Um pouco de história: o despertar para a questão



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(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 28 de junho de 2007 – Grupo 02).

Sendo assim, torna-se impossível pensar na substituição do professor pela máquina, receio compartilhado entre alguns docentes. Pensar em tal substituição supõe uma transformação que teria seu fim no desaparecimento da escola. Contudo, esta (instituição escolar) não tem a função de apenas instruir ou depositar informações, ela abrange uma função formativa, que acentua sua importância e inviabiliza sua extinção. O que acontece é uma reformulação de objetivos e papéis.

Uma das novas atribuições do professor, segundo Salvat (2000), é a de gerenciar materiais e recursos. Quanto maior a disponibilidade de meios e recursos, maior deve ser a capacidade do professor de selecionar, entre aqueles disponíveis, o mais adequado para cada momento, de acordo com as necessidades pedagógicas.

A relação entre professor e aluno também toma outro sentido. Nas palavras de Arruda (2004, p. 26), a dimensão do trabalho docente amplia-se com as TIC, “ele é compreendido também na sua positividade possibilitadora de uma emancipação do sujeito através de sua relação com o saber, representada pelas relações com o mundo, consigo mesmo e com os outros”. Portanto, a idéia de selecionar os sites e averiguar que informações são verdadeiras pelo/para o aluno cai por terra. Para a emancipação citada por Arruda (2004), é necessário uma atitude ativa, responsiva e temporal, que é efetivada por um sujeito único, singular, inscrito em um contexto histórico-cultural próprio.

Por sua vez, a visão do professor como único detentor de um saber absoluto perde sua validade. Se antes o docente era o único a ter acesso às informações, com o surgimento da rede mundial de computadores ela pode ser acessada por todos. Uma variedade de temas e conteúdos, com os mais diversos enfoques, são disponibilizados na internet. Cabe ao professor, agora, discutir com seus alunos, trocar informações, mediar a aprendizagem em busca de uma construção compartilhada do conhecimento.

Em síntese, para construirmos uma nova escola, formadora de seres humanos, sujeitos da cultura, do saber e da ação, é necessário um professor:


que seja mais do que um especialista em educação e no ensino de uma ou mais disciplinas, um tecnocrata do saber, habilitado nesta ou naquela especialidade e possuidor de alguma perícia técnica, alguém que transmite aos alunos verdades acabadas e socializa conhecimentos sistematizados. Enfim, exige um professor que a cada momento se faça trabalhador intelectual, alguém que pensa, compreende e trabalha para transformar a sociedade, a cultura, a educação, a escola, a Universidade, a formação, o ensino e a aprendizagem; alguém que trabalha, não com saberes mortos, acabados e prontos, a serem aceitos e consumidos, mas com saberes vivos, instigantes da inteligência, da imaginação e da sensibilidade de docentes e discentes. Mestre e sábio é quem interroga, pensa, questiona as concepções e as práticas, próprias e dos outros e, vigilante e crítico, trabalha para inserir os humanos no mundo da autonomia, da liberdade, da dúvida, da crítica e do rigor próprios do trabalho intelectual, da reflexão, do pensamento, da expressão, mundo esse inseparável da ação (COÊLHO, 2006, p. 60).

É indispensável ao professor e à escola, portanto, aprender com o movimento das novas técnicas, que significa aprender com a nova modalidade comunicacional que se instaura com o surgimento das TIC. Nela, comunicar não é apenas transmitir, mas disponibilizar múltiplos textos – entendendo texto como sons e imagens também – para a intervenção dos alunos.

O grande desafio abordado por Silva, M. (2002), então, é a instauração de uma comunicação interativa. Tal comunicação exige que o professor saiba navegar pelo hipertexto; utilizá-lo de forma a dar mais sentido à sua ação pedagógica, sem perder sua autoria; e conseguir fazer este modelo e o paradigma clássico conviverem. O professor, assim, torna-se um formulador de problemas, provocador de interrogações, coordenador de equipes de trabalho, sistematizador de experiências; ele constrói uma rede e define um conjunto de territórios a ser explorado pelos alunos. O diálogo, neste sentido, torna-se primordial e indispensável. A mensagem pode ser modificada, porque construída coletivamente, no processo de ensino-aprendizagem. O aluno manipula as mensagens, escolhe os caminhos a trilhar, pesquisa, estuda, torna-se co-autor e participante ativo em sua (re)construção.

Enfim, ao utilizar as Tecnologias da Informação e da Comunicação deve-se ter um sentido: a busca por novas práticas de ensino-aprendizagem, novas formas de comunicar-se, novas maneiras de construir o conhecimento, novas relações entre professor, aluno e informação. Sentidos esses, que repercutem no objetivo de elaborar uma nova escola, mais significativa e condizente com a realidade histórico-cultural em que nos encontramos.

Deve-se considerar, porém, que sem as TIC também é possível a busca por essa nova escola. Como salienta Silva, M. (2002, p. 74), “o que está em questão é o movimento contemporâneo das tecnologias e não necessariamente a presença da infotecnologia”. Sua existência nas instituições de ensino potencializa a interatividade almejada, mas não é garantia da mesma, podendo servir para perpetuar os modelos tradicionais vigentes.

Hoje os computadores carregam em si a idéia de renovação e modernidade. Tê-los em uma instituição de ensino, para muitos, é o mesmo que ter uma educação de maior qualidade. De acordo com Salvat (2000, p. 29), parece que meios e métodos são confundidos e “a falta de nuevas ideas metodológicas y organizativas, la innovación pedagógica se centra en los medios, en las nuevas tecnologías”. Os pais, neste contexto, buscam por uma escola que trabalhe com o computador/internet, que tenha “aulas de informática”. Todavia, esses mesmos pais, em geral, não têm conhecimento de informática e não sabem como orientar a utilização que seus filhos fazem deste instrumento.

Assim, a pressão social parece ser mais forte que uma real convicção sobre a utilidade do computador/internet. Este torna-se importante, na maioria das vezes, pelas exigências do mercado de trabalho. Saber lidar com a máquina tornaria o aluno apto a competir por uma vaga no setor produtivo. O “saber”, neste sentido, “agrega valor à mão-de-obra” e a “certificação escolar é usada como mercadoria, possuindo, portanto, valor de uso e de troca” (ARRUDA, 2004, p. 40).

Desta maneira, o real valor das TIC não é explorado. No lugar de uma transformação nas relações sociais, promovendo a libertação do homem diante dos interesses do capital – através da internet, perde-se o controle do capital perante seu produto –, geralmente são utilizadas para reforçar o sistema capitalista (ARRUDA, 2004). É hora de reverter esse quadro e de utilizar as TIC com maior consciência.




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