Um pouco de história: o despertar para a questão


A aproximação com os sujeitos da pesquisa: os alunos do curso de Pedagogia



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3.3. A aproximação com os sujeitos da pesquisa: os alunos do curso de Pedagogia
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra


no meio do caminho tinha uma pedra.



Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra


tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade


Não é novidade que um dos grandes problemas enfrentados por pesquisadores que se destinam a compreender a formação e/ou a prática de professores é a definição dos sujeitos. Esta foi a inquietação que me acompanhou durante todo o ano de 2006, enquanto ainda realizava o Estudo-Piloto de minha pesquisa.

Quem seriam meus sujeitos? Apenas aqueles alunos que utilizavam o infocentro ou também aqueles que, pelos mais diversos motivos, jamais o freqüentaram? Como os encontraria? Como me aproximaria deles? Existiriam interessados em participar de minha pesquisa?

Estes eram questionamentos que tornavam-se ainda mais angustiantes com o desenrolar da pesquisa. Conforme conhecia a dinâmica de funcionamento do infocentro e analisava suas fichas de acesso, ainda no Estudo-Piloto, percebia a pequena procura dos alunos do curso de Pedagogia, para o qual pretendia focar meu olhar.

Incomodava-me o fato daqueles alunos que, na pesquisa de Fernandes (2005), reivindicavam por um local em que pudessem utilizar o computador/internet e que agora, com esse recurso ao seu alcance, cediam espaço para uma maior utilização dos alunos da Comunicação.

Qual seria o motivo desta invisibilidade do infocentro para grande parte dos alunos da Pedagogia? E por quê, para alunos da Comunicação, este ambiente assumia uma invisibilidade diferente, uma invisibilidade no sentido proposto por Salvat (2000)? Qual seria a diferença entre esses dois cursos, que levariam a atitudes tão diferentes por parte de seus alunos?

Ao analisar as fichas de acesso do infocentro e visualizar o pequeno índice de utilização do infocentro pelos alunos da Pedagogia, várias vezes questionei a validade de minha pesquisa. Não faria sentido buscar compreender as implicações que a implantação do infocentro traz para a formação inicial do professor se os alunos deste curso simplesmente não o utilizam.

Munida por esta preocupação e sabendo da inexistência de uma divulgação sobre a existência do infocentro, ainda no início de 2006 elaborei cartazes que informavam sobre a sua localização e seu horário de funcionamento28. Estes cartazes foram pregados nos murais das salas de aula da Faculdade de Educação, após breve esclarecimento sobre os mesmos junto aos alunos. Porém, como é possível notar através das fichas de acesso, ter percorrido estas salas, apresentando o infocentro, não aumentou a freqüência dos discentes à este ambiente. Ao contrário, a procura gradativamente perdia força no decorrer dos três períodos observados.

A partir desta constatação e do referencial teórico-metodológico adotado, a possibilidade de trabalhar com alunos do curso de Pedagogia que não utilizavam o infocentro passou a ser analisada, visando realizar também uma conscientização sobre o potencial do computador/internet em sua formação inicial, em busca de uma transformação na visão que tinham sobre tais instrumentos.

Mas como estes alunos seriam encontrados? Como descobriria os alunos que utilizavam (ou não) o infocentro? Como me aproximaria deles?

Foi assim que surgiu a idéia de elaboração de um edital29 para seleção dos alunos interessados em participar desta pesquisa. Nele continha, ainda, a informação de que, ao final da pesquisa, seria emitido um certificado para aqueles que dela participassem.

Este edital foi elaborado e pregado nos quadros da Faculdade de Educação no dia sete de maio de 2007, acreditando que até o dia quinze de maio a seleção poderia ser realizada. Contudo, em função de um evento que aconteceu nesta instituição de ensino, as aulas foram suspensas para que todos os alunos pudessem participar do mesmo, impossibilitando que grande parte deles tomasse conhecimento deste edital. Diante disso, até o dia quatorze de maio haviam apenas dois alunos inscritos, o que me obrigou a prorrogar o prazo de inscrição para o dia dezesseis de maio, realizando a seleção no dia dezessete. Contudo, desta vez passei em todas as salas, pedindo licença aos professores para informar sobre o edital. Expliquei ainda, que a participação se efetivaria através de discussões a serem realizadas em grupo, contando com a carga horária de apenas uma hora semanal.

A recepção no turno noturno foi desanimadora. Rostos desconfiados e desinteressados me olhavam; professores que pareciam incomodados com a minha presença por estar interrompendo suas aulas. Nenhuma pergunta, nenhuma dúvida, praticamente nenhuma procura.

Na parte da manhã os olhares pareciam menos distantes, menos temerosos. Contudo, a reação da maioria dos professores foi a mesma. Exceto uma docente, minha professora em tempos atrás, destacou-se perante os demais. Sentou-se para ouvir o que tinha a dizer; pediu que explicasse melhor meu objetivo com esta pesquisa, a maneira que pretendia atingi-lo e como aqueles alunos poderiam contribuir. Os alunos, ainda no primeiro período, pareciam esboçar um olhar curioso, principalmente após as indagações da professora. Por fim, o conselho: ultrapassar os ensinamentos da sala de aula, ultrapassar a simples relação professor/aluno, buscar engajar-se em alguma pesquisa, participar de grupos de estudo, ir além. A participação em minha pesquisa, segundo esta docente, seria um início.

O resultado? Quinze inscritos. Treze do período da manhã e apenas dois do período noturno. Deste total, oito eram alunos do primeiro período. Diante disso, não resta dúvidas do quanto falta à esses alunos, professores que os incentivem, que divulguem pesquisas, que orientem onde e como buscar algo além da simples transmissão de conteúdos que muitas vezes é efetivada entre as quatro paredes da sala de aula.

Assim, no dia dezessete de maio encontrei com os alunos inscritos (exceto duas, que não compareceram e desistiram de participar da pesquisa), explicitando os objetivos da pesquisa, a importância de uma participação efetiva e comprometida, a possibilidade de filmagem, etc. Apresentei, neste momento, o termo de compromisso30, que continha os aspectos citados acima. Este, na realidade, tornou-se um encontro para realizar algumas negociações. Ainda neste dia, pude notar o interesse dos alunos ali presentes, explicitando o desejo de leituras sobre o assunto e re-agendamento dos encontros quando algum outro compromisso coincidisse com nossos horários.

A idéia inicial para a concretização do campo era trabalhar com dois grupos: um com oito alunos do curso de Pedagogia noturno e outro com oito alunos do diurno. Porém, pela pequena procura dos alunos do curso da noite e grande procura dos alunos da manhã, optei por realizar dois grupos, ambos no horário das onze horas, sendo um na segunda-feira e outro na quinta-feira. Em função disso, uma das alunas inscritas (estudante do período noturno) não pôde participar, já que seu único horário disponível era na parte da noite. Outra (também aluna do noturno) esteve presente no dia da seleção e, depois, apenas no segundo encontro, também em função da incompatibilidade de horários. Uma terceira aluna ainda, no primeiro dia efetivo de nossos encontros e apesar de não ter se inscrito nem participado da seleção, pediu para participar de nossos encontros, passando a compor o grupo de segunda-feira pelo incentivo de seus amigos.




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