Quero fazer os poemas das coisas materiais, pois imagino que esses hão de ser



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6.7. FINALIZANDO

Para finalizar, existem dois assuntos que devem ser abordados. Um é a minha opinião pessoal sobre a questão da bioenergia. A finalidade deste trabalho não foi expor minhas idéias sobre o tema. O que pretendi foi como que costurar uma colcha de retalhos relativa às várias concepções e aos diversos aspectos do problema e suas ramificações, sistematizar o tema de maneira um pouco mais aprofundada, e apontar caminhos de pesquisa e discussão. Entretanto, creio que seria intelectualmente desonesto não explicitar o meu ponto de vista. Mesmo sabendo que necessariamente incorrerei no desagrado de muitos, pois são tantas, e tão diferentes, as opiniões sobre bioenergia, que qualquer posicionamento conflitará com boa parte delas, de um lado ou de outro.

O que eu acho é que existem ótimas razões (práticas) para acreditar que existe mesmo uma bioenergia. E que existem excelentes razões (teóricas) para crer que esse conceito não passa de uma bobagem mal sistematizada e mal fundamentada. Minha solução pessoal neste momento é encarar a bioenergia como uma metáfora útil no trabalho clínico de psicoterapia. Ou seja, apesar de ter muitas dúvidas sobre se existe ou não uma bioenergia, e, existindo, o que seja ela exatamente, sinto que o conceito é bastante útil para entender e descrever muitos procedimentos técnicos, muitas reações somáticas e psíquicas em mim e nos demais, e para me comunicar com colegas e alunos. É obrigatoriamente uma postura provisória, pois acredito que o aprofundamento da questão levará a que a balança penda para um dos lados. Entretanto, o que eu sei atualmente sobre o assunto não me permite jogar fora o conceito de bioenergia, e nem aceitá-lo inteiramente. Creio mesmo que foi este conflito interno que me levou a escrever o presente trabalho, como uma tentativa de começar a resolver esta dúvida.

O segundo ponto é relativo à pessoa de Wilhelm Reich. O contato com suas teorias nos leva a questionar se esse homem terá sido um dos maiores gênios da humanidade, um louco paranóico, um charlatão, um mártir, ou simplesmente um inovador com algumas contribuições válidas e outras incorretas. Esta dúvida não é puramente intelectual, e atinge a própria identidade profissional de nós que nos denominamos de psicoterapeutas reichianos ou neo-reichianos. Esta questão costuma provocar discussões apaixonadas, e creio que ainda está longe de ser resolvida satisfatoriamente. De qualquer modo, é interessante notar que mesmo admiradores seus, e continuadores de sua obra, como Boadella (5), Lowen (36) e Pierrakos (46), levantam algumas dúvidas em relação à sua sanidade mental no fim da vida, em especial após o Experimento Oranur.

Não deixa de ser curioso que um indivíduo tido por tantos como louco, e encarcerado por charlatanismo, tenha ainda, mais de 31 anos após a sua morte, tanta influência na teoria e técnica das psicoterapias, influenciando uma multidão de linhas e gerando descendência intelectual. É intrigante também o fato de que as teorias denunciadas como falsas sejam tão semelhantes a conceitos que insistem em surgir ao longo das diversas épocas e culturas nos grandes sistemas de cura, e ainda hoje persistem em práticas difundidas e aceitas como a homeopatia e a acupuntura.

De qualquer modo, no mínimo debitam-se a Reich algumas contribuições de enorme importância: 1) a abertura do terreno da integração do corpo à psicoterapia: mesmo que todas as suas concepções se mostrem incorretas, sempre será necessário reverenciar sua coragem intelectual e existencial (enfrentamento de perseguições) de trazer à cena o corpo esquecido e negligenciado; 2) seu papel como um dos pilares teóricos da chamada revolução sexual, onde se dá o mesmo que já comentamos em relação à psicoterapia.

Além disso, Reich, enquanto criador intelectual, andou por vários campos, e suas concepções mudaram muito ao longo de sua vida. Neste sentido, acredito ser impossível uma aceitação ou rejeição globais de sua obra. Cada aspecto merece ser analisado isoladamente, sem perder sua conexão com o todo. A Orgonomia, a análise do caráter, as teorias sobre a função do orgasmo, a vegetoterapia, as idéias sobre sexualidade e política, são alguns destes campos.

Agradecimentos: Camila S. Gonçalves, Carlos R. Briganti, Frederico A. N. Berardo, Germano B. Rego, Gerson Fujyiama, Gurumayi Chidvilasananda, José Eluf Neto, Leia Cardenuto, Marcos N. Martins, Maria Melo Azevedo, Regina Favre, Sandra Sofiati.



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