Saúde 197: Inserção do Psicólogo no Programa Saúde da Família: Vislumbrando um Percurso



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Anais do 2º Congresso Brasileiro de Extensão Universitária

Belo Horizonte – 12 a 15 de setembro de 2004


Inserção do Psicólogo no Programa Saúde da Família: Vislumbrando um Percurso

Área Temática de Saúde


Resumo

Este trabalho apresenta reflexões acerca do projeto de extensão “Inserção do psicólogo no Programa Saúde da Família”, desenvolvido entre agosto de 1998 e maio de 2004 junto a pacientes hipertensos e diabéticos assistidos pelo PSF em Vespasiano (MG). Sendo a gestalt-terapia o referencial teórico, buscou-se oferecer assistência clínica visando a melhoria da saúde da população atendida através da atenção para com os aspectos psicológicos, através da ampliação da autoconscientização, facilitação da comunicação e desenvolvimento da responsabilidade dos pacientes não apenas sobre a doença, mas sobre sua vida em geral. A metodologia utilizada constituiu-se de atendimentos individuais, visitas domiciliares, grupos de psicoterapia, grupos temáticos, teatro informativo, participação em reuniões de equipe multidisciplinar de saúde e grupos informativos. Todas as atividades foram realizadas pelos estagiários de Psicologia com supervisão semanal. As avaliações realizadas tanto pelos pacientes atendidos, quanto pelos profissionais das equipes de saúde, através de seus depoimentos indicaram que o projeto foi muito bem-sucedido em relação aos seus objetivos iniciais. Ademais, configurou-se numa excelente oportunidade para o aprimoramento profissional dos alunos de Psicologia envolvidos. Parte dessa experiência culminou em diversos artigos publicados, trabalhos apresentados em eventos científicos e no projeto de tese de Doutorado da coordenadora do projeto.


Autores

Claudia Lins Cardoso - Doutoranda em Psicologia Clínica/PUC-Rio; Mestre em Psicologia Social, Coordenadora do projeto de extensão Inserção do Psicólogo no Programa Saúde da Família

Ivone Maria Mendes Silva - Graduanda em Psicologia.
Instituição

Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG


Palavras-chave: Programa Saúde da Família; psicologia comunitária; psicologia clínica
Introdução e objetivo

O presente trabalho apresenta reflexões sobre o projeto de extensão “Inserção do psicólogo no Programa Saúde da Família”, desenvolvido entre agosto de 1998 e maio de 2004 junto a pacientes hipertensos e diabéticos assistidos pelo PSF em Vespasiano (MG), numa parceria entre o Departamento de Psicologia (FAFICH/UFMG), a Pró-Reitoria de Extensão da UFMG e a Secretaria Municipal de Saúde daquele município. Em cada uma das equipes do Programa Saúde da Família (compostas por um médico, uma enfermeira, uma auxiliar de enfermagem e cinco agentes comunitárias de saúde) havia um estagiário de Psicologia ligado a esse projeto de extensão.

Conforme apresentado por Cardoso (2002), um dos objetivos principais do profissional da Psicologia que atua no Centro de Saúde é atuar junto à comunidade, difundindo informações sobre saúde mental e fazendo uma identificação das pessoas com comprometimentos emocionais que demandem assistência psicológica. A partir disso, propusemos a assistência clínica à população atendida pelo projeto. A tônica do trabalho foi facilitar a comunicação dos pacientes, ampliar sua conscientização e a sua responsabilidade sobre a doença e sobre si mesmo. Nesse sentido, foram delineados os seguintes objetivos específicos:

- atuar junto à comunidade, difundindo informações sobre saúde mental e fazendo uma identificação das pessoas portadoras de diabetes e hipertensão arterial com comprometimentos emocionais que demandem assistência psicológica;


- possibilitar um espaço terapêutico para que as pessoas possam trocar experiências e desenvolver suas potencialidades, a fim de usá-las da forma mais adequada no atendimento de suas necessidades, esperando-se, com isso, beneficiar não apenas o seu quadro clínico, mas também despertá-las para seu potencial na construção de uma vida com mais qualidade;

- atuar junto à equipe do PSF, colaborando com outros profissionais da Saúde, visando a integrar esforços, estimular a reflexão e a troca de informações sobre a população atendida, de modo a facilitar sua avaliação e evolução clínica;


- proporcionar ao estudante de Psicologia a aplicação dos conhecimentos obtidos no curso numa atuação tanto terapêutica quanto preventiva, mediante o atendimento supervisionado dos pacientes e do trabalho desenvolvido junto à equipe interdisciplinar.
Metodologia

Foram desenvolvidas as seguintes atividades:

Grupos Informativos: neles, o objetivo foi a difusão de informações sobre a doença e sua evolução. Normalmente, eram coordenados por um profissional da equipe de saúde.

Grupos de Psicoterapia: tiveram freqüência semanal, duração de 90 minutos e dois estagiários intervindo em sistema de co-terapia. Como a gestalt-terapia é o referencial teórico que permeia todo o trabalho, buscou-se favorecer a conscientização das situações vivenciadas pela pessoa e pelo grupo, de modo a possibilitar o desenvolvimento de recursos para lidar com as experiências, o reconhecimento dos limites e o fortalecimento do auto-apoio, aumentando, assim, a auto-estima. Com isso, o foco das intervenções incide sobre a exploração das experiências e sentimentos trazidos pelos participantes.

Grupos Temáticos: diante do grande número de pacientes contra-indicados para psicoterapia de grupo, optou-se pela oferta de grupos terapêuticos como outra forma de atuação. Diferente daquela, configuraram-se por encontros temáticos de cerca de 60 minutos de duração, sem continuidade entre eles, com composição flutuante, tema previamente definido e esgotado a cada encontro. Tiveram como objetivo investigar a experiência de seus membros a partir do material emergente, enfocando o aspecto emocional, as crenças e ações de cada pessoa, possuindo também conotação pedagógica na medida em que, eventualmente, eram difundidas algumas informações. Esses grupos tiveram uma clara dimensão terapêutica, na medida em que facilitam o insight e a elaboração sobre questões subjetivas, interpessoais e sociais.

Além da perspectiva clínica dos grupos, houve também uma conotação pedagógica, pois eventualmente foram difundidas informações. Os encontros já abordaram diversas questões, dentre as quais, a vivência de fazer uso de medicamentos, a experiência de ser portador de uma doença crônica, a dificuldade em lidar com os limites impostos pela doença, a visão de saúde, os sentimentos, violência, avaliação do trabalho da Psicologia, as preocupações mais recorrentes, a experiência religiosa, avaliação do serviço prestado pelo Programa de Saúde da Família e conflitos nas relações afetivas.

Visita Domiciliar: os estagiários acompanharam a equipe em visitas domiciliares com o objetivo de divulgar o trabalho, conhecer um pouco da realidade das pessoas atendidas e, eventualmente, prestar assistência psicológica a pacientes impossibilitados de comparecerem ao Centro de Saúde.

Atendimento Individual: apesar de a proposta do trabalho ser grupal, houve inúmeras solicitações de atendimento individual. Os estagiários foram orientados no sentido de atender os pacientes, reconhecer a demanda e fazer o encaminhamento pertinente. Aos poucos, os atendimentos individuais foram se delineando como um plantão psicológico.

Teatro Informativo: devido às peculiaridades das atividades desenvolvidas pelos profissionais da Psicologia, surgiu a necessidade da realização de uma palestra para os pacientes, onde seriam explicitadas a proposta da Psicologia e a descrição de algumas características principais: objetivos, sigilo, composição dos grupos, esclarecimentos sobre concepções errôneas a respeito da psicoterapia e do psicólogo. Experiências anteriores demonstraram que a palestra como forma de veicular informações para esse tipo de público não leva a resultados satisfatórios, pois a sua compreensão fica comprometida em função da abstração característica do tema “psicologia”. Nesse sentido, elaborou-se uma peça de teatro, intitulada “Histórias por um Fio: Falando sobre Psicoterapia de Grupo”, cujo objetivo foi ilustrar e informar sobre a assistência psicológica, o psicólogo e as peculiaridades da psicoterapia de grupo de forma lúdica e acessível ao entendimento dos pacientes (Cardoso & Santos, 2000).

Reuniões de equipe: os estagiários de Psicologia participaram de diversas reuniões buscando contribuir com seus objetivos.

Supervisão: todas as atividades realizadas pelos estagiários foram acompanhadas através de supervisão semanal, com cinco horas de duração. O espaço da supervisão foi utilizado para discussão e reflexão dos atendimentos e situações ocorridas ao longo do trabalho. Também ocorreu o compartilhar das vivências dos estagiários em relação ao trabalho na comunidade. Por se tratar de atividades desenvolvidas com uma população carente, os alunos, por vezes, ficaram muito mobilizados e demandaram da supervisora um olhar mais atento não apenas sobre sua atuação, mas sobre sua experiência pessoal, a qual, em alguns momentos, o impediu ou dificultou um discernimento sobre a melhor intervenção.
Resultados e discussão

A reflexão sobre os relatos dos pacientes assistidos desde a fase inicial do projeto demonstra uma mudança gradual na postura diante de si. Fica evidente o maior envolvimento de boa parte deles tanto em relação ao tratamento, quanto às questões cotidianas (por exemplo, várias pessoas começaram a estudar, outras relataram mudanças na dinâmica conjugal e/ou familiar). Muitos parecem ter abandonado a posição de doentes crônicos e assumido a postura de portador de doença crônica (ou seja, não mais se resumindo na doença).

Ao refletirmos sobre a experiência proporcionada pelo trabalho com grupos de pacientes menos favorecidos entendemos que uma das tarefas do psicólogo é facilitar a comunicação, construindo um processo junto com eles, através do qual espera-se ampliar o autoconhecimento dos participantes, o contato com os sentimentos e a responsabilidade consigo mesmo. Os resultados obtidos apontam para o grupo como facilitador do desenvolvimento humano. Além disso, este trabalho na área da saúde busca provocar processos de decisão em relação às questões de saúde abordadas, incentivando o autocuidado, a adesão ao tratamento e a construção de novas formas de ver e promover saúde e qualidade de vida. Vale ressaltar que somente em 2003, foram realizados mais de 200 grupos com cerca de 2300 pessoas presentes.

Nos grupos temáticos, vale destacar que o tema do encontro serviu apenas como estímulo para as pessoas expressarem sua vivência no momento. Quando emergia uma questão que mobilizava mais o grupo, era esta a ser trabalhada, mesmo sendo distinta do tema proposto inicialmente. Nesse espaço, as pessoas tiveram a oportunidade de puxar os fios da memória e expressar seus sentimentos em imagens únicas. Os estagiários foram orientados a não emitirem julgamento de valor, mas a estimular as pessoas a se expressarem e a convidá-las sobre suas falas e sobre os temas emergentes naquele encontro. Isso permite que as pessoas possam revelar sua própria concepção de mundo, a partir de sua própria ótica, o que se revelou muito útil, inclusive para levantar questões, escolher estratégias de informação e de orientação. A partir desse movimento foram possíveis o estabelecimento de um vínculo de confiança e o compartilhar das experiências, o que se mostrou fator terapêutico em função da possibilidade de aprendizagem interpessoal. Questões ligadas à saúde, brigas entre pais e filhos, dificuldades conjugais, alcoolismo, violência e família foram os temas mais recorrentes. Conflitos emergiram e novos significados foram construídos, individual e coletivamente. É esse processo que se configura na beleza e sentido que a expressão e troca de vivências assumem.

Tanto os depoimentos ao longo de todo o projeto, quanto as avaliações feitas pelos próprios pacientes nos grupos cujo objetivo foi a avaliação daqueles sobre as contribuições da assistência psicológica em sua vida, foram bastante positivas. Inúmeros foram os relatos de melhoria em aspectos da vida a partir de uma reformulação pessoal, proporcionada por uma maior reflexão de si e pela oportunidade de troca de experiências nos grupos. Um paciente ilustrou a contribuição dos grupos de Psicologia afirmando o seguinte: “ as palavras são como pedras. Elas pesam quando ficam guardadas dentro da gente. Aqui no grupo a gente sai mais leve porque coloca elas para fora e também pode construir com as pedras que os outros trazem” (sic).

A maioria das ações que foram desenvolvidas de acordo a proposta de atuação do projeto funcionou não apenas como intervenções deliberadas, mas também como indicadores para a melhor compreensão crítica da realidade onde intervimos nestes cinco anos. Muitos benefícios – alguns mais facilmente mensuráveis, outros ainda em processo - foram obtidos pela população. Em relação  às pessoas atendidas, conseguimos perceber a extensão desses benefícios seja por meio dos serviços obtidos (como o acesso a atendimento psicológico, participação nos grupos e em eventos como caminhadas, encontros festivos etc) seja através de mudanças em sua participação na vida comunitária, seu posicionamento em relação a formas de se organizar para enfrentar os problemas comuns e a forma de perceber sua realidade subjetiva.

Nosso papel de facilitadores da comunicação, da construção coletiva junto aos grupos favoreceu, a olhos vistos, o processo de ampliação do autoconhecimento dos participantes, o contato com os sentimentos e a responsabilidade consigo mesmo, incluindo os aspectos não apenas referentes à doença, mas a sua vida como um todo. Enfim, de alguma forma pudemos contribuir para facilitar o desenvolvimento humano.  

Quanto às dificuldades encontradas, um dos maiores desafios foi junto a alguns profissionais da equipe multidisciplinar de saúde, tanto no que se refere ao desprezo diante do trabalho da Psicologia, quanto à algumas posturas assumidas diante de situações envolvendo pacientes. Em diversos momentos nosso trabalho foi dificultado ou impossibilitado pela tensão despertada em algum membro da equipe. Levantamos o questionamento sobre a conscientização dos profissionais acerca das propostas do PSF, especialmente aquelas que se referem à atenção primária á saúde.

O impacto deste projeto de extensão se fez sentir de forma clara na formação profissional dos estudantes de Psicologia que se engajaram como estagiários nos Centros de Saúde. Isso porque foi criado um contexto propício à confrontação da formação acadêmica com a prática e à aplicação dos conhecimentos obtidos no curso, numa atuação tanto terapêutica quanto preventiva, mediante o atendimento supervisionado dos pacientes e do trabalho desenvolvido junto à equipe interdisciplinar. Foram 49 alunos participantes desse projeto. Em sua reflexão final, todos avaliaram positivamente sua participação no projeto, muitos dos quais enfatizaram não apenas a aprendizagem profissional, mas também a pessoal.

A atuação neste projeto também parece ter contribuído para que os estudantes atentassem para inúmeros aspectos do seu processo de formação, pois eles se depararam com importantes questionamentos. Que tipo de profissional se está formando em nossos cursos? Aquele preso às áreas específicas de atuação ou capaz de lidar com as questões mais amplas que atravessam seu universo social?  Outro item de reflexão ao longo das supervisões foi a questão do perfil necessário no trabalho com comunidades carentes, visto que a proximidade com a miséria, a violência, o desemprego e o desamparo institucionalizado por parte dos serviços públicos mobilizam em demasia os profissionais, especialmente aqueles cuja experiência se restringe à clínica particular.

Acredito que o impacto do projeto na realidade mostrou que a identidade do psicólogo deve passar pela construção de um perfil profissional que possa atender diferentes situações, como as institucionais e comunitárias e não apenas se concentrar em intervenções curativas. Nossas reflexões devem incluir, nesse sentido, uma postura crítica sobre as questões políticas e sociais presentes no contexto onde se dá a intervenção do profissional de psicologia. Tais reflexões devem estar presentes ao longo da formação, permitindo que se amplie o debate das questões teóricas e das práticas delas derivadas e, fundamentalmente, discutir a função social do profissional de Psicologia, dentro de uma realidade de pobreza e exclusão da maioria da população.
Desdobramentos

Além das contribuições citadas anteriormente, a experiência proporcionada neste projeto permitiu a publicação de três artigos em periódicos de Psicologia (Cardoso, 2001; 2002; Cardoso & Santos, 2000), dois artigos já aceitos para publicação (Cardoso, 2004; Cardoso, Mayrink e Santos, 2004a) e um encaminhado para apreciação do conselho editorial (Cardoso, Mayrink & Santos, 2004b). Também ocorreram dez apresentações em eventos científicos e a confecção de um vídeo. Em vários destes trabalhos houve participação discente.

O projeto culminou também no meu projeto de tese de Doutorado: A Experiência de Família em Classe Popular: Um Estudo Fenomenológico, aprovado pela banca de seleção da Pós-Graduação da PUC-Rio em dezembro de 2003. É importante registrar que foi a licença para capacitação docente que me impossibilitou de dar prosseguimento ao projeto, em função das normas da UFMG.
Conclusões
Algumas vezes, vivenciamos desafios no processo, mas a percepção e registro dos êxitos, dos impactos positivos, dos bons resultados, mesmo se de pequena monta, estiveram presentes e foram importantes para realimentar o entusiasmo e o compromisso da equipe.

Dessa forma, conseguimos constatar que a atuação do psicólogo deve ir além da formação meramente tecnicista, que só reforça a dicotomia teoria-práxis. A inserção social da psicologia mostra-se clara à medida que, no contato com o trabalho, com as pessoas, refletindo em supervisão, apreendemos a estreita ligação que há entre nosso papel de “promover saúde” e a transformação social propriamente dita.

Assim, para além de se fechar no enquadre curativo, a atuação da psicologia pode se mostrar cada vez mais atenta a um novo modelo que privilegia a promoção de saúde, observando as questões clínicas sim, mas em toda a sua profundidade, ou seja, na sua inter-relação com os aspectos ligados à qualidade de vida e dignidade. É nesse sentido que se vislumbra o maior impacto do trabalho: as pessoas viram-se instigadas a despertar sua própria responsabilidade frente à vida, no sentido de que o tratamento passa a considerar o “ser” doente e não apenas o poder de cura e ajuda da equipe de saúde frente à patologia.

Outra questão relevante refere-se à importância de se considerar a perspectiva da comunidade. A utilização do método fenomenológico, proposto pela abordagem gestáltica, enfatizando uma postura flexível e aberta, permitiu uma aproximação com as pessoas atendidas e o acesso às suas experiências e compreensão do mundo, fazendo diferença significativa não só na relação estabelecida entre nós, mas especialmente na qualidade dos serviços prestados. Nesse sentido, o cuidado dos profissionais com a adequação da linguagem utilizada, tornado-a acessível aos pacientes se torna fundamental para o estabelecimento de um canal de comunicação com a comunidade a qual permita a troca de saberes. Além disso, é importante considerar a perspectiva e a “lógica” de alguns pacientes para que seja possível acessar o universo cultural deles, muitas vezes tão distinto do profissional da saúde. A experiência que nem sempre os profissionais prestam atenção a isso. Em alguns momentos os estagiários de Psicologia funcionaram como intérpretes entre algum membro da equipe de saúde e um paciente.

Como coordenadora do projeto, acumulei uma imensa bagagem a partir dessa experiência, tanto em termos pessoais, quanto profissionais. Deparei-me com situações que me emocionaram (frente aos depoimentos das pessoas da comunidade e até mesmo de alunos em supervisão), me inquietaram, me instigaram a buscar instrumentos e a aprimorar meus conhecimentos a fim de prestar um serviço de melhor qualidade, me revoltaram (diante de determinadas atitudes de alguns profissionais perante outro ou em relação a algum paciente, ou mesmo diante dos entraves institucionais), me levaram a questionar meus próprios referenciais de vida, me sensibilizaram com cada conquista relatada pelas pessoas envolvidas no projeto (fossem pacientes, alunos ou colegas).

Difícil resumir em palavras a miríade de emoções, reflexões e questionamentos experimentados. Diante da impossibilidade de continuar trabalhando no projeto junto à comunidade, fica o desafio de sistematizar a experiência e divulgá-la nos meios pertinentes. Inúmeros foram os desafios e as dificuldades, mas igualmente as possibilidades. Ficam a certeza da contribuição social que o psicólogo pode oferecer e o desejo de aprimoramento profissional visando a prestação de um serviço cada vez maior não apenas à comunidade, mas também aos alunos em formação. Creio ser essa uma das maiores contribuições dos programas de extensão universitária.


Referências bibliográficas

CARDOSO, C. L. (2001) O Gestalt-terapeuta na Comunidade: Des-cobrindo a autenticidade do sujeito. Revista do VII Encontro Goiano da Abordagem Gestáltica, n. 7, 95-108.

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CARDOSO, C. L., MAYRINK, A. R., SANTOS, G. F. (2004a). Aplicações da Gestalt-terapia no trabalho clínico com comunidades. Revista de Gestalt. n. 12, no prelo.

CARDOSO, C. L., MAYRINK, A. R., SANTOS, G. F. (200b). O Psicólogo clínico na Comunidade : Possibilidades e desafios. Artigo encaminhado para publicação.



CARDOSO, C. L. & SANTOS, P. (2000). Histórias por um fio: Teatro Informativo sobre Psicoterapia de Grupo. Insight, ano X, n. 108, julho, 25-29.
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