Um pouco de história: o despertar para a questão


“Não tivemos fôlego nem tempo”: O infocentro e os Seminários de Inclusão Digital



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4.2.1.7. “Não tivemos fôlego nem tempo”: O infocentro e os Seminários de Inclusão Digital
Grande parte dos problemas destacados pelos alunos como existentes no infocentro parecem ser simples de serem resolvidos com a realização dos Seminários de Inclusão Digital (como proposto nos projetos do infocentro) que envolvam alunos, professores, diretores de unidades e gestores do infocentro em discussões que abarquem o esclarecimento de seu regulamento, das escolhas feitas por seus gestores e dos objetivos pretendidos ao implantá-lo nesta instituição de ensino.

Ao pensar em realizar estes seminários, os autores do projeto do infocentro demonstram a importância de mobilizar a comunidade vizinha e todos os envolvidos com a UFJF em prol de um trabalho significativo de utilização do computador/internet. Isso por acreditarem que incluir digitalmente vai além de disponibilizar o maquinário que, por si só, não é capaz de gerar transformação alguma. Todavia, em função de greves e atropelamentos gerados por esta, o objetivo de realização de seminários não foi cumprido. Segundo a professora Fernanda Campos, “não tivemos fôlego nem tempo”, e então foi adiado. Um adiamento que parece ter duração indefinida, apesar de sua importância.

Assim, temos laboratórios com computadores modernos e rápidos, mas muitas vezes criticados pelos alunos justamente por não entenderem as políticas e atitudes adotadas pelo infocentro.

Durante a realização do Estudo-Piloto, que se constituiu em observações do infocentro e conversas informais com os alunos que ali se encontravam, foi possível encontrar contradições nas falas dos discentes. Estes pareciam considerar o infocentro como um local positivo mas, ao mesmo tempo, discorriam diversos aspectos negativos no mesmo. Não pareciam ter, ainda, uma visão mais clara sobre o quê este ambiente representa, de fato, para eles.

A quase totalidade dos alunos, quando questionados sobre o que achavam do infocentro, respondiam rapidamente, com palavras pontuais: “produtivo”, “ótimo”, “legal”, “bom”. Esses adjetivos eram utilizados por reconhecerem no infocentro um ambiente favorável para a pesquisa e para a produção. Assim elogiavam, especialmente, a velocidade da internet, que torna a pesquisa mais rápida e o número de máquinas, que torna o acesso mais fácil. Alguns assumiam, inclusive, que realizar trabalhos, como a construção de uma monografia, seria inviável sem a existência deste local. Porém, a quase totalidade também, demonstrava-se insatisfeita com alguma característica do infocentro.

Na maioria das vezes, sem que fosse preciso indagar sobre possíveis problemas, carências ou necessidades de aperfeiçoamentos e mudanças, aparecia um “mas”, após o breve elogio realizado. E assim surgiam as reclamações. Reclamações pela falta do drive de disquete, do drive de cd, da impressora e de maiores recursos multimídias. Reclamações pela impossibilidade de baixar programas e pelos já instalados, que nem sempre atendiam às necessidades dos alunos, de acordo com as especificidades de cada curso. E reclamações, principalmente, quanto ao sistema operacional utilizado no infocentro, que é o Linux.

No caso da possibilidade de instalar programas, percebemos que a falta de divulgação do regulamento45 impossibilitava que os alunos desfrutassem de todas as possibilidades oferecidas por este local. O procedimento necessário para esta instalação é simples: o professor deve fazer o pedido junto ao CGCO – Centro de Gestão do Conhecimento Organizacional –, que é o órgão responsável pela rede da UFJF e, então, o programa será instalado.

Todavia, em relação à divulgação do regulamento, nas observações realizadas em janeiro de 2007, percebi que este havia sido colado na parede do infocentro. Em entrevista com os bolsistas (Mateus e Telma), estes me revelaram que esta foi uma orientação de Diogo Carneiro, no início de dezembro de 2006. Mateus salienta que a visibilidade do regulamento do infocentro trouxe melhoras para o trabalho no infocentro:


Mateus: O que melhorou muito foi esse negócio da gente impor o que é proibido aqui dentro. Porque o pessoal não conhecia o que podia e o que não podia ser feito dentro dos infocentros, porque nem conheciam o regulamento. Apesar de que você põe e eles nem lêem o regulamento, mas se reclamar você diz: “ah não, o regulamento está ali. Está para ser lido. Se você não leu, eu não posso fazer nada”.

(Fragmento da entrevista coletiva realizada no dia 05 de fevereiro de 2007).

Ainda a respeito das reclamações a algum aspecto do infocentro, estas são acompanhadas por uma série de justificativas. Alguns afirmam não realizarem seus trabalhos acadêmicos no infocentro pelo fato de não poderem salvá-los. Outros complementam esse pensamento dizendo que, por não terem computador/internet em casa, não poderiam acessar o trabalho, através de seus e-mails, em outro local. E o resultado disso é a fala de discentes afirmando utilizarem este ambiente apenas para entretenimento (ler e-mail, entrar em sites de jogos, MSN, etc).

Mesmo quando um desses “desejos” é atendido, como a instalação do gravador de cd, alguns alunos nem sequer percebem sua existência e outros continuam exigindo o disquete ou lamentando pela sua existência em apenas dois computadores. Essa reclamação é também compartilhada pelos bolsistas, que a justificam:
Mirella: E vocês pensam que falta alguma coisa no infocentro? Para que ele melhore, para que ele atinja melhor aos seus objetivos?

Telma: O drive de disquete!

Mateus: É! Principalmente!

Mirella: Então até vocês acham que falta o disquete!?

Mateus: É porque 90% do pessoal precisava gravar um arquivo de texto, coisa de 30, 60 K. Aí precisa de gravar em um cd.

(Fragmento da entrevista coletiva realizada no dia 05 de fevereiro de 2007).

Precisamos ponderar, como já foi salientado anteriormente, que a opção pela ausência do drive de disquete representa a opção por uma menor disseminação de vírus, que poderia prejudicar o bom funcionamento do infocentro.

Através de tantas reclamações e insatisfações dos alunos, portanto, percebo o quanto o infocentro poderia se tornar algo mais significativo se explicassem os objetivos de sua criação e o que vem a ser inclusão digital; fizessem um trabalho efetivo de divulgação de sua existência junto a todos os atores da UFJF; realizassem um trabalho junto aos bolsistas, expondo a importância de executarem com responsabilidade as atribuições à eles destinadas, além de cumprirem rigidamente o horário estipulado para o funcionamento do infocentro; divulgassem para os alunos as atribuições dos bolsistas, para que soubessem quando poderiam solicitar sua ajuda; explicassem os motivos da ausência de drive de disquete e cd; expusessem toda a ideologia que está por trás do Software Livre; e realizassem um trabalho efetivo junto aos professores, para que estes passassem a propor atividades que envolvessem a utilização do computador/internet. Todas essas questões poderiam ser debatidas por meio dos Seminários de Inclusão Digital.

Porém, o infocentro foi instalado na UFJF em agosto de 2005, sendo de fato implantado apenas em janeiro de 2006, com o término da greve. Ainda no ano de 2006 houve uma mudança na administração desta instituição de ensino, alterando também os profissionais envolvidos com o projeto do infocentro. A professora Maria Margarida Martins Salomão, reitora no período de 1998 à 2006 foi substituída pelo professor Henrique Duque de Miranda Chaves Filho, atual reitor da UFJF. Com isso, a professora Fernanda Campos deixou a coordenação do NEAD e do infocentro, assumidas na atual gestão pelo professor Flávio Iassuo Takakura.

Por essa mudança de administração que estava prestes a acontecer, o processo de implantação do infocentro parece ter sido acelerado para que pudesse ser inaugurado ainda na gestão que o idealizou. Em função disso, não houve tempo hábil para a conclusão de todas as fases previstas, o que pode ter ocasionado uma série de problemas. Problemas esses, herdados pela atual administração.

Diante desse panorama, sem querer delegar ao novo quadro da UFJF as responsabilidades pelo não cumprimento de todos os momentos planejados no projeto do infocentro, acredito que essa mudança de administração gerou uma ruptura na aplicação do projeto, impossibilitando seu desenvolvimento total. Uma nova gestão pode ter novas idéias, focos e objetivos, fazendo com que os caminhos antes selecionados tomem outros rumos, sob uma nova visão e uma diferente administração.




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