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As bases da organização curricular



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As bases da organização curricular


3.1. Componentes Curriculares

O professor é um profissional que está sempre se fazendo. A formação encontra-se entre os fatores ou contextos decisivos na constituição de sua identidade profissional. Ela assegura-lhe saberes constituidores das “maneiras” como ele se faz e refaz, dialeticamente, como profissional (FARIAS, SALES, BRAGA e FRANÇA, 2008). Para Saviani (1996) é a prática educativa em sua intencionalidade o elemento definidor dos saberes implicados na formação e, por conseguinte, no desenvolvimento do trabalho do professor. Tal entendimento decorre da premissa de que o professor não trabalha com matéria inerte, mas, sim, que ele atua sobre e com pessoas. Seu trabalho é constituído de relações humanas, se caracteriza por sua natureza interativa e simbólica.

Tomando como referência as formulações nacionais e internacionais, destacamos a categorização de Saviani (1996), Pimenta (1999), Therrien (1996), Tardif, Lessard e Lahaye (1991) e Gauthier (1998) sobre os saberes da docência. Considerando as tipologias organizadas por estes autores e suas correlações, os componentes curriculares desta proposta formativa buscou articulá-los em três núcleos: contextual, estrutural e integrador.

O núcleo contextual destina-se à “formação científica ou cultivada” dos docentes. Contempla, por um lado, saberes que reportam a conhecimentos que “não auxiliam diretamente o docente a ensinar, mas o informam a respeito das várias facetas ligadas à sua ocupação ou à educação em geral” (GAUTHIER, 1998, p. 07). São informações específicas sobre o objeto de sua atividade profissional, tais como noções sobre a escola (sua estrutura administrativa, pedagógica, política), a evolução da educação na sociedade, o desenvolvimento da criança e o processo de aprendizagem, entre outras. Trata-se de saberes produzidos pelas ciências humanas e ciências da educação que encontram no ensino e nos docentes objetos de estudo.

Por outro lado, abrange saberes constituídos por “doutrinas ou concepções produzidas por reflexões sobre a prática educativa [...] reflexões racionais e normativas que conduzem a sistemas, mais ou menos coerentes, de representações e de orientações da prática educativa”, denominadas de saberes pedagógicos (TARDIF, LESSARD e LAHAYE, 1991, p. 219). Tais saberes, reconhecidos por Saviani (1996) e Pimenta (1999), são responsáveis tanto pelo fornecimento de um “arcabouço ideológico” à atividade docente quanto por “formas de saber-fazer e técnico”. Como afirma Saviani (1996, p. 149), ao identificar os saberes pedagógicos, “eles fornecem a base de construção [...] na qual se define a identidade do educador como profissional distinto dos demais profissionais”.

Os componentes curriculares do núcleo contextual fornecem elementos para que os alunos possam refletir sobre a sociedade, a cultura e a educação. Também oportunizam uma reflexão sobre a construção do saber direcionada para uma análise sistemática a respeito da realidade humana e social e de suas implicações na ação educativa. Ele, portanto, busca favorecer a identificação das abordagens filosófica, histórica, sociológica, psicológica e epistemológica que facilitam a compreensão das diferentes interpretações do fenômeno educativo em suas múltiplas dimensões, propiciando o repensar da prática pedagógica numa perspectiva transformadora.

O núcleo estrutural corresponde ao saber disciplinar e curricular. O primeiro, produzido pelas diferentes áreas do conhecimento, configura-se nas ‘disciplinas’ características da educação básica (tais como Matemática, Português, Literatura, Física, Química, etc.). Os saberes disciplinares, nomeados por Saviani (1996) como “saberes específicos”, não são produzidos pelo docente, mas este retira daí o saber necessário ao ensino. Este fato se expressa, concretamente, pela assertiva quase universal de que para ensinar é preciso “conhecer a matéria”, pois “ensinar exige um conhecimento do conteúdo a ser transmitido, visto que, evidentemente, não se pode ensinar algo cujo conteúdo não se domina” (GAUTHIER, 1998, p. 06).

O saber curricular, por sua vez, representa o corpus de saber organizado pelos programas escolares, isto é, corresponde “aos discursos, objetivos, conteúdos e métodos, a partir dos quais a instituição escolar categoriza e apresenta os saberes sociais que ela definiu e selecionou como modelo da cultura erudita e de formação na cultura erudita” (TARDIF, LESSARD e LAHAYE, 1991, p. 220). É este saber que orienta o planejamento e a avaliação das atividades na sala de aula na medida em que define os fins educativos a atingir. Nesse sentido, compreende “às formas de organização e realização da atividade educativa no âmbito da relação educador-educando”, recorrendo a Saviani (1996, p. 149) ao denominá-lo de “saber didático-curricular”. São saberes incorporados pelo docente tanto no decorrer de sua formação quanto de sua integração à atividade de ensino.

O núcleo integrador visa concretizar as diferentes perspectivas teóricas em forma de pesquisa e prática de ensino. Este núcleo possibilita um maior dinamismo curricular, garantindo a articulação teoria-prática e levando os alunos a refletir sobre as questões relacionadas ao fenômeno educativo, ao projeto político-pedagógico da escola e às ações pedagógicas desenvolvidas no cotidiano de sua prática docente. Nele, os diferentes saberes da docência são mobilizados, vivificando o saber da experiência. Este concebido como “um conjunto de saberes, de representações a partir das quais os docentes interpretam, compreendem e orientam sua profissão e sua prática quotidiana em todas as suas dimensões” (TARDIF, LESSARD e LAHAYE, 1991). O saber da experiência é oriundo “da” e “pela” prática. Therrien (1996, p.14) o caracteriza como um “saber adquirido em situação”, num “contexto de interação” e cunhado por uma dimensão “subjetiva e coletiva” no seu processo de elaboração. Esse saber é amadurecido no quadro contingente e complexo que envolve a docência e seu processo de formação.

Os três núcleos e seus respectivos componentes curriculares podem ser visualizados no Quadro A:





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