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Inclusão De Alunos Especiais Em Sala De Aula



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Inclusão De Alunos Especiais Em Sala De Aula.


Começamos fazendo uma pergunta básica: Afinal, quem são as pessoas com deficiência no Brasil?

São aquelas que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais, decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter temporário ou permanente. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde - O.M.S., 10% da população de todo país são constituídos por pessoas com algum tipo de deficiência.

Antes de passar a análise da inclusão dos alunos com necessidades especiais em sala de aula, vamos fazer um breve histórico a cerca do atendimento e da educação destas pessoas no Brasil.

A primeira iniciativa de que se tem registro no campo do atendimento às pessoas com deficiência no Brasil ocorreu em 1600, ainda no Brasil-Colônia e voltava-se para o atendimento do deficiente físico, em instituição especializada particular, localizada em São Paulo.

Após este momento houve uma interrupção nos serviços e só surgindo muito timidamente no século XIX a educação para deficientes de forma oficial, em 1854.

Em 1883, foi realizado o I Congresso de Instrução Pública no Brasil, onde constava a sugestão de currículos e formação de professor para atuar com pessoas cegas e surdas.

Com o fim do Império, mais uma interrupção ocorreu e a sociedade brasileira silenciou sobre a pessoa com deficiência, e o descaso pela educação era geral, os deficientes mentais se misturavam à população desescolarizada e os outros alunos com deficiência também ficaram à margem do processo educacional.

No inicio do século XX, entre as décadas de 30 e 50, surgiram às primeiras instituições para proteção dos direitos de pessoas com necessidades especiais com a Sociedade Pestalozzi e a Associação de Pais e Amigos do Excepcional – APAE.

Na década de 60 surgem inúmeras instituições tidas como educacionais de apoio, mas a escolaridade ainda não era prioridade.

Já em 1972 o Conselho Federal de Educação considerou a educação de excepcionais como uma linha de escolarização.

De forma simultânea a esse acontecimento, educadores envolvidos com a Educação Especial, a pedido do MEC, elaboraram o Projeto Prioritário n º 35 (específico da educação de alunos com deficiência), que foi incluído no Plano Setorial de Educação e Cultura do Governo Federal – 1972-1974, e procurou garantir à tão desejada igualdade de oportunidades de acesso à educação a todos os excepcionais e oferecendo-lhes, ao mesmo tempo, as condições ideais para o seu atendimento.



Passando agora às políticas que subsidiam a inclusão de alunos especiais, é comum a afirmação de que o professor é o único responsável pelo sucesso ou fracasso destes alunos, o que é um erro. Então, por este motivo, é sugerida a constituição de uma equipe interdisciplinar, que permita pensar o trabalho educativo desde os diversos campos do conhecimento, é fundamental para compor uma prática inclusiva junto ao professor, mas não pode se restringir a somente este papel, pois assim estes alunos ficariam marcados como problemáticos.

Já outras metodologias sugerem a individualização da aprendizagem, e tem como justificativa a diferenças dos alunos e o respeito à individualidade, mas pode acabar reforçando a exclusão.

A separação entre a aprendizagem e a integração social é artificial, pois sabemos que estes dois fatores são indissociáveis: fazer parte de um grupo implica compartilhar interesses e aprendizagens feitas no mesmo.

Uma proposta educativa que não esteja atenta a tais questões apenas cristaliza a diferença do aluno com deficiência dentro da sala regular e reforça a sua exclusão, ainda que compartilhe o mesmo espaço físico que os outros.

Então, uma importante ampliação da discussão sobre os caminhos das políticas públicas para a inclusão escolar seria a consideração do contexto em que se pretende uma sociedade inclusiva.

Sabemos que as instituições educacionais, organizadas para estabelecer modelos de relações sociais, reproduzem com eficiência a lógica das sociedades, e assim também seguindo este raciocínio, a escola não foi concebida para ser inclusiva, mas para ser instrumento de seleção e capacitação dos “mais aptos” a uma boa conduta social.

O campo da inclusão, entretanto, fundamenta-se na concepção de diferenças, onde diferentes sujeitos acessem a mesma política. Mas, então como não torná-la, um novo instrumento de classificação, reduzindo os sujeitos a marcas mais ou menos de uma síndrome, deficiência ou doença mental?

Um possível recurso de que poderia se lançar mão neste sentido seria o de uma lógica que oferecesse elementos de processualidade ao longo deste trajeto. Pelo simples fato de se tratar, não somente em discurso, mas na prática cotidiana, de uma rede de relações no trabalho educativo que estão instituídas há séculos e que se repetem como naturais e definitivas. É por dentro desta lógica que uma política tem de se instaurar.

Apesar dos avanços, a integração de alunos com deficiência não tem conseguido transformar a cultura das escolas de modo significativo. Certas fragilidades implícitas no enfoque da integração para alcançar uma educação verdadeiramente inclusiva, que integre a diversidade e proporcione aprendizagens de qualidade a todos os alunos são:

• A integração tem sido centralizada basicamente no coletivo de alunos com necessidades educacionais especiais derivadas de deficiências.
• No geral, o enfoque da educação especial tem sido deslocado para a escola comum.
• Os processos de integração têm se centrado mais na atenção individualizada aos estudantes integrados, do que em transformar os processos educacionais e a organização das escolas e as aulas
• Provisão de recursos adicionais apenas para as crianças integradas.
• Maior ênfase no processo de socialização e integração.
Dentre as dificuldades encontradas para a sustentação de um processo de inclusão escolar, os casos de deficiência mental apresentam especial complexidade que merece ser destacada.

Sabemos também que, nesses casos, a educação pode ser terapêutica, principalmente se realizada desde os primeiros anos de vida. Preservando e reforçando os laços sociais e as experiências de aprendizagem, desde a primeira infância, é muito mais provável que estas crianças consigam desenvolver sua capacidade intelectual. Por isso é necessário enfatizar ainda mais as possibilidades de inclusão escolar desde a educação infantil.

Outro problema que encontramos nas escolas são os professores inseguros diante da implantação da proposta de inclusão. Afirmam que não recebem orientações para assumir a sala, que não se encontram preparados para tal, que não foram consultados a respeito da implantação destas classes, mas que, mesmo assim, querem fazer alguma coisa pelos alunos inclusos, apesar de não saber como.

As soluções encontradas por esses professores têm sido as mais diferentes possíveis:
• Há professores que trabalham com atividades pedagógicas completamente diferenciadas num mesmo ambiente escolar, tendo em vista as diferenças em sala de aula, acreditando que este é o melhor caminho a seguir.
• Há professores que parecem ignorar a presença dos alunos com necessidade especiais, sempre aguardando os profissionais do ensino especial para resolver seus problemas, eximindo-se da responsabilidade de ensinar todos os alunos de sua sala, indistintamente.
• Professores que transferem os seus alunos com deficiência para outras classes, de forma extra-oficial, acreditando que, longe do ambiente regular, eles estarão bem assistidos, mas os mantêm oficialmente matriculados em suas turmas.
Alguns professores assumem posturas paternalistas, por acreditar que os alunos especiais se beneficiam muito pouco das atividades pedagógicas nas suas salas.
• Outros professores adotam uma prática pedagógica tradicional, com atitudes rigorosas e autoritárias, não dando espaço para que os alunos com deficiência possam participar das aulas.
• Há professores que, apesar de desenvolverem atividades interessantes com todos os alunos, não acreditam no potencial dos alunos com necessidades especiais, transformando-os em “ajudantes da turma”, com tarefas não ligadas ao ensino.

Assim, apesar da boa vontade de muitos dos professores, os alunos, em geral, precisam muito mais do que estão lhes oferecendo. Na verdade, a maioria das escolas continua sendo paternalistas/ assistencialistas, avançando muito pouco na direção do que uma proposta de inclusão prescreve, ou seja, um ensino de qualidade e aberto às diferenças.






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