Um pouco de história: o despertar para a questão



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Mirella: Então despertou um pouco a sua atenção para esse assunto também!?

Gilberto: Para usar também, na educação. Que é o nosso curso, a nossa tarefa.

Daniele: É, para mim também. Despertou agora para eu usar na minha prática, sabe? Eu vou usar na escola agora... como que eu posso trabalhar com os meus alunos? Começo a pensar nisso (...) Antes eu não tinha parado para pensar na importância que tem. Agora eu penso no que ele pode contribuir para melhorar as aulas.

(...)

Roberta: Despertou mais o interesse pela internet, sabe?

Mirella: Você não tinha muito interesse, né!? Por que começa esse interesse? O que você acha que mudou?

Roberta: Não seria nem tanto interesse, mais necessidade mesmo.

Raquel: Acho que a gente começa com a necessidade... e você começa a mexer na internet, você vai vendo que ela te dá tantas possibilidades que você acaba tendo muito interesse por ela.

(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 04 de julho de 2007 – Grupo 01).

É possível notar, diante disso, que os alunos começam a se aproximar do computador/internet de forma a expandir a utilização efetivada anteriormente, basicamente restrita ao lazer e à digitação de trabalhos. As mudanças voltam-se mais para o Ensino Fundamental e para suas práticas pedagógicas, mas já noto um movimento inicial de reflexão sobre um assunto que praticamente não era pensado anteriormente.

Percebo ainda, que no desenrolar desta pesquisa, minha visão também era constantemente reformulada. Entrava em conflito com diversas vozes, questionava-as, refletia sobre elas, colocava-me no lugar do outro, reformulava minha opinião. Isso porque, nas palavras de Lèvy (1996, p. 37):
escutar, olhar, ler equivale finalmente a constituir-se. Na abertura ao esforço de significação que vem do outro, trabalhando, esburacando, amarrotando, recortando o texto, incorporando-o em nós, destruindo-o, contribuímos para erigir a paisagem do sentido que a habita. O texto serve aqui de vetor, de suporte ou de pretexto à atualização de nosso próprio espaço mental.
Assim, através das entrevistas individuais com os gestores do infocentro, compreendi e aceitei várias atitudes e posicionamentos. Conversei com muitos alunos ainda no Estudo-Piloto, ajudei alguns a entender melhor as “políticas” do infocentro e reconstruir sua opinião. Entrevistei os bolsistas, que também são alunos, e consegui me colocar melhor no lugar dos discentes. Trabalhei com alguns alunos dos cursos de Pedagogia da UFJF e, juntos, reformulávamos nossa opinião a respeito do infocentro. O meu conhecimento e o desses alunos iam sendo construídos a partir do diálogo e da relação estabelecida entre nós.

Da mesma forma, ao retomar as gravações/filmagens, as transcrições de fita e as notas de campo de nossos encontros, rememorava as reflexões oriundas de cada tema e os sentimentos por eles despertados. Esse retorno representava uma “atualização” (LÈVY, 1996) do que havia sido vivenciado, uma (re)interpretação e uma nova compreensão.

Neste momento, as relações com os textos de teóricos sobre o assunto faziam-se ainda mais presentes. Os autores ajudavam-me a desdobrar e compreender melhor os sentidos daqueles acontecimentos, daquelas falas. Ao mesmo tempo, o que foi por nós vivenciado iluminava e contextualizava meu entendimento sobre os textos lidos.

Por isso, não foram apenas as falas dos alunos do curso de Pedagogia da UFJF que se fizeram importantes. Como destaca Lèvy (1996, p. 36), “não é mais a unidade do texto que está em jogo, mas a construção de si, construção sempre a refazer, inacabada. Não é mais o sentido do texto que nos ocupa, mas a direção e elaboração de nosso pensamento, a precisão de nossa imagem do mundo”. Diante disso, Lèvy (1996) acredita que o texto inicial em si não existe. Ao ser “atualizado”, o que resta são interpretações, compreensões, estabelecimento de relações e, por isso, a construção de um novo texto, diferente daquele inicial, embora muitas vezes baseado nele.

Foi desta maneira que minha dissertação foi construída. Aqui encontra-se a minha visão sobre o infocentro. Uma visão que é permeada pelas minhas crenças, vivências e opiniões; pelas vozes dos sujeitos dessa pesquisa; pelos textos de teóricos que abordam as Tecnologias da Informação e da Comunicação; e pelas idéias de pesquisa e sociedade propostas por Bakhtin e Vygotsky. Portanto, pode ser diferente da visão de possíveis leitores deste texto. Esta é apenas uma “atualização” das tantas possíveis de serem feitas.

É uma visão que se materializa, no conceito de Bakhtin, em um olhar exotópico. Ao olhar de fora, pude vislumbrar aspectos até então despercebidos por aqueles que se encontram mais envolvidos com o infocentro – gestores, bolsistas e alunos, por freqüentarem esse ambiente – e, com a minha contrapalavra, acredito ter despertado um movimento de reflexão sobre a realidade do infocentro e sobre o computador/internet, seja nas escolas ou nas Universidades.

Este trabalho possibilitou-me, ainda, uma compreensão do infocentro e dos sentidos à ele atribuídos por alunos do curso de Pedagogia da UFJF. Trabalhar com questões que envolvam o computador/internet em sua relação com a educação torna-se importante por ser este um assunto ainda pouco explorado. Percebo ainda mais, a importância de se preocupar com as implicações que ambientes como os infocentros podem trazer para a formação inicial de professores, tema sobre o qual inexistem trabalhos.

Como uma iniciativa recente, mas que vem sendo amplamente difundida, as Universidades estão se equipando de maquinário com o fim de minimizar a exclusão digital. Esse é o caso da UFJF e percebo que muitos alunos começam a se aproximar de instrumentos como o computador/internet por meio destes ambientes. Apesar de todas as críticas feitas, os discentes também apontam os aspectos positivos deste local. Uma das mudanças trazidas é a aproximação, ainda que tímida e restrita, dos alunos com o computador/internet:


Mônica: Outra coisa em relação à importância do Infocentro... eu vi muita gente o ano passado, da minha sala, não sabia mexer no computador. Então ia todo mundo para o Infocentro... eu acho que incentiva a pessoa, eu acho que ela vê a importância da informática. A metade da minha turma não tinha nem e-mail. Então depois que começou a freqüentar o Infocentro, ver as pessoas freqüentando, então elas começaram a criar e-mail. Então uma pessoa no ano passado, quando começou e hoje, quanto que ela já sabe mexer? Ela foi basicamente obrigada a saber, porque se a Universidade está disponibilizando isso...


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