Um pouco de história: o despertar para a questão


O infocentro e a inclusão digital: apenas uma exigência da Sociedade da Informação?



Baixar 2.56 Mb.
Página10/83
Encontro27.05.2018
Tamanho2.56 Mb.
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   83
4.2. O infocentro e a inclusão digital: apenas uma exigência da Sociedade da Informação?
É preciso inventar a inclusão. Excluir faz parte dos códigos de existência. Historicamente, os processos de exclusão acompanham a vida social, institucional, pessoal e até mesmo íntima.

Marisa Faermann Eizirik


Eizirik (2005) situa o momento atual como revolucionário no âmbito da inclusão, seja ela em que área for. Esta não é uma discussão recente. Sempre gerou polêmica entre estudiosos as questões raciais, religiosas, econômicas, de gênero, de estado mental que, de certa forma, ocasionavam algum modo de exclusão. Atualmente, mais um aspecto da inclusão/exclusão passa a ser debatido: o digital.

Centrada em estudos sobre a educação especial, Eizirik (2005) fala de uma “invenção da inclusão”. Invenção, no sentido de se contrapor à origem; no sentido de luta, de ser algo a ser construído coletivamente. Reproduzindo este pensamento para o caso das Tecnologias da Informação e da Comunicação – TIC –, percebemos um processo acelerado de busca pela inclusão digital. Talvez de forma um tanto equivocada, escolas passam a ser “premiadas” com laboratórios de informática e instituições de ensino superior lutam por locais em que o computador e a internet sejam disponibilizados aos alunos. Com certa dose de “determinismo tecnológico”, demonstram acreditar que o simples acesso a instrumentos referentes às TIC seria responsável pelo fim da exclusão digital, resolvendo os problemas da educação e da sociedade.

Diante disso, Salvat (2000, p. 29) comenta criticamente que a busca pela aquisição do maquinário está voltada “por la presíon ejercida por el contexto económico y político del momento. Es necesario formar usuarios de tecnología y, desde luego, consumidores”. Na mesma linha de reflexão, Souza (2007) acredita que este é o novo desafio com o qual a educação se depara no século XXI, fruto da “Revolução Informacional”. Assim, o termo inclusão digital passa a ser constantemente mencionado; embora nem sempre se tenha claro o que representa de fato. O objetivo, neste momento, é acabar com um novo analfabetismo:


Estamos agora diante de um novo tipo de analfabetismo, isto é, se o analfabeto é o que não conhece nem o alfa nem o beta, o be-a-bá; o analfabyte é aquele que não conhece o alfabyte, o be-a-byte, a linguagem específica das tecnologias digitais (SOUZA, 2007, p. 4).

A importância atribuída à inclusão digital está ligada ao pensamento de que esta levaria, necessariamente, a uma inclusão social. Ou seja, aqueles que tivessem contato com o computador/internet (os info ou ciberletrados) desfrutariam de um maior desenvolvimento cognitivo, humano, social e econômico, adquirindo habilidades essenciais para o mercado de trabalho. Portanto, seriam incluídos socialmente. Computador, inclusão e desenvolvimento, desta maneira, estão intrinsecamente ligados, reduzidos a uma questão meramente instrumental, deixando de valorizar a complexidade dos processos individuais que os envolve, relacionados a experiências sociais de aprendizagem. Torna-se importante destacar, então, que inclusão e desenvolvimento são problemas humanos, sociais e não meramente tecnológicos ou digitais (SOUZA, 2007).

Diante disso cabe questionar: o que representa pensar em inclusão digital? Que tipo de atitudes são necessárias para que ela realmente se efetive? O que se pretende ao dispor, para escolas e Universidades, computadores conectados à internet para uso de seus discentes?

No caso da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF – é possível acompanhar um processo em que, gradativamente, estes instrumentos começam a fazer parte de seu contexto. Até o início de 2005, quando Fernandes (2005) defendeu sua dissertação, o computador/internet ainda era de difícil acesso para os discentes, que sentiam a necessidade da existência de computadores disponibilizados para o Curso de Pedagogia. Esta mesma autora indica, como um dos achados de sua pesquisa, a necessidade da criação de uma sala de informática na Faculdade de Educação, aliada à uma reflexão sobre este assunto, praticamente inexistente no curso de Pedagogia investigado.

Ao final deste mesmo ano de 2005, portanto, os infocentros foram instalados em 14 unidades da UFJF, Colégio de Aplicação João XXIII e Colégio Técnico Universitário. Através do Estudo-Piloto desenvolvido nessa pesquisa, foi possível acompanhar esse processo de implantação, compreendendo com que objetivos os infocentros foram criados e quais expectativas despertavam nos idealizadores de seu projeto. Ainda neste momento inicial da pesquisa (Estudo-Piloto), era marcante o foco que incidia sobre a questão da inclusão digital. Tal preocupação era fruto das características e exigências da sociedade atual, denominada pelos autores do Projeto Organizacional e Pedagógico (2005) como “Sociedade Aprendente” ou “Sociedade da Informação”40.

Diante disso, o acesso ao computador/internet por todos os alunos desta instituição torna-se uma preocupação dentro da UFJF, seja pela necessidade de acesso às possibilidades abertas pela própria Universidade, com a criação do Programa SIGA por exemplo, seja pelo que a internet pode propiciar aos seus usuários, exigindo uma nova maneira de se pensar e fazer a educação. Uma educação que privilegie o acesso à informação, que privilegie a “produção e disseminação do conhecimento” (PROJETO ORGANIZACIONAL E PEDAGÓGICO, 2005, p. 7).

Tal preocupação com a inclusão digital, apresentada nos projetos do infocentro, não demonstrava a intenção de resolver a falta de acesso ao maquinário por si só. Fica clara a necessidade de mudanças na educação, na pesquisa e na extensão; a importância de que se efetive um uso consciente dos instrumentos que estariam sendo disponibilizados; e a indispensabilidade de que acontecessem Seminários de Inclusão Digital para que todos pudessem compreender o infocentro, seus objetivos e suas características.

Todavia, no Estudo-Piloto foi possível entrever, ainda que de maneira um pouco superficial, aspectos que impossibilitavam uma real inclusão digital dentro da UFJF. Foram levantados, no decorrer deste período, aspectos como a falta de divulgação da criação e conseqüente existência do infocentro; a questão do horário de funcionamento deste ambiente, que no início não atendia aos alunos do curso de Pedagogia diurno por abrir a partir das 14:00; a não realização dos Seminários de Inclusão Digital, propostos no projeto do infocentro, que deveriam instituir uma discussão aprofundada sobre o Software Livre; e o não envolvimento de diretores, professores e alunos na dinâmica do infocentro, assim como a inexistência de um trabalho docente que incentivasse e tornasse significativa a utilização do infocentro.

Muitos desses aspectos vieram à tona novamente ao iniciar as sessões de Grupos Focais Reflexivos com alunos do curso de Pedagogia da UFJF, agora podendo ser melhor aprofundados, em função do maior tempo que disponibilizava para realmente iniciarmos uma discussão e reflexão sobre o assunto.

Desta maneira, abordarei cada aspecto destacado, refletindo sobre a questão da inclusão digital, apresentada como o principal motivo para a criação dos infocentros. Levanto ainda, o trabalho realizado pelos alunos-bolsistas nos infocentros, fator não abordado no Estudo-Piloto, mas que constantemente apareceu durante os Grupos Focais Reflexivos.




Catálogo: ppge -> files -> 2010
ppge -> Ata da ducentésima octogésima sexta reunião ordinária do colegiado delegado do programa de pós-graduaçÃo em educaçÃO/ced/ufsc
files -> Faculdade de educaçÃo programa de Pós-Graduação em Educação edital processo seletivo 2014 o programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora faz saber a todos quantos virem o presente
files -> Maria fernanda van erven
files -> O interessante é que o próprio Estevam de Oliveira em seus escritos não utilizou apenas uma denominação quando se referia às escolas graduadas
2010 -> Um labirinto
2010 -> Universidade federal do pampa
files -> Universidade federal de juiz de fora faculdade de educaçÃo programa de pós-graduaçÃo em educaçÃo quadro de disciplinas para 2018/3

Baixar 2.56 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   83




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual