Um pouco de história: o despertar para a questão


O Estudo-Piloto: de detrás das lentes para a frente das câmeras



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3.2 O Estudo-Piloto: de detrás das lentes para a frente das câmeras.

Dentro de uma pesquisa, é imprescindível pensar de que maneira iremos ao encontro de respostas às perguntas que nos inquietam. É importante termos em mente quais são os caminhos a percorrer em busca dos nossos objetivos. É indispensável conhecermos nosso campo de pesquisa, nossos sujeitos e estarmos cientes da maneira que pretendemos com eles dial-+ogar e olhar para os eventos vivenciados.

Após participar da pesquisa de Fernandes (2005), relatada na introdução deste trabalho, foi possível entrever a necessidade de um ambiente que disponibilizasse aos alunos do curso de Pedagogia, o acesso à computadores conectados à internet. Essa necessidade é apontada pelos próprios discentes deste curso, que revelam também, a partir de suas falas, a falta de reflexões no que tange a estes instrumentos no decorrer de seu processo de formação inicial.

A implantação de infocentros na Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – no final do ano de 2005 parece ser o primeiro passo para reverter esse quadro. Assim, interessei-me em fazer do infocentro implantado entre as faculdades de Comunicação, Educação, Economia/Administração, meu campo de pesquisa. Esta implantação pode abrir novas perspectivas de trabalho, apontadas na pesquisa de Fernandes (2005).

Sinto-me prosseguindo seu trabalho, dando continuidade à sua pesquisa, que iniciei enquanto bolsista de Iniciação Científica. Contudo, agora deixo de ser co-pesquisadora, saio de detrás das lentes da filmadora, deixo de compreender os eventos através dela (filmadora). Assumo o papel de pesquisadora, assumo as responsabilidades desta pesquisa, transponho-me para a frente da câmera, a frente de suas lentes. Novos olhares se configuram, novas atitudes, novas compreensões.

Nem tudo é novo. Como bolsista de Iniciação Científica, iniciei um processo de familiarização com o fazer pesquisa. Sinto-me próxima da escrita de notas de campo, das transcrições de fitas, das reflexões sobre o campo. Mas o ato de passar para a frente das câmeras não constitui-se apenas disso. Portar-me enquanto pesquisadora, assumir a responsabilidade pela condução das entrevistas, observações e análises gera certo receio. Receio este que parece se dispersar com o desenrolar da pesquisa.

A questão que pretendo responder é formulada da seguinte maneira:

Como alunos do curso de Pedagogia estão utilizando o infocentro recém implantado entre as Faculdades de Educação, Comunicação, Economia/Administração da Universidade Federal de Juiz de Fora e como este uso está se refletindo em sua formação inicial no que se refere ao seu processo de aprendizagem e na sua preparação para a docência?

Orientada por esta questão, senti a importância de realizar um trabalho inicial visando conhecer o infocentro em seu processo de implantação: seus fundamentos político-pedagógicos, sua estrutura e seu funcionamento. Tornou-se, então, necessário a realização de um Estudo Piloto, buscando os sujeitos envolvidos nesse processo e focalizando, de forma específica, o infocentro e sua dinâmica.

Iniciei esse trabalho junto ao infocentro através de observações realizadas dentro deste ambiente. Observações que não exigiam de mim um olhar neutro, sem interferências, sem diálogo. Observações que na maioria das vezes tornaram-se conversas, ainda que informais, com os alunos que freqüentam o local em questão.

Porém, esta inserção no campo de pesquisa passou por algumas dificuldades. Primeiramente, porque não houve uma divulgação da abertura do infocentro e, posteriormente, pela insegurança que estar “na frente das câmeras” pode causar.

Em relação ao primeiro aspecto, acredito que um dos agravantes para que esta divulgação se concretizasse tenha sido a greve que aconteceu na Universidade Federal de Juiz de Fora, fazendo com que este local fosse inaugurado tão logo suas obras terminaram, mas não fosse realmente implantado para o efetivo uso dos alunos, esperando que as aulas retornassem. Enquanto houve greve, portanto, os computadores e todos os equipamentos dispostos no infocentro ficaram trancados.

Ansiosa pelo início do trabalho de campo e pelo acompanhamento do processo de implantação do infocentro, só tomei conhecimento de sua abertura a partir de um e-mail da direção da Faculdade de Educação para Maria Teresa de Assunção Freitas, professora da graduação e pós-graduação desta unidade, que rapidamente o repassou à mim.

Contudo, mesmo após esta informação, o fato do infocentro ainda não funcionar todos os horários adiou meu ingresso no campo. Inicialmente, funcionava de 12:00 às 16:00 e de 18:00 às 22:0022, o que dava a impressão, para as pessoas que só freqüentam a faculdade na parte da manhã, de que ele ainda não estava aberto para uso. Em razão disto, minha primeira visita ao infocentro só aconteceu dia trinta de janeiro, vinte dias após sua abertura (10 de janeiro de 2006).

No primeiro dia de contato com o infocentro, busquei conversar com o bolsista responsável para entender melhor seu funcionamento. Porém, como todos os presentes estavam assentados em frente ao computador e não manifestaram nenhuma reação com a minha chegada, não foi tão simples identificá-lo. Diante disso, destinei-me a utilizar o computador enquanto olhava, de onde estava, as páginas visitadas pelos alunos que ali se encontravam e enquanto esperava alguma atitude que me levasse a identificar o bolsista, no caso, responsável pelo turno da tarde. Identificado o aluno André23, do curso de comunicação noturno, como bolsista, entrei em contato com ele. André me revelou o dia correto de abertura do infocentro, seu horário de funcionamento, a função dos bolsistas (orientar os usuários para o uso do computador) e o treinamento que receberam para exercê-la, além do processo de seleção para a aquisição da bolsa. Janaína, aluna do curso de medicina e bolsista no período noturno, por sua vez, complementou as idéias expostas por André. Assim, esta primeira observação se configurou no conhecimento do campo a ser pesquisado, compreendendo um pouco sua estrutura e funcionamento.

A segunda dificuldade encontrada no que tange ao campo de pesquisa relaciona-se com características minhas. Extremamente tímida e considerando-me ainda inexperiente na arte de fazer pesquisa, passei a temer minha aproximação com os alunos. Temia ser inconveniente, atrapalhar ou não ser bem recebida por aqueles com os quais conversaria. Temia não fazer as perguntas certas, nos momentos oportunos. Temia deixar passar despercebido algum aspecto importante. Temor que foi sendo superado gradativamente, de acordo com minha inserção no infocentro e no fazer pesquisa em si. Afinal, para acompanhar o processo de implantação do infocentro, nada melhor que estar dentro dele, compreendendo o uso que os alunos fazem do mesmo através de suas falas e de suas atitudes, muitas vezes evidenciadas na tela do computador, que exibe a atividade que estão desenvolvendo.

Sete foram as observações realizadas no período entre 30 de janeiro a 20 de março de 2006, antes do término do período letivo da Universidade Federal de Juiz de Fora, alterado devido à greve. Nos dois primeiros dias, destinei-me a observar as práticas experienciadas pelos alunos com o suporte do computador/internet dentro do infocentro, sem ter o intuito de iniciar qualquer conversa. Foi no terceiro dia de observação que me aproximei dos alunos buscando aspectos que pretendia melhor compreender, como o que pensam a respeito do infocentro, com que freqüência e finalidade o utilizam. Estas seriam questões que me dariam um panorama geral da visão que os alunos têm do infocentro e serviriam de base para minha aproximação junto aos mesmos.

Deste modo, foi possível iniciar um processo de compreensão a respeito do uso que alunos da Universidade Federal de Juiz de Fora fazem do infocentro instalado entre as Faculdades de Comunicação, Economia/Administração e Educação. Conhecendo melhor seu funcionamento percebi, nas fichas de acesso que os alunos preenchem ao entrar neste local, uma oportunidade de obter dados quantitativos a respeito da utilização do infocentro, como os cursos que mais o usam e a freqüência diária e semanal do infocentro24.

Para tal, precisei entrar em contato com os bolsistas, pessoal responsável pelo funcionamento do infocentro e coordenadora geral do projeto. Após conversar com a coordenadora, professora Fernanda Campos25, (que comunicou sua permissão à Diogo Carneiro, que por sua vez a repassou aos bolsistas), esses documentos foram à mim disponibilizados para xerox.

Depois das sete observações realizadas, em conjunto com o diálogo estabelecido junto aos alunos, senti a necessidade de buscar maiores informações sobre a estruturação do projeto: compreender cada escolha realizada, cada decisão tomada para sua implantação; compreender em que contexto seu projeto foi idealizado, com que objetivos e finalidades. Para isso, uma entrevista com as pessoas que conhecessem todo esse processo seria indispensável.

Em conversa com Diogo Carneiro, ainda para a obtenção das fichas de acesso para o xerox, expus o desejo de encontrá-lo para uma entrevista e, sempre disposto, demonstrou-se aberto e receptivo. Assim, no dia 10 de abril de 2006 entrei em contato com ele, agendando para o dia 11 de abril um horário para nossa entrevista, que foi muito esclarecedora a respeito dos pontos levantados pelos alunos nas conversas travadas no interior do infocentro.

Contudo, Diogo Carneiro esteve na UFJF em Agosto de 2005, para fazer a instalação física das máquinas, retornando apenas em janeiro de 2006, o que faz com que não esteja a par de todo o processo de implantação do infocentro. Desta maneira, importante se fez uma entrevista também com a professora Fernanda Campos, que além de ter vivenciado e presenciado todo o desenrolar do projeto do infocentro (da escrita à implantação) era, na época, como coordenadora do Núcleo de Educação a Distância – NEAD –, a maior responsável por ele.

Todavia, em função de seus inúmeros compromissos, o agendamento de um horário com ela não foi tão simples quanto com Diogo Carneiro. Ao entrar em contato com ela, ainda por telefone, esclareci sobre minha pesquisa e solicitei o encaminhamento do projeto do infocentro26, demonstrando meu interesse de realizar uma entrevista com ela. Após oito dias (dia 19 de maio) desse primeiro contato consegui marcar um horário no dia 24 de maio de 2006, dia em que a professora também me disponibilizou uma versão inicial do projeto do infocentro.

Durante esse processo de tentativas para marcar uma entrevista com a professora Fernanda Campos e após a conversa com Diogo Carneiro, retornei ao infocentro no dia 09 de maio de 2006, para mais uma observação. Observação esta, que tomou um caráter bem mais interessante. Sentia-me preparada para conversar com os alunos, sentia-me contribuindo para as pessoas com as quais conversava. Percebo, diante disso, a importância de conhecermos a fundo nosso foco de estudo (no meu caso, o infocentro).

Foi quando conheci os regulamentos do infocentro e a versão de Diogo Carneiro, que minha presença efetivou-se de maneira diferenciada. Passei a auxiliar os alunos a fazer um melhor uso do infocentro, explorando as oportunidades que este pode lhes dispor e que muitas vezes desconhecem. A partir desse momento, reformulei a visão que tinha a respeito do trabalho por mim desenvolvido dentro do infocentro, percebendo que não estava ali para adquirir informações apenas, mas também para disponibilizá-las.

Após a realização deste total de oito observações e das entrevistas individuais com Diogo Carneiro e com a professora Fernanda Campos que, por vezes, mencionaram as funções atribuídas aos diretores das unidades responsáveis por cada infocentro, tornou-se relevante, ainda, a realização de entrevistas, também individuais, com a professora Déa Pernambuco (Diretora da Faculdade de Educação), com o professor José Humberto (Diretor da Faculdade de Economia/Administração) e com a professora Marise Mendes (Diretora da Faculdade de Comunicação). A partir da entrevista com a professora Marise Mendes, tornou-se indispensável a realização de uma entrevista com o professor Fernando Fiorese, pois este era ainda diretor da Faculdade de Comunicação quando o processo de implantação do infocentro teve seu início, fazendo com que a professora Marise Mendes desconhecesse alguns de seus aspectos.

Importante, também, tornou-se a realização de entrevistas coletivas com os bolsistas do infocentro e de novas observações, em janeiro de 2007, para vislumbrar possíveis mudanças na atitude dos alunos e na visão por eles construída a respeito do infocentro. As fichas de acesso do infocentro também foram retomadas para que fosse possível ter um panorama geral da utilização deste ambiente pelos alunos.

No que tange à entrevista com os bolsistas27, ela deveria ser realizada com Mateus, aluno do curso de química; Telma, aluna do curso de Turismo e Taís, aluna do curso de Farmácia; bolsistas nos horários da manhã, tarde e noite, respectivamente. Ao pretender realizar uma entrevista coletiva, esta só poderia acontecer em horário anterior às 10:00, pois a partir daí os bolsistas, cada qual no seu turno, estariam desempenhando suas tarefas no infocentro. Contudo, tornou-se inviável a conciliação dos horários destes três alunos. Assim, marquei para o dia 31 de janeiro de 2007 uma entrevista individual com Tatiana. Fui à faculdade e, no local combinado (xerox da Faculdade de Comunicação), recebi o recado de que ela não poderia estar presente. Com Mateus e Telma, reuni-me no dia 05 de fevereiro, em uma entrevista esclarecedora no que tange aos aspectos relacionados aos bolsistas e algumas novidades presentes no infocentro, como implantação de um novo Linux. Em razão da qualidade desta entrevista, o encontro que seria realizado individualmente com Taís tornou-se desnecessário.

Após a realização deste trabalho e sua posterior análise, iniciei as sessões de Grupos Focais Reflexivos com os alunos do curso de Pedagogia da UFJF.




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