Um pouco de história: o despertar para a questão



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(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 06 de junho de 2007 – Grupo 01).
Mônica: Eu fiquei maravilhada foi na aula do “G.”, de matemática... ele reservou certas aulas dele, que ele levava o laptop e mostrava para a gente programas que você pode aplicar com alunos de primeira à quarta série... cada programa, um assunto diferente (...) Ele mostrou vários programas, eu não conhecia nenhum. Mas no caso, para matemática, porque ele dava esses programas para matemática (...) Aí ele deu sites que têm demonstrações desses programas ou como é que a gente pode fazer para adquiri-lo ou mesmo pegar licença.

(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 05 de junho de 2007 – Grupo 02).

A utilização do computador/internet, neste sentido, ainda que apreciada pelos alunos, é pouco efetivada pelos professores. Quando ela acontece, traz poucas mudanças para os processos de ensino-aprendizagem ou para a metodologia adotada em sala de aula. Esse receio em utilizar o computador/internet e envolvê-lo em suas aulas, segundo os alunos, é fruto do trabalho que tal atividade pode exigir e fruto da geração da qual o professor faz parte:


Mirella: E aí vocês falam que os professores usam pouco o computador/internet. Como que isso poderia ser revertido? Por que será que eles não usam o computador ou usam tão pouco assim?

Gilberto: (...) Um dos motivos pode ser simplesmente o hábito. Está acostumado a lidar com o livro, a lidar com o quadro, no máximo o retroprojetor. Pode ser comodidade também, porque as vezes você vai ter que ter mais trabalho no preparo, que não quer dizer só usar o computador, né!? Mas as vezes tudo que indique mais trabalho para preparar, gere alguma repulsa!

Daniele: Ou então esse trabalho... assim, na formação dele, ele não teve isso, então ele vai ter trabalho em se preparar para isso. Então eu acho que ele se acomoda também, nesse sentido.

(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 06 de junho de 2007 – Grupo 01).
Mirella: Por que vocês acham que a maioria dos professores não têm essa relação com o computador, propondo atividades que o envolvam?

Carla: Eu acho que é questão de história. Por exemplo, a nossa geração de professores, as que dão aula para a gente, são as que não tiveram contato com o computador na infância. Assim, igual a gente: computador para mim já é coisa... sei mexer, muito fácil (...) Então eu acho que é uma questão de geração. A gente, os professores do futuro, vai conseguir lidar com essa questão da informática.

(...)

Norma: Eu acho que esses professores mais antigos, eles pegaram um período de transição. Da fase que eles viviam para essa era virtual que está (...) Porque eles puderam optar. Igual quando está chegando alguma coisa nova, ou eles vão direto para o novo e explorar o novo, descobrir o novo ou eles vão ficar com aquilo que eles já sabem que funciona. Agora, a gente não, a nossa geração, a gente já veio com aquilo que a gente sabia: não, isso aqui também dá. Eles eu não sei...

(...)

Carla: É igual eu estou falando, a gente já está acostumado, a gente já nasceu na era digital: tecnologia, celular... tudo.

(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 05 de junho de 2007 – Grupo 02).

Percebo que a maioria dos professores da UFJF, além de não estarem habituados com o equipamento (em geral, por sua geração ter vivido em uma época em que a tecnologia não se fazia tão necessária e/ou por não ter meios de adquirir/instrumentalizar-se com o computador), não se sentem atraídos pelo computador e não conhecem as possibilidades que este instrumento pode lhes oferecer. Por isso é possível considerá-los como “estrangeiros digitais”.

O computador/internet, diante disso, é considerado uma inovação para a maioria dos professores, o que não acontece com alguns de seus alunos, que já são seus usuários. Hernandez et al. (citado por ARRUDA, 2004, p. 67), vêem a inovação como algo novo para alguém. Assim, o “novo” torna-se algo relativo e deve ser resultado “da confluência de uma pluralidade de olhares e opiniões que procedem dos que têm algum tipo de relação com ela [inovação]”.

Este pensamento torna-se relevante uma vez que a inovação não acontece com a mera inserção do computador/internet na escola, nas Universidades ou nas salas de aula. O que importa é a compreensão, por parte dos docentes, do computador/internet como instrumento cultural de aprendizagem. Quando se atinge essa compreensão, é possível introduzir novas práticas de ensino-aprendizagem. Indo mais além, quando se percebe o potencial desses instrumentos, um novo olhar sobre o próprio currículo pode acontecer, levando a uma transformação do mesmo. Assim, é a partir dessa compreensão pelo docente, que a inovação pode se fazer no cotidiano de escolas e Universidades.

O computador, no dizer de Salvat (2000, p. 121), precisa deixar de ser “visível” dentro das instituições de ensino:
La visibilidad del ordenador se produce cuando estamos preocupados por el dominio de la máquina, por los diferentes programas informáticos que podemos utilizar, cuando vamos revisamos los diferentes productos y nos planteamos su utilidad. El proceso hacia la invisibilidad empieza cuando el ordenador se introduce en el aula, se comienza a evidenciar su eficacia, sus limitaciones, se van probando nuevas estrategias, nuevos métodos, cuando ya no preocupa la cantidad de programas existentes sino el acoplamiento entre algunos de estos productos y los objetivos educativos propuestos, cuando la preocupación fundamental es la propia práctica educativa.
Desta maneira, o computador/internet precisa deixar de ser visto como uma inovação, como algo estranho do qual a aproximação é feita com dúvidas, incertezas, receios e desconhecimentos. Só quando ele se tornar uma presença natural, consentida e aceita por todos, será apropriado e, portanto, se tornará invisível. Por enquanto, este instrumento adentra o curso de Pedagogia da UFJF, mas parece que não se sabe muito bem os motivos de sua inserção, justamente por não conseguirem vislumbrar formas de uma real utilização, que esteja relacionada aos conteúdos, permeando todas as disciplinas. Não há um envolvimento coletivo de todos os atores para mobilizar a utilização deste instrumento. Não existem discussões, como constava nos projetos do infocentro, que visem clarear as possibilidades de uso e minimizar a rejeição ou simples afastamento desta tecnologia, seja por parte dos professores, seja por parte dos alunos.

Assim sendo, o medo pelo novo parece gerar a opção pelas tecnologias já conhecidas, como o quadro-negro e até mesmo o retro-projetor. Para Salvat (2000, p. 54), este medo faz com que os professores “prefieren seguir con los mismos métodos y medios de enseñanza y que no aceptan fácilmente las innovaciones (...) creo que el problema es una vez más la formación y aquí también el tiempo es un factor muy importante”.

Estamos, como destaca Arruda (2004), em uma região de fronteira. Os professores passam por um momento em que transformações acontecem a todo momento, trazendo incertezas a respeito de seu trabalho. Sentem dificuldades para utilizar as TIC, não conseguem vislumbrar seu verdadeiro potencial e, ao mesmo tempo, presenciam um discurso sobre a necessidade de sua incorporação.

O fato é que não podemos simplesmente buscar “culpados” para essa utilização restrita do computador na Faculdade de Educação da UFJF. Sem conhecer e dominar o computador, torna-se complicado exigir que os professores o utilizem em suas aulas e saibam que tipo de atividades poderão propor. Falamos na formação que o aluno do curso de Pedagogia precisa ter para lidar com o computador/internet quando inseridos no contexto da sala de aula e muitas vezes esquecemos que seus professores também não tiveram uma formação que envolvesse este assunto, podendo assim, formar melhor seus alunos neste aspecto.

Por esta formação restrita dos docentes do curso de Pedagogia, os que não buscam conhecimentos sobre o computador/internet não percebem que por meio deste instrumento podem extrapolar as discussões ocorridas em aula, aprofundá-las melhor e abordar assuntos que interessam os alunos, mesmo quando não for possível em sala de aula. Os próprios alunos percebem tal possibilidade:
Gilberto: É uma forma de fazer com que uma discussão não precise ficar restrita nem espacialmente à sala de aula, nem temporal. Se a gente quiser discutir isso depois e aqui não tem espaço suficiente... a internet permite isso. E eu vou discutir a hora que eu quiser. Estou lá... “agora eu quero passar lá no site!” Colocar minha opinião lá, por exemplo (...) Disponibilidade (...) Não dá para cumprir na santa ementa... em nome de Jesus, amém! Aí vai para o computador: “gente, vamos discutir, vou lançar texto, vamos lançar opinião”. A gente se esbarra no corredor, conversa. Poxa, o professor não sabe conversar com o aluno no corredor...


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