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DIÁRIO DE AULA – 14/05/07



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DIÁRIO DE AULA – 14/05/07

Ontem as duas primeiras aulas foram na 5a A, com a professora Fátima, onde o tema das aulas foi a respeito de ângulos.

Os dois colegas que ficam designados para fazerem estágio comigo não apareceram no horário. Depois eu soube que eles apareceram e queriam fazer estágio com a professora Fátima, porém a coordenadora não deixou estes assistirem aula, pois na 5a A já tinha eu como estagiário e a coordenação não queria três estagiários numa turma que era pequena.

O tema da aula foi ângulo: construção e classificação.

Ao ser feita a chamada no inicio da aula, percebi que já havia muitos alunos desistentes, permanecendo em torno de 15 a 20 alunos na classe. A professora comentou que estes alunos tinham muitas faltas e a coordenadora teve uma conversa com eles, onde se voltassem a freqüentar as aulas, eles teriam oportunidade de reposição e chance de serem aprovados, mas desta turma ninguém tinha voltado até ontem.

Aqui cabe uma reflexão sobre um tema em constante debate na sociedade atual, que é a evasão escolar. Neste caso, estamos falando de EJA noturno, onde se tem aluno bem mais velho, até idosos, onde todos devem trabalhar ligados a ainda a uma questão sócio-econômica que influencia bastante ao dificultar o tempo de estudo extraclasse e aliado há um tempo que tem que se dedicar à família, pois grande parte da turma é adulta até idosa. No caso especifico da quinta série, destaco um agravante, a meu ver, que é o tempo longe dos estudos, onde parece que tudo fica mais difícil, pois muitos conceitos que alunos regulares de quinta serie dominam bem, estes não vêem tais conceitos há décadas, o que pode desestimular o prosseguimento nos estudos, devido a uma relativa dificuldade maior em relação a outros alunos. Como você está pesquisando o tema da EJA, vá colocando nos próximos diários as suas reflexões, instigadas pela teoria.

Bem, sobre a aula em especifico, a professora começou revisando o uso do transferidor para construção e medição de ângulos. Logo no inicio ela deu um exemplo de aplicação de ângulos no relógio, tentando fazer uma conexão com a realidade, o que aparentemente facilitou a assimilação do conceito. Principalmente para trabalhar com alunos adultos, essa conexão é muito importante.

Após passaram-se a exercícios de medição e construção de alguns ângulos. Neste momento a professora passou a ajudá-los nas carteiras e eu também o fui. Notei a dificuldade de alguns alunos que estavam resolvendo os exercícios cegamente, sem questionar nada, e ao passo que eu fazia a perguntas sobre o entendimento, a primeira vista diziam que tinham entendido, mas depois perguntando como tinham resolvido, eles não sabiam como e nem porque, e pediam pra que eu explicasse novamente a teoria e os exercícios. Outras vezes eles não liam o enunciado dado, e iam fazendo automaticamente. Muitos alunos pensam que a Matemática não tem sentido. Precisamos romper isso.



A dificuldade que eu tive ontem na quinta série, pois lá tem um aluno considerado problemático pela professora e pela turma, que só foi ontem, e tinha faltado na semana passada. Ele deve ter entre 40 e 50 anos, e têm problemas mentais, pois a professora me relatou que ele era gari e teve um acidente, onde bateu a cabeça e ficou em coma por três meses. Agora ele está bem, mas ficou com problemas mentais.

Ninguém da turma tem paciência com ele, que é nervoso, fala o tempo todo, e sozinho, e meche com os outros alunos, provocando confusão. A professora me disse que o ignora, e  esperam que ele largue a escola. Eu discordo radicalmente dessa postura, mas também não saberia como lidar com um aluno assim na sala de aula. Não temos uma política adequada para lidar com esses problemas. Vocês como professores, devem tentar superar isso.

Ontem, o que eu fiz, foi dar atenção especial para ele, e notei que ele se acalmou um pouco, mas ficou abaixo do que eu desejava, pois eu não tive nenhuma orientação sobre como lidar com alunos com problemas mentais, e segundo a coordenação do curso de matemática, eu não vou ter durante o curso de licenciatura. Dependendo do problema, pode fugir à nossa competência. Neste caso, o jeito é fazer o que podemos, ou seja, dar uma atenção especial ao aluno.

Como eu discordo da postura da turma e da professora, mas não posso criticá-la, pois dificilmente ele teve preparação para lidar com alunos assim, o que posso fazer é me orientar melhor sobre o tema e tentar ajudá-lo de alguma forma, bem como passar alguma orientação para as pessoas que lidam com ele, e dar oportunidade para que ele possa aprender e seguir o curso. Concordo. Acho que você tem capacidade para fazer isso.

Logo depois, foram dados os conceitos de ângulo agudo, ângulo retângulo e ângulo obtuso.

Ao atender os alunos, notei que a dificuldade que eles tinham era que os conceitos não tinham nenhuma relação com a realidade, alem deles terem que decorar nomes estranhos. É por esse motivo que a Matemática fica sem sentido.

Ao final da aula, surgiu uma pergunte instigante: "O que é grau?".

A professora disse que: "É uma boa pergunta. Na próxima aula eu vou contar para vocês uma historinha, sobre como surgiu o grau". A meu ver, foi uma saída brilhante, ganhando tempo, sem demonstrar que não sabia a resposta da pergunta. Ainda bem que o professor não é obrigado a saber tudo.

Logo depois seguimos para o segundo C, onde o tema da aula era aplicação do teorema de Pitágoras.

A professora dividiu a turma em duplas e distribuiu uma folha para cada dupla contendo 4 exercícios básicos sobre o Teorema de Pitágoras.

A turma não ficou quieta, e nada do que a professora falava adiantava.

Praticamente o foco da indisciplinas era dois grupos de 3 alunos, que falavam alto, não ficavam sentados nas carteiras, e queriam falar de tudo, menos da aula. A característica peculiar desta turma, é que apesar de ser EJA, é formada por jovens e adolescente, onde se têm apenas um aluno mais velho.

Segundo a professora Fátima, a maioria dos alunos foi reprovada noutra escola e foram tentar recuperar no Militão. Em síntese, a professora considera estes alunos um “caso perdido”. Você acha que podemos considerar algum caso como perdido?

Revendo o texto A INDISCIPLINA E A ESCOLA ATUAL, de Julio Groppa Aquino, um conceito da teoria se encaixa perfeitamente com a realidade em sala de aula: “Eles (os professores) esboçam razões para a indisciplina, mas não apontam caminhos concretos para a sua superação ou administração.”

Aqui vou além, e questiono: Qual disciplina deseja-se conquistar? É o que exatamente Celso Antunes (professor e psicopedagogo) questiona em seu artigo “Qual disciplina deseja quem reclama da indisciplina?”.

Tentando responder a estas indagações, parece-me que os professores desejam uma disciplina militarizada, baseada no medo ou no respeito sem questionamentos, como na chamada escola das décadas de 60 e 70, durante a ditadura militar.

Observei os comentários dos professores durante o intervalo, onde eles apontavam quem era responsável pelo indisciplina em cada turma, e vendo que o problema não se atinha somente à aula de matemática, mas ocorria também em outras disciplinas.

Porém, uma das possíveis soluções é a de rever conceitos arraigados, ou seja, a sala de aula deve ser encarada como uma oportunidade de vivencia impar dessa profissão, e de certo modo, extraordinária.

Aqui vale uma última digressão minha a este respeito: Finalmente a indisciplina, pois já estava ficando preocupado com tanta ordem e empenho no aprendizado, conforme observado durante a quinta serie, pois no cotidiano de minha futura atuação profissional terei que enfrentar tal problemática, então que eu comece enfrentando isto agora, e com maior preparo e vivencia em sala de aula. Concordo. É um problema complexo, com muitas variáveis envolvidas. Mas você tem razão: A primeira questão sobre a qual precisamos refletir é: O que é indisciplina?

Agora, depois destas digressões, o que me resta para as próximas semanas é continuar observando o comportamento de professores e alunos.

Bem, voltando à sala de aula...

Assim que as duplas se formaram eu fui tirar dúvidas, revisar o teorema.

O grande problema que encontrei nestes alunos, a meu ver, é que queriam exercícios prontos, que eu fizesse tudo. Eles sempre foram acostumados a isso.

A minha postura foi explicar o teorema e montar o primeiro exercício, e mostrar que os outros eram semelhantes.

Percebi que o Teorema de Pitágoras tinha sido decorado cegamente e que não o tinham entendido, pois ouvi frases como: “É algo com oposto. O que é oposto?”. Já alguns grupos estavam montando os exercícios errados, pois estavam trocando catetos com hipotenusa.

Algo que eu observei foi o tipo de motivação que a professora usou para com os alunos, que foi a realização do ENEM no fim do ano e sua ajuda num vestibular. Os objetivos de curto prazo são largamente usados como motivação. Dessa forma, os objetivos reais ficam esquecidos.

Durante as próximas aulas, a professora irá entrar em trigonometria.

Já as duas últimas aulas foram no 1° C, com a professora Eliane.

De inicio o problema foi à indisciplina, mas agora o foco eram três alunos, que claramente enfrentavam a autoridade da professora e a ignoravam sempre. Logo estes alunos causaram revolta de outros, principalmente os mais velhos que queriam ordem para prestar atenção, como se fosse este um pré-requisito para o ensino. Refiro-me aos colegas e a professora, conforme analise do texto A INDISCIPLINA E A ESCOLA ATUAL.

Um detalhe que observei foi o linguajar destes alunos, como um psedoperiferia, pois não tinham tantos traços característicos de alunos de periferia.

Com pouco mais de meia hora a turma ficou relativamente quieta e os três alunos acalmaram-se, ficando conversando baixo no fundo da sala de aula.

O tema da aula foi funções do 1° grau, com funções crescentes, decrescentes e zero da função. De inicio foi revisada a aula anterior, com exemplos e gráficos, em detalhes, com bastante atenção por parte dos alunos, o que parece ter controlado parte da indisciplina, pois me pareceu à professora impôs respeito naturalmente, só com sua postura.

Também a professora estimulava a participação na aula, com perguntas freqüentes.

Depois, quando foram passados três exercícios para resolução, pareceu-me que alguns alunos começaram a fazer os exercícios de modo semelhante ao mostrado pela professora, não lendo o enunciado da questão, surgiram questões como: “É para fazer gráfico?”, sendo que o enunciado não dizia isto. Geralmente os alunos não são levados a ler nem a interpretar os textos dos problemas.

Os alunos mais velhos tinham mais dificuldade no aprendizado que professora estimulou os alunos

os mais jovens.

Durante a resolução dos exercícios, eu ajudei mais uma aluna ao meu lado, mais velha e que estava com dificuldades. Participei pouco da aula, pois foi bastante teoria, e devo ter ficando um pouco acanhado num ambiente hostil a primeira vista.

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