérios, pois não sabia todos, e nestes momentos eu pedia para o aluno me mostrar à matéria dada no caderno, para partir do que a professora tinha dado em sala anteriormente. Este é um fato interessante: a Matemática escolar tem características próprias; outro fato: quando começamos a dar aulas, temos que buscar os conceitos matemáticos que, muitas vezes, não estão à nossa disposição quando precisamos deles.

Percebi dois extremos na sala de aula, ou seja, alunos que tinham muita facilidade, mesmo sendo idosos e outros com extrema dificuldade, onde claramente faltava base teórica anterior.

Assim, me dediquei ao grupo de alunos que ficava mais no fundo da sala, com mais dificuldade.

Nesta aula, como relatado anteriormente, temos o aluno especial Osmir. Fiz algumas observações a respeito do comportamento dele durante as aulas de ontem, onde percebi que ele fica disperso a maior parte do tempo, não presta atenção, é inquieta e fala o tempo todo sozinho. Apesar dessas características, durante uma atividade fui tirar dúvidas dele, onde percebi que quando ele presta atenção, consegue aprender. Agora, podemos fazer relação com a disciplina de psicologia do desenvolvimento, em especial sobre as psicopatologias, onde a primeira vista pode-se identificar além de déficit de atenção, problemas mentais leves e uma possível hiperatividade. Afirmar isto é complicado. É somente para especialistas.

Uma relação com a psicologia do desenvolvimento que podemos fazer é pegar os estágios do desenvolvimento que Piaget descreveu, a saber, relativos à primeira, segunda e terceira infância. Nestes estágios, temos algumas características claras que a criança apresenta ao passar de uma fase cognitiva para outra, como do pré-operacional para o operacional concreto, onde a criança que oscila entre a individualidade e a generalidade. Assim, observei que muitos adultos não superaram esta fase, e não conseguem fazer generalizações, conforme descrição de alguns pesquisadores como Pascual-Leone, afirmando que alude precisamente a influência de fatores perceptivos e não só variam durante o desenvolvimento, como também de um individuo para outro, e explicaria o fato de que alguns adultos apresentam respostas que correspondem, de uma maneira geral, às de crianças de 5-6 anos (Coli & Marchesi).

Seguindo a análise, temos a fase que Piaget chama de pré-lógica do pensamento infantil, onde a criança tem como características a irreversibilidade, isto é, a incapacidade de fazer mentalmente desvios e contornos, de chegar a ponto de partida por caminhos diversos. Observo também que muitos adultos não superaram esta fase, e tem dificuldade estrema de fazer a reversibilidade. Talvez estes fatores de não superação de algumas fases do desenvolvimento cognitivo piagetiano por parte desses adultos, explique a extrema dificuldade no aprendizado de matemática na sala de EJA, e discutido por Ortiz (2002). Seria bom você ler também alguma coisa sobre o sócio-interacionismo de Vygotsky. Talvez seja melhor você pegar algum livro sobre o tema na biblioteca, pois acredito que você pode ter a teoria melhor explicada do que em textos digitados. O sócio-interacionismo tem algumas diferenças em relação á teoria cognitiva de Piaget. Acho que você vai gostar de conhecer.

Bom, voltando a aula, a professora na parte final da segunda aula continua a o ensino de geometria, sobre a construção de ângulos usando o compasso. Apesar de esse assunto durar já três semanas, alguns alunos ainda tinham dificuldades na construção de ângulos maiores que 90° já outros já tinham facilidade e paciência em esperar os outros.

A grande novidade que encontrei nesta aula foi uma aluna de origem indígena, que veio do Xingu. Pelo que conversei com a professora, ela me relatou que esta aluna é praticamente uma copista e tem extrema dificuldade e aprender os conceitos de matemática.

Vou ler mais a respeito do tema, pois fiquei perdido e sem saber como lidar com uma aluna assim. É um tema muito interessante. Logo que você puder, compartilhe com a classe.

Depois seguimos para o segundo C, onde a professora passou uma lista com dois exercícios para entregar, e que eram para serem feitos em duplas.

Novamente observei a indisciplina de alunos no inicio da aula, onde eram generalizadas as conversas e brincadeiras com celular e capacetes. O foco era principalmente no fundo da sala, que se acalmou com o tempo que seguia a aula.

O fato curioso foi que a professora pediu para eles fazerem sozinhos os exercícios por um tempo, para só depois haverem ajuda dos monitores e da professora. Aconteceu que a professora saiu um tempo da sala e eu fiquei observando a turma, sem ajudar. Foi-me proposto que eu fizesse os exercícios para um grupo, enquanto um deles verificava se a professora vinha. Um deles tentou me intimidar, por ser mais alto. Eu recusei qualquer ajuda e forma de trapaça proposta por eles, alegando que eu não podia fazer nada, a pedidos da professora. Depois sim, mostre como era o raciocínio, mas eles não tinham a matéria copiada no caderno. Eram exercícios sobre aplicações do teorema de Pitágoras e de funções trigonométricas, relativamente simples, para que tinha o caderno com a matéria.

Após o intervalo seguimos para o primeiro C, com a professora Eliani, onde o tema da aula era: “Estudo da poluição do lago numa aula de matemática”.

A professora me relatou que este tema era trabalhado por todas as disciplinas na escola, onde eu percebi claramente a interdisciplinaridade,

A professora disse que seria uma aula diferente, e de fato foi.

O objetivo da aula era trazer a discussão sobre aquecimento global para a aula de matemática, usando a interdisciplinaridade. No caso da aula, era o uso de modelos matemáticos para entender a atuação de poluentes num lago e como isto afetaria a vida deles.

No começo da aula a professora distribuiu revistas e textos a respeito de meio ambiente, poluição, e temas afins. Os alunos leram os textos em silêncio e relativa ordem.

Quatro alunos tinham faltado na aula anterior e a professora os reuniu num grupo, que justamente era o foco da indisciplina da classe. A professora sentou com o grupo e explicou a atividade detalhadamente, e o grupo manteve ordem, mas apenas dois alunos dos quatro fizeram as atividades.

Assim, cada grupo lia os textos e faziam uma síntese do que entendiam.

Durante o decorrer da aula, um grupo pediu para que eu lesse o resumo deles, e observei excelente qualidade, com características de dissertação.

Ao observar a aula, procurei buscar relações com os textos lidos em sala de aula e encontrei estas ligadas a aula investigativa, retratada bem por João Pedro da Ponte. Também percebi que poderia haver relações com a metodologia de modelagem matemática, retratada por Dale Bem, e também com a pedagogia de projetos para o ensino interdisciplinar de matemática, de Bello e Bassoi.

Estes dois últimos temas eu não tinha visto ainda em sala de aula, mas tinha experiência da disciplina de modelagem matemática, vista no bacharelado em matemática, onde vi claramente que pode se estabelecer modelos matemáticos para a atuação de poluentes num lago, usando funções que era o tema que foi visto em sala de aula há pouco tempo. E os modelos matemáticos não são muito complexos para os alunos entenderem? Você poderia detalhar, no próximo diário?

Eu fiquei meio perdido, pois a minha principal intuição a respeito da metodologia usada na aula eu ainda veria depois.

Além do tema da aula, conversei com a professora sobre a revolta de alguns alunos mais velhos quanto a fazer as atividades propostas, e vi a impaciência, na vontade de pular etapas, mas muito participativo.

A professora disse que “os jovens se encaixavam no sistema” mais facilmente, e já “os mais velhos tinham impaciência e revolta”. Você procurou investigar por quê? As expectativas deles eram outras?

Ao final da aula, cada grupo nomeou um representante para ler a síntese feita sobre os textos lidos.

Percebi que os alunos entenderam bem a atividade, ate porque o tema é muito discutido na sociedade atual.



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