Quero fazer os poemas das coisas materiais, pois imagino que esses hão de ser



Baixar 129.5 Kb.
Página19/31
Encontro27.05.2018
Tamanho129.5 Kb.
1   ...   15   16   17   18   19   20   21   22   ...   31
6. CONCLUSÕES

6.1. A QUESTÃO DOS FATOS

O fundamental nessa questão toda é que somos “curadores”. E como tal, temos não só o direito, mas principalmente o dever de buscar tudo que possa nos auxiliar nessa difícil tarefa. Encontramos coisas válidas na ciência, na arte, na religião, na filosofia, na política, no esporte, e isso sem esgotar as possibilidades da experiência humana.

Se os nossos fundamentos parecem frágeis aos olhos da ciência, temos o apoio dos fatos, da nossa prática. Qualquer um que se submeta a um processo terapêutico reichiano ou neo-reichiano poderá experienciar coisas que transformam, mobilizam, desbloqueiam, vitalizam. Se isso não puder ser explicado pela bioenergia, cabe então pedir aos cientistas que eles nos expliquem porque é que tudo isso funciona assim dando a impressão de que existe mesmo essa tal de força vital. Parece suceder algo semelhante ao que ocorre com a homeopatia e a acupuntura: seus conceitos são absurdos do ponto de vista da ciência oficial, porém a coisa aparentemente é eficaz! Como dizem os italianos, “se non è vero, è bene trovato”, ou seja, parece haver algo que age nesse nível, e que tem sido descrito com grandes semelhanças ao longo das diversas culturas e épocas.

Segundo Magee (37, p. 48), expondo idéias de Popper, pode ocorrer de uma hipótese errônea ter algum conteúdo de verdade. Por exemplo, se hoje é terça-feira e eu digo que é segunda-feira, isto está errado. Porém esta afirmação falsa permite chegar a conclusões verdadeiras, como de que “estamos no início da semana”, ou “hoje não é fim de semana”. Dessa maneira, talvez se possa dizer que as teorias sobre bioenergia, mesmo que estejam erradas, constituem uma aproximação à verdade, ou contêm verdades que são um avanço em relação à ignorância, ao desconhecido. Em assim sendo, parece ser mais apropriado avançarmos em direção ao esclarecimento da verdade sobre o assunto do que simplesmente descartar as concepções “anticientíficas” apresentadas neste artigo, o que seria retroceder à ignorância existente antes do surgimento destas teorias e técnicas relacionadas à bioenergia.

Alguns exemplos na história do conhecimento médico podem corroborar o que foi afirmado. Encontram-se referências na Antigüidade e na Idade Média sobre o costume de isolar-se indivíduos afetados por algumas doenças contagiosas, sendo que foi somente em 1546 que pela primeira vez declarou-se explicitamente (De Contagione, de Girolamo Fracastoro) a teoria de que doenças específicas resultam de contágios específicos, ainda sem menção à hipótese de microorganismos como agentes causadores (34, p. 20). Ou seja, as teorias “anticientíficas” sobre algumas doenças contagiosas, muito anteriores à teoria microbiana, levavam muitas vezes a atitudes adequadas e corretas.

Outro exemplo é o clássico estudo de John Snow sobre a transmissão do cólera em Londres. Seu estudo, em 1854, mostrou que alguma coisa, um “veneno colérico”, estava associado à água consumida pelas pessoas. Isto fez com que se tornasse obrigatória a filtragem de toda água fornecida à cidade a partir de 1857, com grande diminuição da mortalidade por cólera. Recorde-se que foi só em 1863 que Leeuwenhoek descobriu a existência de microorganismos, através do uso de microscópio, e que o vibrião colérico só foi identificado em 1883 por Robert Koch (34, p. 20-30).

Um exemplo brasileiro pode ser visto em trecho publicado na Gazeta Médica da Bahia de 1868 (23):

“Causas e remédios do escorbuto. De todas as causas determinantes do escorbuto as mais poderosas, segundo Lind, são sem duvida a humidade e o frio. Todas as mais, a que geralmente se attribúe esta doença não são mais do que predisponentes, que continuadas aggravam a doença, auxiliando as primeiras. N'este caso estão o uso ou antes abuso do sal marinho, a falta de vegetaes frescos, as águas potáveis de má qualidade ou em más condições.

A prova do que vai dito está na isenção, que ordinariamente têem os officiaes de marinha, por que possuem mais e melhores meios à sua disposição para se preservarem do frio e da humidade.

Para remediar pois aquelas duas grandes causas etiológicas, convém estabelecer-se a bordo dos navios, alem da ventilação e arejamento, muitos braseiros pelas partes mais profundas e humidas das embarcações, e aproveitar o fogo da cozinha por meio de tubos, que passem pelas escotilhas e baterias, afim de aquecerem quanto possível as equipagens.

O melhor preservativo do escorbuto, é conservar a limpeza e o calor.

Para auxiliar estes dois meios prophylacticos e curativos do escorbuto, reputa tambem Lind muito efficaz o uso das laranjas e dos limões.”

Hoje em dia se sabe que o escorbuto é causado pela deficiência de vitamina C e os “meios auxiliares e secundários” são na verdade a única terapêutica eficaz.

A partir destes exemplos percebe-se que a validade prática de muitas concepções não está atrelada à sua veracidade ou à sua exatidão. Se fossemos esperar pela comprovação científica definitiva das causas das doenças descritas acima antes de agir, teríamos que contabilizar muitas mortes a mais por escorbuto, cólera, e doenças contagiosas diversas. Ao contrário, a utilização de conceitos errôneos porém eficazes permitiu não só que se salvasse pessoas mas também apontou caminhos futuros para a evolução do conhecimento.

É difícil, ou mesmo impossível, dizer qual destes exemplos corresponde melhor à situação das teorias sobre bioenergia. Distantes da verdade como as teorias medievais relativas ao contágio de doenças; próximas da verdade mas errando na ênfase dada, como a teoria sobre o escorbuto; ou verdadeiras mas imprecisas, como a questão do cólera; ou algo diferente destes exemplos, só o tempo dirá. De qualquer modo, parece estar claro que a validade prática das teorias e técnicas relacionadas com a bioenergia, ou com outros campos do conhecimento, não está necessariamente vinculada ao grau de verdade nelas contido. Isto não contradiz, é claro, a busca do conhecimento da realidade como forma de clarear o que é que está acontecendo exatamente, quais são os procedimentos que têm utilidade, e porque isso acontece.



Baixar 129.5 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   15   16   17   18   19   20   21   22   ...   31




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual