The bonds, the mass, the riots



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1. Ruas e shopping centers

Comecemos já pela exposição do caso a ser considerado: as manifestações que (re)emergiram nas ruas do Brasil em junho de 2013 – e que, segundo declarações veiculadas pela mídia, devem ser retomadas nos próximos meses por conta da repercussão da copa do mundo de futebol (junho 2014). Uma das primeiras constatações foi o fato de estas manifestações não terem um líder identificável segundo padrões conhecidos (partido político, seita religiosa, sociedade civil...). Outra constatação foi o fato de terem sido organizadas online, sobretudo através da rede social Facebook e do microblog Twitter.

A onda destas manifestações em grande escala começa em São Paulo, quando a prefeitura e o governo do estado reajustaram os preços das passagens (ônibus, metrô e trens). A mídia noticia e as classifica como vandalismo. O efeito cascata não demora: os protestos se espalham para outras cidades. No Rio de Janeiro, em 17 de junho, mais de cem mil pessoas ocupam as ruas. O aumento do número de participantes é exponencial em todo o país. As manifestações passam a ser mais pacíficas, com grande cobertura midiática e maciça participação popular, bem diferente do que ocorrera de início. Dia 20 de junho, aproximadamente 1,4 milhão de pessoas se manifestam em mais de cento e vinte cidades. Isto, mesmo após serem anunciadas as reduções dos valores das passagens.

As manifestações5 ganharam apoio popular após a forte repressão policial que sofreram. Na ocasião, um vídeo de autoria do coletivo Anonymous6 é lançado em resposta à mídia oficial que enfatizava a falta de reivindicações claras. Nele, são elencados cinco motivos consensuais pelos quais as pessoas estariam se manifestando7. Em curto prazo, o vídeo recebe mais de um milhão de visualizações e tem mais de mil republicações. Agora as reivindicações são múltiplas e seguem um processo semelhante ao já ocorrido em outros países (“Primavera Árabe”, “Occupy Wall Street”, “Los Indignados”). 

Foram as maiores mobilizações no país desde que os chamados “caras pintadas” pediram o impeachment do Presidente Fernando Collor de Mello (1992). Em resposta aos protestos, o governo brasileiro se vê obrigado a anunciar várias medidas e o Congresso Nacional vota em regime de urgência itens (a “agenda positiva”) como: tornar a corrupção crime hediondo, arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional 37/2011 (a PEC 37), a proibição do voto secreto em votações de cassação de mandato de legisladores acusados de irregularidade... Revogam-se também aumentos recentes de tarifas nos transportes em várias cidades do país.

Em dezembro de 2013, outro acontecimento passa a atrair a atenção da mídia e da população. São os chamados “rolezinhos”: encontros marcados (pela internet) por adolescentes, em geral habitantes das periferias das cidades que buscam diversão, conhecer novas pessoas e “zoar”, no estilo flash mob, em ambientes direcionados ao consumo (os shopping centers). Desde agosto, pelo menos, os rolezinhos já ocorriam com certa regularidade em várias cidades, mas ganham repercussão após tumultos e repressão policial registrados em São Paulo quando, em dezembro, comerciantes do Shopping Aricanduva, na Zona Leste, fecham as portas diante de uma agitação seguida de tentativas de roubo. Em outra ocasião, cerca de seis mil jovens ocupam o estacionamento do Shopping Metrô Itaquera, também em São Paulo, e são reprimidos. Dezenas de outros jovens entram no Shopping Internacional de Guarulhos cantando refrões de música funk... Daí os rolezinhos começam a se espalhar pelo país. Muitos já estão agendados para acontecer em várias cidades, agora acrescidos de manifestações de protesto contra o preconceito racial e a segregação social.



Como as manifestações sobre o aumento das tarifas de transporte, os rolezinhos têm se mostrado um movimento difuso que desafia análises de intelectuais e representantes políticos. Eles também contribuíram para reconfigurar o quadro das previsões eleitorais e explicitar o caráter crônico da péssima qualidade dos serviços prestados à população, a impunidade quanto a excessos praticados por políticos, a discriminação social... E, mais importante, deram visibilidade às mudanças de expectativa de vida dos mais jovens. Ao contrário do que ocorreu nas manifestações de junho, no caso dos rolezinhos alguns líderes foram identificados de imediato. São organizadores pela internet, logo chamados para reuniões com políticos e representantes de shopping centers. Um deles, MC Chaveirinho, “tem 20 anos, canta funk há 5 e tem 100 mil seguidores nas redes sociais” (O GLOBO, 2014, p. 3).

Esta descrição sumária dos acontecimentos visa encaminhar considerações sobre os seguintes temas: o líder, a massa e os vínculos que nela se estabelecem.





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