Um pouco de história: o despertar para a questão


“Quando tiver o infocentro vai melhorar (...) E cadê que melhorou?



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4.2.1.8. “Quando tiver o infocentro vai melhorar (...) E cadê que melhorou?” O infocentro e seus atores.
Tenório (1998, apud SOUZA, 2007, p. 16) mostra que, mais importante que a técnica que envolve o uso do computador/internet é a ação que o homem desenvolve sobre/com a máquina:
A dimensão analógica da produção de significados se destaca quando consideramos os sujeitos reais da dinâmica social. Não podemos reduzi-la à questão técnica (dos computadores, da automação, da informação, da comunicação, etc), pois, sem a ação dos atores sociais, os meios técnicos são inertes, e não existe a produção de sentido. O desenvolvimento tecnológico, eminentemente instrumental e no presente momento privilegiando a forma digital, opõe-se de forma tensa ao desenvolvimento das relações sociais, que produz significados por procedimentos nos quais os aspectos analógicos estão fortemente presentes.
Assim sendo, não é o computador que deve ser considerado como bom ou ruim, da mesma forma que não é o computador o provocador (ou não) do desenvolvimento, mas os sentidos que atribuímos à este instrumento e as atividades que realizamos por meio dele. Como salientam Cavalcanti; Nepomuceno (2007. p. 9), “estar na rede não nos faz, necessariamente, gerar inovação ou conhecimento. Colocar um usuário diante de um computador conectado não o deixará mais integrado ao mundo moderno”.

Torna-se, portanto, complicado falar em uma “inclusão digital ampliada” (SAMPAIO, 2001), quando compreendemos os sentidos que os alunos do curso de Pedagogia atribuem ao infocentro, muitas vezes fruto do que lhes é exigido dentro da Faculdade de Educação. Ao serem questionados sobre os motivos da criação do infocentro, pontuam sua importância, praticamente restrita à digitação de trabalhos, maior exigência dos professores do curso de Pedagogia. Salientam também, ainda que de maneira mais tímida, a pesquisa na internet e o acesso ao SIGA. As falas abaixo sintetizam bem tal afirmação:


Mirella: Por que eles implantaram o Infocentro? O objetivo deles... vocês já pensaram nisso?

Norma: Acho que seria para integração, para todo mundo ter acesso.

Nara: Poder ter acesso.

Norma: À Internet... ao computador mesmo.

Mirella: E por que esse acesso é importante?

Jaqueline: Porque é exigido. Igual quando você entra na Faculdade, eles te exigem que você faça trabalho todo no computador, só que se você não tem, usa o Infocentro.

Nara: Aí você também tem que usar o SIGA.

Elisa: É uma exigência, vamos dizer assim, mais geral até. Nem é só uma exigência da Faculdade, mas hoje em dia é necessário. Para tudo hoje se utiliza a internet, para tudo se utiliza o computador.

Mirella: Mas além dessa necessidade de digitar trabalho que muitas vezes os professores exigem, que a Universidade mesmo exige dos alunos. O Infocentro traz alguma outra possibilidade ou alguma outra mudança que tornaria essa implantação necessária, importante?

Elisa: Olha... eu vejo o Infocentro mais como isso mesmo. Possibilitar esse acesso de informática aqui dentro, para facilitar mesmo para os alunos.

(...)

Mirella: Se não houvesse essa cobrança de que trabalhos fossem digitados e etc. O computador faria alguma diferença? Ele seria necessário como ele é hoje?

Nara: Para pesquisa sim. Pesquisar na internet...

(Fragmento das discussões do Grupo Focal Reflexivo realizada no dia 31 de maio de 2007 – Grupo 02).
O que vejo ao se tratar da utilização do computador/internet no curso de Pedagogia da UFJF especificamente, é que a preocupação está muito centrada no acesso à informação (pesquisa) e na digitação de trabalhos. A produção do conhecimento, por sua vez, restringe-se à elaboração de trabalhos após tais pesquisas e sua disseminação acontece, quando muito, através do envio de e-mail com o material elaborado em “power point” para apresentação em aula. Por esta apropriação restrita do computador, a implantação do infocentro não parece trazer grandes mudanças para a formação inicial dos alunos do curso de Pedagogia. Isso porque “los cambios no solamente están relacionados con el uso instrumental de la herramienta sino, obviamente, con un planteamiento mucho más amplio de los objetivos de la instituición escolar em sí” (SALVAT, 2000, p. 21). Ou, no caso, com os objetivos dos professores, que se refletem nas atividades por eles propostas, envolvendo o uso deste instrumento.

Este assunto será melhor aprofundado no próximo item, em que tratarei a respeito da relação entre o infocentro, o curso de Pedagogia e seus atores. Contudo, é possível dizer de antemão que, para que a inclusão digital aconteça, necessário se faz um trabalho com professores e diretores da UFJF, para que possam vislumbrar a importância do computador/internet na formação inicial de futuros pedagogos e, a partir daí, proponham atividades que envolvam tal instrumento e reflexões que perpassem todas as disciplinas, abordando esta questão.

Percebo, como destacado por Salvat (2000, p. 29), que “la escuela [no caso, a UFJF] ha vivido la introducción de los ordenadores como una ‘intrusión’ de la tecnologia en la vida escolar”. E para aqueles professores que ainda não consideram a importância do computador/internet para a formação inicial e não vêem no infocentro um espaço que merece relevância, acabam não tendo a oportunidade de reformular este ponto de vista por falta de discussões a esse respeito. Penso que a conscientização dos professores a respeito desta importância se concretizará em propostas de atividades que tornem a utilização do infocentro mais significativa. Assim, substituindo as telas dos computadores tomadas pelos e-mails, MSN e sites de jogos, serão nelas encontradas uma série de outras atividades, tais como pesquisas, escrita de textos, trabalhos em grupo, etc. Destaco, portanto, a necessidade do computador/internet se tornar “invisível” dentro da Universidade. “Invisível” no sentido destacado por Salvat (2000, p. 121):
El proceso hacia la invisibilidad empieza cuando el ordenador se introduce en el aula, se comienza a evidenciar su eficacia, sus limitaciones, se van probando nuevas estrategias, nuevos métodos, cuando ya no se preocupa la cantidad de programas existentes sino el acoplamiento entre algunos de estos productos y los objetivos educativos propuestos, cuando la preocupación fundamental es la propia práctica educativa.
Transportando esse pensamento para o ensino superior e para a realidade atual da UFJF, compreendo que para a maioria dos professores o computador é ainda invisível: os docentes não se preocupam ou se interessam por esse aparato. São, pois, dois extremos de invisibilidade: o real, que exprime a ausência do uso do computador/internet na UFJF e o ideal, que se manifesta no seu uso comum e natural como sugere Salvat. E o real só será transformado em ideal quando os professores enxergarem suas potencialidades, sendo capazes de proporem aos alunos um trabalho de uso consciente e crítico desta tecnologia. O que Salvat (2000) propõe portanto, é que este uso seja incorporado ao cotidiano de professores e alunos, como acontece com a escrita, o quadro negro, o livro, etc.

Essa invisibilidade ideal poderia ser o resultado da implantação do infocentro, aliado à idéia de realização de seminários, que trariam maior esclarecimento sobre seu regulamento e o motivo das escolhas feitas por seus gestores; representando, diante disso, a oportunidade para professores e alunos compreenderem melhor essa implantação dentro da UFJF. Porém, estes seminários perderam-se no tempo em função da greve e parece ter feito com que se perdesse, junto deles, o maior sentido do infocentro, que é a inclusão digital. Assim, grande parte dos professores e diretores parecem se omitir diante da existência do infocentro.

Noto, portanto, que a inclusão do aluno, do professor e até mesmo dos diretores das unidades em todo o processo que deu origem ao infocentro, ainda está em seu início. Não existe, até o momento, um trabalho que desperte nos alunos este “ciberpensamento”, esta capacidade reflexiva sobre todas as informações que acessam na rede. Os usuários desconhecem os motivos de cada decisão tomada, os direitos e possibilidades de reivindicações e a autonomia dos diretores em relação ao infocentro. Talvez porque a implantação desse ambiente seja algo novo e em teste, contando com poucos responsáveis para um volume grande de trabalho.

E quando falo nessa autonomia, em entrevista com a professora Fernanda Campos, fica claro que o diretor de cada unidade teria liberdade para conduzir a utilização do infocentro instalado em sua unidade:



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