Um pouco de história: o despertar para a questão



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1. UM POUCO DE HISTÓRIA: O DESPERTAR PARA A QUESTÃO...



Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as idéias que deixarem, mas ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro.

Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos.

Machado de Assis


Antes de iniciar qualquer pesquisa, necessário se faz que a questão a ser investigada seja algo que realmente nos inquieta, que realmente desperta o nosso interesse e nos instiga a buscar sempre mais. Diante disso, não podemos ignorar nossas experiências de vida, que acabam por guiar nosso olhar para determinados aspectos. No meu caso, meu olhar está focado na formação inicial de alunos do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora – a UFJF –, relacionada com a utilização do computador/internet.

Apresento, neste texto, como disponibilizando o “par de lunetas” citado por Machado de Assis (1978), experiências por mim vivenciadas e que ajudarão vocês, possíveis leitores, a compreender de onde falo, de onde compreendo e interpreto os fatos. Exponho como acontecimentos ocorridos levaram-me à questão que hoje pretendo estudar. Este trabalho, portanto, é entremeado por pesquisas realizadas anteriormente, por autores lidos em outros momentos e agora retomados e por vozes de pessoas que despertaram meu olhar para este assunto.

Diante disso, a opção por este tema se relaciona com o meu percurso acadêmico que, por sua vez, está integrado à minha formação inicial – curso de Pedagogia –; aos estudos e trabalhos produzidos, enquanto bolsista de Iniciação Cientifica, do grupo de pesquisa LIC1 e à especialização em Educação e Novas Tecnologias na Universidade Estácio de Sá.

Explicitarei abaixo, como cada um desses fatores se relaciona ao tema que pretendo pesquisar, esclarecendo as razões que me motivam a estudá-lo.

A minha formação inicial, o curso de Pedagogia, interligado à minha atuação profissional em uma escola da rede municipal, me fez perceber um despreparo dos professores para lidar com as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC2) na escola, o que os faz reproduzir práticas tradicionais de ensino em ambientes diferenciados (sala de aula ou sala de informática, biblioteca, etc). Acredito que este fator está ligado à formação inicial recebida pelos docentes em geral, na qual este assunto é pouco abordado, sem oferecer subsídios para uma reflexão sobre a inserção do computador na escola.

Mas o que me leva a focar o olhar para este aspecto do ensino? Durante meu período de graduação tive a oportunidade de participar de um grupo de pesquisa preocupado com a formação de professores para o uso do computador/internet na escola. No decorrer deste percurso, tornar-me pesquisadora deste grupo e despertar-me para o tema referente às TIC e à Formação de Professores faziam-se concomitantemente. Despertar que me levou à escolha do curso de Mestrado em Educação, que se configura como mais um espaço para discussões sobre este tema. Despertar que traz preocupações ao perceber, dentro da instituição em que estudei, como as tecnologias são ou não incorporadas. Vivências e estudos que me fazem pensar na formação inicial que os alunos dos cursos de Pedagogia estão recebendo diante da realidade que se configura.

E foi enquanto participante do grupo de pesquisa mencionado que tive a oportunidade de, como co-pesquisadora, participar da realização de dois trabalhos de campo ligados à ação e à Formação de Professores diante desta nova era de ascensão das TIC, desvendando os caminhos da pesquisa ao lado de integrantes mais experientes e discutindo sobre este tema que tanto instiga meu interesse.

Em um desses trabalhos participei, durante um ano, do campo central do Projeto de pesquisa “Letramento Digital e Aprendizagem na era da internet: um desafio para a formação de professores”, que teve o intuito de, através das vozes de professores do Ensino Fundamental do município de Juiz de Fora, compreender como suas práticas se efetivam/concretizam em relação às possibilidades propiciadas pela cultura tecnológica da informática. Nosso objetivo, portanto, era o de construir com estes docentes um conhecimento compartilhado sobre as possibilidades levantadas pela cibercultura no campo do letramento e da aprendizagem, levando-os a uma reflexão que possibilitasse uma ação transformadora de sua prática educativa. O que percebemos, portanto, é que apesar do interesse de alguns em incorporar os computadores às suas aulas, ainda estão muito apegados à técnica, fazendo do computador uma simples máquina de escrever, uma forma de tornar a aula mais lúdica e prazerosa, buscando despertar a atenção do aluno.



Em outro trabalho, participei do campo de um dos eixos da pesquisa então desenvolvida no LIC3, que preocupava-se em compreender, através das vozes dos alunos do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Juiz de Fora, qual o uso que estes faziam do computador/internet no seu próprio processo de formação inicial, bem como o que pensavam a respeito da presença dessa tecnologia em ambiente escolar. Desta maneira, através da minha imersão no campo, filmando, observando, transcrevendo fitas e escrevendo notas de campo no transcorrer de dois meses, minha participação se efetivou a partir do meu olhar extraposto, diferente daquele da pesquisadora, podendo complementar a compreensão dos fatos observados, auxiliando em sua análise e interpretação. No processo deste trabalho de campo, foi possível perceber a utilização do computador/internet pelos alunos do curso; no entanto, estas tecnologias ainda eram vislumbradas como ferramentas4, tendo suas potencialidades restritas à digitação de trabalhos exigidos pelos professores, pouco se pensando em sua inserção na escola, com fins pedagógicos.

Esta pesquisa revelou que os alunos do curso de Pedagogia da UFJF sentem a necessidade da existência de computadores disponibilizados5 na faculdade, ainda que esta preocupação esteja voltada para as solicitações dos professores por trabalhos digitados. Assim, nas palavras de Fernandes (2005, p. 126, grifo do autor), nota-se que tanto os alunos quanto
os professores do curso de Pedagogia da UFJF se mantêm ainda distantes de tais discussões e não percebem as mudanças ocasionadas para o ensino com o uso das novas tecnologias. Esta distância (que é física e também reflexiva) do computador/internet leva alunos e professores a acreditarem que este instrumento é um recurso a mais para a educação, assim como retroprojetor, televisão entre outros.
Diante deste fato, em um dos resultados da pesquisa, a autora aponta para a necessidade de criação de uma sala de informática, aliada à uma reflexão sobre este assunto. Isto por acreditar que a “resolução não está em pensar sobre o computador/internet, mas com” (FERNANDES, 2005, p.129, grifo do autor). Podemos afirmar, diante disso, que só quem conhece estes instrumentos pode saber de suas potencialidades e utilizá-lo de forma a explorá-las integralmente.

Essa dissertação foi defendida no início de 2005 e, no final deste mesmo ano, o projeto idealizado pelo professor da UFJF Paulo Vilella e possibilitado pela então Reitora professora Maria Margarida Martins Salomão tornou-se real, sendo instalados 14 infocentros, distribuídos pela Universidade: Faculdade de Direito, Faculdade de Educação Física, Faculdade de Engenharia, Faculdade de Farmácia e Bioquímica, Faculdade de Odontologia, Faculdade de Serviço Social, Faculdades de Comunicação, Economia/Administração e Educação, Faculdades de Enfermagem e Medicina; Instituto de Ciências Exatas, de Ciências Biológicas, de Ciências Humanas e Letras; Colégio de Aplicação João XXIII, Colégio Técnico Universitário (CTU); e Biblioteca Central. A implantação desses infocentros visa a inclusão digital e a realização de um trabalho para o uso correto da informação, tornando assim, possível o contato do aluno e do professor com este instrumento.

Esta não é uma atitude nova e os infocentros já existem em outras instituições educacionais do país, como na Bahia6, por exemplo; todavia, ao pesquisar no Portal CAPES, percebi que inexistem pesquisas sobre sua validade ou a forma com que são utilizados dentro dos cursos de formação inicial de professores.

Diante disso, direciono meu olhar para esses locais, com o intuito de compreender a utilização do infocentro instalado entre as Faculdades de Comunicação, Economia/Administração e Educação7 da Universidade Federal de Juiz de Fora no ano de 2005 e inaugurado no ano de 2006, acompanhando seu processo de implantação e percebendo o cumprimento de seus objetivos a partir do estudo dos documentos disponibilizados a esse respeito pela UFJF.

O despertar para este aspecto do ensino se deu a partir do momento que, no segundo trabalho de campo relatado, tive a oportunidade de, através das vozes dos alunos do curso de Pedagogia, perceber a necessidade que sentem de um local apropriado para utilizar, conhecer e desvendar o computador/internet.

Sendo assim, esta pesquisa representa a possibilidade de dar continuidade ao trabalho já desenvolvido em um dos sub-eixos da pesquisa realizada pelo LIC, visando perceber como este local é encarado pelos alunos a partir do momento que passam a ter à sua disposição, com a instalação do infocentro, computadores conectados à internet, já que esta foi uma sugestão da própria autora da dissertação mencionada.

A partir deste relato, posso dizer que participar do grupo de pesquisa LIC acrescenta e instiga meu interesse pelo estudo das TIC, em especial o computador e a internet, agora pensados sob o prisma da formação inicial de professores. Isso porque cada vez se torna mais complicado ignorar a existência das tecnologias na sociedade, assim como as transformações que trazem consigo e suas influências no campo educacional.

E diante tudo o que foi exposto, cabe ressaltar um outro aspecto relevante na realização deste estudo, que toca em sua utilidade pedagógica e sua importância para a Universidade Federal de Juiz de Fora. Ao formar profissionais, devemos ter em mente a realidade na qual estamos inseridos. E essa realidade mudou.

Os infocentros foram instalados na UFJF, mas importa saber como estão sendo utilizados e se realmente estão atendendo às necessidades dos alunos e aos objetivos propostos em seu projeto. É preciso levar os alunos a pensarem sobre essa utilização, buscando por uma formação que os despertem para uma atitude reflexiva que propicie a adoção de um posicionamento diante das informações que recebem.

Acredito que este trabalho possa trazer contribuições para uma discussão sobre a validade dos infocentros, propiciando reflexões para os alunos sobre as tecnologias que se instauram em nossa sociedade.

Este texto foi dividido em seis capítulos.

No primeiro, realizo uma revisão de literatura, buscando em livros, trabalhos apresentados na ANPEd; periódicos disponíveis no SCIELO e resumos de dissertações e teses encontrados no Portal Capes, discussões sobre a presença do computador/internet nos cursos de formação inicial de professores, especificamente no curso de Pedagogia. Busco, ainda, trabalhos que abordem a existência de infocentros no Brasil e suas implicações para o local no qual estão implantados.

No segundo capítulo, apresento o referencial teórico-metodológico adotado nesta pesquisa, assim como minha visão a respeito de sua elaboração, com base nos autores estudados – Bakhtin e Vygotsky. Assim, trago a concepção de pesquisa, fundamentada por estes autores, orientadora deste trabalho. Descrevo o local estudado, o caminho trilhado para o desenvolvimento da pesquisa e os instrumentos utilizados para sua concretização – análise de documento, observações, entrevistas individuais e coletivas, grupo focal reflexivo. Neste item são, ainda, apontados alguns achados da pesquisa, aprofundados nos capítulos posteriores.

No terceiro capítulo abordo a implantação do infocentro na UFJF: o motivo de ser criado, as expectativas que gerou com sua implantação, o desenrolar desse processo.

No quarto, trabalho com o curso de Pedagogia da UFJF e os sentidos que seus alunos atribuem para o computador/internet em sua formação inicial. Discuto de que forma os professores incentivam (ou não) seus alunos na utilização do infocentro e aponto para o reflexo que este incentivo (ou a falta dele) tem sobre o uso efetivado pelos discentes.

No quinto item trago a questão da inserção do computador/internet na escola, abordando a visão que os alunos do curso de Pedagogia da UFJF têm a respeito desse assunto.

Por fim, trago algumas considerações sobre o infocentro, concluindo sobre a necessidade de envolvimento de todos os atores no processo de real inserção do computador/internet nesta instituição de ensino superior.

Com este trabalho, pretendi discutir desde a elaboração do Projeto do infocentro e as idéias nele apresentadas até seu desenvolvimento e a forma com que os discentes, bolsistas e diretores das unidades responsáveis (Educação, Comunicação, Economia e Administração) receberam sua instalação.




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