Relato memorial sobre a minha educaçÃO



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A escola em mim

Ano de 1991. Sem a aprovação no vestibular e determinada a ser alguém na vida resolvi que iria trabalhar. Consegui meu primeiro emprego de meio período, pois sabia que não deveria abrir mão de estudar. Desta feita, faria um cursinho pré-vestibular. Eu trabalhava numa locadora de vídeo de propriedade de meu tio/padrinho. Comecei a fazer algum dinheiro, o que me deu um prazer enorme! Jamais esquecerei a primeira compra com o meu primeiro salário: uma calça preta semi-bag! Foi maravilhosa a sensação de liberdade e autonomia, foi fascinante... mas algo me faltava, embora a essa altura dos acontecimentos a relação com a minha mãe já houvesse se restabelecido.

Entretanto, o trabalho começou a me consumir mais tempo do que eu imaginava. Apesar de estar matriculada em um cursinho pré-vestibular, na maioria das manhãs eu dormia de tão cansada. A experiência de estar numa sala de aula onde o conteúdo passado me parecia familiar, embora não o dominasse, deixou-me claro que não tinha adquirido no colegial a base necessária para acompanhar o que estava sendo abordado pelos professores do cursinho, principalmente em Física, Química e Matemática. Renovei minha matrícula no meio do ano num módulo “intensivo”, ou seja, em seis meses eu veria o que a maioria estaria vendo em um ano. Muito bem, entendi que deveria fazer uma revisão em matemática em casa, mas passei três meses estudando “funções” e aí chegou a época de fazer a inscrição no vestibular.

Fui à universidade para fazer minha inscrição de vestibular. Já não havia obtido aprovação no primeiro vestibular para Direito, por isso, não quis insistir. Eu costumava dizer que iria sempre fazer vestibular, pois um dia o computador iria se cansar do meu nome e iria me inserir na lista dos aprovados! Imagine só! Eu nunca pensei em parar de estudar!

Eu estava decidida de que não poderia não passar, pois não passar no vestibular atrapalharia os meus planos de ser alguém na vida. O meu raciocínio era o seguinte: O que eu quero da vida? Ser independente. Para ser independente, do que preciso? De segurança financeira. Como consigo isso? Casando com alguém rico ou trabalhando em algo que dê muito dinheiro. Conheço e gosto de alguém rico com quem possa me casar? Não. E ademais, só quero me casar por amor. Então, qual a profissão que dá muito dinheiro? Informática, Engenharias, Advocacia, Medicina. É alguma dessas coisas que você quer fazer para o resto de sua vida? Deus me livre! E agora? Qual o caminho? Fazer o que pensa que lhe deixe feliz, por que se eu não fizer dinheiro pelo menos serei feliz!

Aí foi quando me lembrei do que minha mãe me dizia, desde eu muito pequena, para sempre que escolher fazer uma coisa fazê-la bem feito, e só se faz bem feito o que se faz com prazer! Refletindo sobre isso, tomei um ônibus e com o formulário de inscrição na mão me dirigi à Universidade. Foi quando percebi que a profissão que iria me garantir um futuro bom, um futuro de quem “tinha vencido na vida” seria a profissão em que eu pudesse ser feliz (segundo o raciocínio de mamãe). O que eu pensava que poderia fazer com maestria era Jornalismo (Comunicação Social). Pensei: “eu me relaciono bem com as pessoas, gosto de conversar, quero viajar muito... Puxa! Como eu gostaria de ser alguém como Glória Maria, Marília Gabriela! Já sei, tenho tudo a ver com Jornalismo. Tenho até um tio já falecido que foi considerado era bastante considerado entre os jornalistas do Estado! Pronto! Encontrei!”.

E olhei as ruas pela janela do ônibus!

Chegou o ponto em que eu deveria descer. Desci e fui até uma banca de revista que há até hoje no Centro de Convivência do Campus da UFRN em Natal/RN. Procurava balas ou chicletes. Já passava das 15h. Deparei-me com uns candidatos folheando uma revista chamada “Guia do Estudante”, cujo público alvo era os vestibulandos. Por alguns minutos folheei uma delas e, não sei o porquê, deparei-me olhando sobre o curso de Psicologia. Lá falava sobre a profissão, mercado de trabalho, sobre as áreas de atuação, as características necessárias a um bom profissional da área, entre elas: empatia. Na hora, eu li simpatia. Como me considerava simpática cri que já tinha o requisito básico. E agora? Jornalismo ou Psicologia? Fui para a fila de entrega do formulário. Preenchi tudo só faltava colocar o código e o nome do Curso de primeira opção. Só faltava uma pessoa para a minha vez, quando, não sei racionalmente até hoje o por quê, preenchi: cód: 123A, Curso: PSICOLOGIA.

Nem todos da minha família receberam bem a notícia de que havia me inscrito no vestibular para o Curso de Psicologia. Por causa disso eu chorei muito naquela noite. E decidi baseada no Jogo do Contente, como Polliana, que aquilo me motivaria ainda mais para passar no vestibular e “ser a melhor psicóloga que pudesse ser”. Ainda que o medo me assolasse e me fizesse questionar: o que é ser uma boa psicóloga? Bem, melhor ir por partes. Primeiro eu passaria no vestibular, depois veria o que poderia fazer na Psicologia que me desse prazer!

Caprichei naquilo que sabia que aumentaria o meu argumento no cômputo final do vestibular – a redação. Não fui muito bem nas provas de exatas. Mas, fui aprovada! Foi outra grande sensação de vitória que senti na vida (a primeira foi escrever o “r” em letra cursiva quando criança)! Minha carreira começou ali. Naquele dia 20 de janeiro de 1992.

Em março do mesmo ano começaram as aulas. A primeira semana, que no Curso de Psicologia se chamava semana de integração, foi determinante para as minhas escolhas posteriores. Participamos de técnicas de dinâmica de grupo, conhecemos-nos na turma e aos professores também. Lá pelo terceiro dia havia uma programação em que cada representante das diferentes áreas de atuação da Psicologia nos falaria um pouco sobre a atuação e sobre o campo de trabalho. Havia um homem ao canto que falou quase que por último sobre tal Psicologia Organizacional. Depois que ele falou esqueci dos meus planos de fazer dinheiro e voltei a ser aquela menina que gostava de fantasiar. Imaginei-me trabalhando numa grande empresa, sendo a gerente de Recursos Humanos. Eu conversava com as pessoas, fazia-as se sentirem melhor em seus postos de trabalho. Organizava confraternizações para os funcionários (quiçá uma festa junina!) Estava feliz, sorridente, vestia um tailler e mantinha um coque no cabelo, bem chique! Bingo! É algo parecido com isso que eu quero fazer o restante da minha vida!

Com a aprovação no vestibular deixei o trabalho na locadora para me dedicar ao curso que ofertava disciplinas durante o dia todo. Renovei meu gosto pela leitura e conheci pessoas incomparáveis. Fiz amigas as quais conservo até hoje e convivi com professores fenomenais.




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