Questões sobre psicologia do desenvolvimento


A interação da hereditariedade com o ambiente



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2.3 A interação da hereditariedade com o ambiente
O melhor argumento a favor da influência ambiental na formação da personalidade encontra-se no estudo desenvolvido com gêmeos idênticos, que são criados em lugares diferentes por diferentes pessoas. Podem ser encontradas diferenças quanto à estatura e seus Q.I., conceito social, pessoal e metas de trabalho. O meio ambiente desempenha importante papel nessa diferenciação.

Newman, Freeman e Holzinger (1937) observaram pares de gêmeos idênticos que haviam crescido separados. De modo geral, quando após as observações os gêmeos foram colocados em situação de teste, obtiveram resultados muito parecidos nos testes de nível mental, mas essa semelhança não foi acentuada nas provas de personalidade e nas de capacidade motora.

Atualmente é mais sábio analisar que tanto a hereditariedade quanto o meio ambiente são essenciais para a formação de comportamentos do que a discussão a respeito se a hereditariedade ou o meio é mais significativo na formação da pessoa.

A hereditariedade e o meio interagem continuamente, influenciando o desenvolvimento. A hereditariedade programa as potencialidades humanas, o meio faz essas potencialidades se desenvolverem ou não, para mais ou para menos. O potencial hereditário de uma pessoa pode ser nutrido ou sufocado, dependendo do tipo, da quantidade e da qualidade de seus encontros ambientais e dependendo ainda de quando esses encontros ocorram (eles podem ser cedo demais ou tarde demais, impedindo que se tenha o máximo de seus efeitos benéficos).

Por outro lado, por vezes, o meio ambiente estimula a pessoa para desenvolver algum comportamento, mas o organismo não está “pronto” ainda para receber determinada estimulação, num plano evolutivo ou no plano do desenvolvimento natural do ser humano. Ex: cadeira “anda-já”, a mãe quer estimular o filho a andar, mas seus membros não estão ainda prontos para tanto. O que acontece? A criança pode ficar com as “pernas de alicate” (arqueadas).
Vejamos outro exemplo da importância da hereditariedade para que o meio possa agir. No Estado de Indiana (EUA), o pesquisador Kellogg e sua esposa criaram uma macaquinha (nome: Gua), junto com seu filhinho Donald. Gua aprendeu a dormir na cama, comer à mesa, usar o copo, xícara e talher, brincar com brinquedos de crianças e entender frases simples. Nunca, porém conseguiu falar. Esse estudou de Kellogg mostrou que a hereditariedade estabelece limites que não podem ser ultrapassados. Dentro desses limites, porém, um comportamento resulta da experiência e do treino, isto é, do ambiente.
Enfim, se a dotação hereditária de fulano o predispõe a ser baixo em altura, ele jamais crescerá para ultrapassar o metro e oitenta; mas se ele tiver boa assistência e tomar boas decisões quanto à saúde, ele ficará mais alto do que seria se fosse criado em um ambiente apertado e tivesse muito pouco alimento, muito pouco exercício e muito pouco amor.

Muitos fatores influenciam o crescimento e o desenvolvimento humanos. Esses elementos são uma parte integrante das várias subculturas às quais todas as pessoas pertencem. Raça, sexo, antecedente étnico e situação sócio-econômica, tudo influencia o desenvolvimento, do mesmo modo que a hereditariedade. O desconhecimento dos fatores ambientais que influenciam um determinado indivíduo deixa grandes lacunas em nosso entendimento sobre essa pessoa e limita nossos meios para ajudá-la a desenvolver seu potencial completo.

Cada ser humano é diferente porque cada um traz diferentes experiências de vida, e portanto, é emocional, intelectual e socialmente diferente dos demais.

Saber como as pessoas desenvolvem as idéias e quais são as suas necessidades é fundamental para a formação do profissional e é igualmente fundamental que todo profissional se conheça bem.

Em quase todas as profissões uma pessoa interage com outras pessoas diferentes. A maior dificuldade em lidar com as pessoas está em saber que duas pessoas não reagirão de maneira idêntica e que devem ser respeitadas em suas diferenças.

Se você aprender a importância da formação diferenciada da complexidade humana, você já estará com as portas abertas para compreender melhor a psicologia do comportamento humano.





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