Psicopedagogia clínica: caminhos teóricos e práticos makeliny Oliveira Gomes Nogueira, Daniela Leal



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Sara Pain (1992, p. 72)

Neste capítulo final, buscaremos discutir como se dá a elaboração de um informe psicopedagógico, tanto como forma de registro do psicopedagogo como de elaboração das ideias centrais analisadas durante o processo de diagnóstico do sujeito com algum tipo de dificuldade no processo escolar, para que seja dada uma devolutiva para pais, professores, escolas e demais profissionais
envolvidos no processo, bem como um recurso que nos dá subsí­dio para compreender e traçar um trabalho interventivo com o sujeito em questão.





O informe psicopedagógico tem sido um grande desafio para muitos psicopedagogos, pois, além de estar contido nele todas as informações obtidas durante a aplicação das provas (estudadas nos capítulos anteriores), faz-se necessário a análise detalhada do relatório para que se chegue a um possível diagnóstico , bem como a um futuro prognóstico . Não devemos nos esquecer de que é por meio desse informe que se elabora o relatório que será encaminhado e/ou comunicado (devolução) aos pais, professores e demais profissionais envolvidos com o sujeito avaliado.

Na prática de sala de aula dos cursos de pós-graduação em Psico­pedagogia, esse desafio é uma constante, pois os alunos (futuros especialistas) aprendem gradualmente o que fazer, como fazer, que testes aplicar, enfim, que procedimentos utilizar diante do caso de um aluno com dificuldades no processo de escolarização. Contudo, com a aproximação do final do curso, surge entre os alunos o desespero de não saberem como sistematizar todas as informações obtidas em um único documento, ou seja, no informe psicopedagógico.

Nesse sentido, procuraremos, neste capítulo, trazer ao leitor a origem do informe psicopedagógico, assim como quais são suas etapas e os procedimentos que levam à elaboração deste, para que tanto o psicopedagogo como os demais sujeitos envolvidos no processo possam compreendê-lo de forma coesa e precisa.

6.1
O surgimento do informe psicopedagógico



Para darmos início ao resgate histórico do informe psicopedagógico, não podemos deixar de nos remeter ao surgimento e à construção histórica da psicopedagogia, pois, se em seus primórdios essa área do conhecimento tinha como marca a sua origem na psicologia – principalmente na psicanálise – e na pedagogia, o informe psicopedagógico também tinha raízes firmes e profundas no
psicodiagnóstico . Foi somente com o passar do tempo que este ­ganhou outras características, assim como a psicopedagogia.

De acordo com Sinattolli (2008, p. 58), em relação aos testes, apesar de terem sidos criados na Europa, “não se tem dúvida que foi nos Estados Unidos que floresceram de maneira inusitada. Com efeito, tanto na clínica psiquiátrica como no mundo da educação e no âmbito do trabalho nas organizações”, como a forma mais adequada de diagnóstico, orientação e seleção.

Segundo a mesma autora, ao falarmos em psicodiagnóstico devemos nos remeter à palavra diagnostikós, termo de origem grega que indica “discernimento, faculdade de conhecer, de ver através de [...] possibilidade de conhecimento que vai além daquela que o senso comum pode dar, ou seja, a possibilidade de significar a realidade, que faz uso de conceitos, noções e teorias científicas” (Trinca, citado por Sinattolli, 2008, p. 58).

Diante da ampla, mas precisa, descrição de diagnóstico revelada anteriormente é que, durante os anos de 1970, os testes foram subme­tidos a uma importante crítica com relação a seu valor cientí­fico e, assim, passou-se a admitir que os testes “são apenas alguns dos instrumentos utilizados para recolher informação sobre o sujei­to, contrastar as hipóteses formuladas e tomar decisões sobre os objetivos do caso, quer como psicodiagnóstico, orientação, seleção, tratamento ou encaminhamento” (Sinattolli, 2008, p. 57).

Contudo, apesar de na década de 1970 e ao longo da década de 1980 a psicopedagogia no Brasil ter construído seus instrumentos de análise e diagnóstico pautados na concepção da psicologia –


o que é até hoje motivo de grandes discussões entre o Conselho Nacional de Psicologia e a Associação Brasileira de Psicopedagogia para regulamentação da profissão –, na década de 1990 a psicopedagogia começou a tomar novos rumos, tanto para diagnosticar quanto para registrar as hipóteses e os resultados obtidos por seus instrumentos de trabalho.

Para Porto (2009, p. 3), pautada em Rubinstein, o diagnóstico psicopedagógico é utilizado para detectar problemas de aprendizagem, ou seja, ele é um processo de investigação no qual “o psico­pedagogo assemelha-se a um detetive à procura de pistas, sele­cionando-as e centrando-se na investigação de todo o processo de aprendizagem, levando em conta a totalidade dos fatores envolvidos”. A autora chega à conclusão que o diagnóstico psicopedagógico é em si uma das intervenções do psicopedagogo para com o sujeito, a família, a escola e os demais envolvidos com o processo.

Seguindo essa mesma linha de pensamento, Griz (2009, p. 128-129) concorda com a afirmativa anteriormente exposta ao dizer que:



Para a Psicopedagogia, não se trata de enquadrar o indivíduo em categorias patológicas que possam vir, no futuro, a rotulá-lo, aumentando, assim, sua baixa estima, seu bloqueio para o processo de aprender. O que o psicopedagogo busca é compreender a modalidade de aprendizagem do indivíduo e o que está ocorrendo nessa modalidade para que não tenha sucesso ao investir na aprendizagem. É buscar os dados de sua vida orgânica, cognitiva, emocional e social, para que, de forma global, possa integrar os dados encontrados, analisá-los e chegar a uma hipótese diagnóstica que possibilite o início de uma ação capaz de ajudar o sujeito a retomar o prazer de aprender e a mostrar-lhe sua capacidade para tal, dando-lhe o sentimento de competência.

Nesse sentido, compreendemos que tal hipótese diagnóstica pode ser provisória, sendo modificada ou confirmada ao longo de todo o processo psicopedagógico, só obtendo clareza no final do acompanhamento interventivo.

Afinal, segundo Griz (2009), o diagnóstico é baseado em dois conceitos fundamentais e complementares: o conceito do ser humano e o de problema de aprendizagem. Como bem afirma a autora (2009, p. 128):

O ser humano é uma unidade complexa, pluridimensional, transversalizado pela afetividade e pelas relações vinculares. Por estar em relação é contextualizado, devendo tornar-se sujeito da construção de seu próprio saber. Os problemas de aprendizagem estão ligados ao indivíduo como um todo, e o sintoma que emerge do processo de aprender coloca em cena a pessoa total, não existindo causas independentes mas, sim, produtos de uma estrutura global.

E, mais,


Seguindo essa linha de pensamento, devemos compreender a aprendizagem humana como uma rede plena de interações, vínculos, compromissos e papéis, que constituem um sistema complexo, no qual devemos atuar. Aí teremos o envolvimento não só do aprendente como também da família, da escola, da sociedade, permeados por uma filosofia, uma ideologia e uma política governamental [...]. Ademais, faz-se necessário visualizar possibilidades de atuar no plano da subjetividade, pois não há testes e programas elaborados previamente que possam esgotar a diversidade de cada sujeito [...]. (p. 132)

Posto isso e diante desse pequeno resgate do que é o diagnóstico psicopedagógico (discutido amplamente nos capítulos anteriores), passaremos a discutir como se dá a construção do informe psicopedagógico, pautado na vertente de uma psicopedagogia que analisa o sujeito em todos os seus aspectos e não somente por intermédio de provas psicodiagnósticas.

6.2
Elaboração de informe psicopedagógico

Uma vez que o psicopedagogo reúne o maior número de informações possíveis sobre os diferentes aspectos que envolvem as dificuldades de aprendizagem durante o processo diagnóstico, o profissional deverá se preparar para sistematizar todas essas informações de forma coesa e precisa por intermédio do informe psicopedagógico.

Segundo Weiss (2001, p. 137),

Ao final do diagnóstico psicopedagógico, o [...] [psicopedagogo] já deve ter formado uma visão global do [...] [sujeito]17 e sua contextualização na família, na escola e no meio social em que vive. Deve ter uma compreensão do seu Modelo de Aprendizagem, o que já aprendeu, o que pode aprender do ponto de vista cognitivo e afetivo-social, que recursos possui, se os mobiliza ou não, que direção tomam seus interesses e motivações na busca do conhecimento.

Nesse sentido, o psicopedagogo, ao estabelecer uma reflexão sobre esse mapeamento do sujeito, conseguirá pensar de forma mais clara e detalhada sobre as estratégias didáticas que poderão ser eficazes para cada situação. Contudo, segundo Carlberg (2000), para que tais estratégias sejam eficazes e para que o informe psicopedagógico se torne mais preciso, faz-se necessário ter clareza do objetivo, do uso e da função do relatório dentro do processo diagnóstico.

De acordo com a autora, a palavra informe já indica porque esta é a mais completa entre outras terminologias, “pois se refere à fotografia de uma conjuntura complexa que, no caso da Psicopedagogia, é o que se pretende ao final de um diagnóstico: uma fotografia do sujeito pesquisado. Fotografia, no sentido de ‘um jeito de ver, de observar a realidade’” (Carlberg, 2000).

Para tanto, faz-se necessário seguir alguns passos, ou, nas palavras de Carlberg (2000), “temos que aprender a comunicar ao outro as conclusões, sem agredir, sem gerar culpas, tentando esclarecer [...] aquilo que, segundo o nosso ponto de vista, percebemos como sintomas, obstáculos e possíveis causas”.

O primeiro passo, de acordo com a autora, deve levar em consideração a quem se destina o informe psicopedagógico. Quando escrevemos para um colega de área ou áreas afins, o conteúdo utilizado pode ser mais técnico; já quando escrevemos para um pai ou uma escola, devemos tomar cuidado para não expormos ou rotularmos o sujeito. Afinal, descrevemos o indivíduo como ele está no momento e não como ele é de fato.

No segundo passo, faz-se necessário verificarmos qual a forma de apresentação que será utilizada, pois o informe psicopedagógico é um documento escrito que permanecerá existindo independentemente do que é verbalizado durante a avaliação diagnóstica, bem como durante a devolutiva para pais, professores, escolas e demais profissionais envolvidos. “É um documento assinado por seu autor, um profissional que trata de dificuldades de aprendizagem, portanto, deve haver um compromisso com a qualidade da forma e do conteúdo” (Carlberg, 2000).

O terceiro e mais importante passo é o conteúdo que será escrito no informe, pois é este que caracterizará o sujeito em questão. Para tanto, Carlberg (2000) sugere que sigam os cinco passos para a descrição do conteúdo:

1. Introdução (apresentação do sujeito – nome completo, idade, filiação, série que está cursando e a queixa que o levou ao psicopedagogo).

2. Citação dos instrumentos utilizados (não há necessidade de detalhar cada um dos instrumentos, deve-se apenas citá-los indicando suas dimensões).

3. Análise dos resultados (é o momento de expor a que conclusões se chegou, bem como articular a queixa com os sintomas, os obstáculos e as possíveis causas do não aprendizado).

4. Prognósticos18 (não se pode conduzir um prognóstico fechado, pois durante o processo interventivo, o psicopedagogo pode se surpreender com as reações do sujeito).

5. Indicações (estas são divididas em duas grandes categorias, segundo Visca – 1987: a primeira, chamada de gerais, conduz a solicitação de outras áreas de conhecimento – neurologia, psiquiatria, fonoaudiologia etc. –; a segunda, denominada de específicas, refere-se ao enquadramento do atendimento psicopedagógico – duração, frequência, lugar etc.).

Segundo Pain (1992, p. 72), o que mais nos ajuda durante esse processo “é aquilo que foi expresso no motivo de consulta, de cuja textualidade se lançará mão, se necessário. Explicita-se, então, como disseram, o que disseram e o que não disseram, em função dos dados recolhidos sobre o [...] [sujeito]”.

Informe psicopedagógico clínico

Durante a elaboração do informe psicopedagógico clínico, o psicopedagogo deve levar em consideração que as técnicas e os instrumentos psicopedagógicos utilizados devem ajudá-lo a fazer uma reflexão sobre o que ocorre e sobre o que é preciso fazer a respeito, tomando cuidado para apenas ver o que o aluno sabe ou não sabe, mas também para definir as necessidades educacionais e os ajustes nas intervenções educacionais. Observemos um exemplo de informe psicopedagógico clínico, retomando o caso da aluna Carla, explanado no capítulo anterior.

Exemplo de informe psicopedagógico clínico

I – Dados pessoais

Nome: Carla da Silva Neves

Data de nascimento: 12 de janeiro de 2002

Idade na avaliação: 8 anos

Filiação: José Geraldo da Silva Neves e Maria Antonieta da Silva

Escola: Particular Série: 3º. ano do EF

Queixa: Com a mudança para a terceira escola, foi possí­vel perceber o quanto Carla não sabe o quanto está desmotivada, apesar do incentivo dado pela escola e sua vontade de aprender a ler e a escrever. Ela não consegue aprender.

II – Instrumentos utilizados

Entrevista inicial, Eoca, anamnese, provas operatórias piagetianas, técnicas projetivas psicopedagógicas.



III – Análise dos resultados

Pedagógica: Com relação à parte pedagógica do aprendizado escolar de Carla, pouco se pôde observar. Ora porque ainda não ocorreu a visita à escola, ora porque a criança se apresenta muito desmotivada para realizar tanto suas atividades escolares quanto as propostas em consultório. No entanto, verifica-se a importância de constatar como se dão os recursos e a maneira como os vínculos pedagógicos são apresentados e passados na escola para compreender melhor a desmotivação de Carla no aprendizado de fato, apesar de apresentar constantemente o desejo de aprender. Outro fato de suma importância, relacionado à parte pedagógica, a ser investigado é o caso de agressão por parte de uma das professoras expresso pela mãe, que levou a menina a não querer aprender. Por que de fato isso ocorreu? Quais os reais motivos para se chegar a uma ação como essa? O que implicou tal antipatia entre professora e aluna? O que fazer para deixar essa questão de lado e buscar um novo e efetivo aprendizado?

Cognitiva: Com relação à parte cognitiva, pode-se dizer que Carla possui conflitos fundamentais para o seu desenvolvimento, tanto na parte escrita (principal) quanto no raciocínio lógico matemático. Com relação à escrita, faz-se necessário compreender o que ocorre no seu processo de aprendizagem que não permite a assimilação da escrita, bem como o motivo pelo qual a criança sempre esconde o que produz. Nas questões que envolvem o raciocínio lógico-matemático, nota-se a necessidade de se trabalhar com conceitos básicos, antes de nova aplicação das provas, assim como a construção de um repertório de conceitos básicos para que Carla continue a se desenvolver nessa área do conhecimento. Observa-se também que sua noção temporal é bem aguçada, apresentando sempre um começo, meio e fim para tudo o que faz.

Afetivo-social: Aparentemente, os vínculos afetivos e sociais devem ser muito bem trabalhados, não somente com Carla, mas também com sua família, pois seus familiares se apresentam abalados, tanto nos papéis desempenhados por cada membro da família como nas relações inseguras e de desconfiança que Carla estabelece no espaço escolar. Agregam-se a esses problemas o sentimento de culpa que a mãe sente por não ter tempo para ficar com a filha e o fato de quase tê-la perdido quando bebê, em conjunto com o fato de o pai deixá-la fazer tudo, em decorrência de sua constante ausência, o que leva a criança a se aproveitar da situação para fazer o que bem quer, tolhendo sua irmã mais nova da relação da família e utilizando-se de sua irmã mais velha para aprender. Nesse sentido, há a necessidade de se investigar mais detalhadamente o quanto esses vínculos parentais e sociais interferem no desenvolvimento de Carla, bem como analisar cada um de seus silêncios e o não diálogo durante o processo de construção de seu diagnóstico.

Psicomotora: Pelas atividades realizadas, aparentemente Carla apresenta uma boa coordenação motora, principalmente no que tange à noção de espaço; porém, necessita-se de um trabalho direcionado à parte motora que envolva a escrita e uma investigação mais minuciosa sobre a parte postural de seu corpo, para verificar se não existe nenhum fator motor que a impeça de conseguir escrever ou ler.

IV – Prognóstico

Carla apresenta dificuldades mais contundentes no processo de alfabetização, fato que precisa ser investigado com provas específicas de leitura e escrita, assim como deve ser investigado o processo pedagógico ao qual está submetida a sua aprendizagem na escola em que Carla está regularmente matriculada. Não se pode esquecer que a referida criança começou a falar tardiamente e que entrou na escola sem passar pelo processo da educação infantil; nesse sentido, há de se verificar o quanto essas questões contribuem ou não para o seu ­desenvolvimento.

Quanto aos conceitos lógico-matemáticos, é necessário resgatar ou ensinar os conceitos aplicados na caixa operatória para que Carla os aprenda e depois seja submetida a uma nova avaliação, o que permitirá verificar o que a menina não conseguiu aprender, mas principalmente o que aprendeu de fato.

Para tanto, este diagnóstico ainda fica em aberto para possí­veis modificações do quadro apresentado por Carla em seu processo de escolarização.

Dessa forma, o informe aqui apresentado sobre Carla possi-
bilita um trabalho mais amplo de suas potencialidades e das habilidades que possui para o aprendizado se dar de forma efetiva, tirando o foco do “não saber” para “o que sabe fazer”.

V – Intervenções

• Melhorar o vínculo afetivo entre psicopedagoga e “cliente”, para que a mesma se desiniba e encontre na profissional um aporte para o aprendizado.

• Trabalhar conceitos necessários para o bom desempenho das provas operatórias e projetivas e, por fim, reaplicá-las para obter um informe psicopedagógico mais consistente e preciso.

• Trabalhar com provas de avaliação escrita e leitura para verificar como está o processo de alfabetização e letramento.

• Solicitar a análise diagnóstica de outros profissionais, como neuropediatra, fonoaudiólogo e psicólogo, para que, de posse de suas avaliações diagnósticas, o psicopedagogo realize um atendimento multidisciplinar que atenda às necessidades do sujeito em questão.

• Deixar claro aos pais que eles devem passar por todo esse processo, inclusive da terapia psicológica, para que os laços afetivo-sociais possam se restabelecer dentro da família e com as demais pessoas que compõem seu grupo social de amigos.



• Convidar os pais para conversas durante o processo para mostrar-lhes a importância de sua participação no processo de aprendizagem de Carla e a conduta erra­da que os pais tem ao deixarem a responsabilidade da aprendizagem da criança sobre a filha mais velha.

• Estabelecer um vínculo construtor com a escola, para que o trabalho seja realizado em equipe, visando ao real aprendizado de Carla e não somente ao papel de cada profissional isoladamente.

Informe psicopedagógico institucional e/ou familiar

No informe psicopedagógico passado para a instituição e/ou para a família, o psicopedagogo deve apresentar um documento como forma de colaboração com o processo escolar, ou seja,


o profissional deve levar as informações relevantes obtidas durante o diagnóstico para complementar a avaliação inicial (queixa) e continuada (processo) dos professores, estabelecendo-se assim uma avaliação contínua e coordenada entre todos os profissionais à volta do sujeito. Vejamos:

Exemplo de informe psicopedagógico institucional e/ou familiar

I – Dados pessoais

Nome: Carla da Silva Neves

Data de nascimento: 12 de janeiro de 2002

Idade na avaliação: 8 anos

Filiação: José Geraldo da Silva Neves e Maria Antonieta da Silva

Escola: Particular Série: 3º. ano do EF

II − Introdução

No informe aqui apresentado à instituição de ensino, relatamos algumas das características da aluna Carla da Silva Neves, regularmente matriculada no terceiro ano do ensino fundamental, bem como algumas indicações sobre como a criança se porta em sala de aula diante do aprendizado e algumas contribuições a serem trabalhadas pelos professores, se possível.



III − Descrição do caso

Carla da Silva Neves, com 8 anos atualmente, apresenta dificuldades no processo de escolarização, principalmente no que tange aos processos de leitura e escrita. Nesse sentido, observa-se que a vontade que a referida aluna tem de aprender não é suficiente para que esse desejo se efetive.



Durante as investigações realizadas, foi possível notar que faz-se necessário trabalhar com Carla conceitos fundamentais que não foram assimilados, como também descobrir o que lhe motiva ao aprendizado, para que esse processo não continue a ser tão doloroso como tem sido.

Outro fator de observação e trabalho em sala de aula são os vínculos sociais que Carla estabelece, pois estes se apresentam fragmentados e repletos de incertezas em decorrência de situações que a aluna já vivenciou em outro estabelecimento educacional. Para tanto, faz-se necessário que a professora consiga estabelecer um vínculo afetivo com a menina, assim como com a psicopedagoga, que relata este informe, para adquirir confiança nas mesmas e assim obterem um melhor aprendizado da aluna Carla. Deve-se observar também qual o relacionamento que a mesma estabelece com seus colegas de classe, pois Carla relata que apenas três colegas não “abusam” dela. O que seria esse abusar na visão dela e na visão dos colegas perante o olhar da professora?

E, por fim, faz-se necessário procurar estabelecer um vínculo maior entre escola e pais, chamando estes para sua responsabilidade no aprendizado de Carla,
assim como o contato entre psicopedagogo e escola para esclarecer qualquer dúvida que surja, bem como o estabelecimento de uma prática em conjunto para o melhor desempenho de Carla.

Cabe aqui destacarmos que esses dois exemplos de informe psicopedagógico são adotados e sugeridos pelas autoras deste livro. Contudo, se observarmos nas obras dos diversos autores indicados para leitura ao longo dos capítulos, notaremos que cada autor seguirá uma forma de registrar sua devolutiva, o que possibilita a análise, a síntese e a escolha de uma forma de registro pessoal por cada um dos leitores.

Gostaríamos de destacar que, independentemente da forma de registro da devolutiva, como psicopedagogos devemos tomar muito cuidado com o que escrevemos sobre o sujeito analisado, para que este não seja exposto a situações desagradáveis; o psicopedagogo deve sempre se preocupar em respaldar aqueles que de uma forma ou de outra apresentaram uma queixa sobre esse sujeito e, portanto, buscam uma possível resposta ou ajuda para o trato com o indivíduo.

Síntese


O presente capítulo buscou resgatar o processo histórico de construção do informe psicopedagógico, assim como suas transformações durante o processo histórico da psicopedagogia.

Pudemos observar, durante a escrita do informe psicopedagógico, que este é constituído por características marcantes, que


ressaltam não só as dificuldades enfrentadas pelo aluno no
processo escolar, mas também a importância de salientar as
possibilidades que esse relatório apresenta durante o processo de intervenção, superando, em alguns casos, o prognóstico dado como fechado anteriormente.

Outro fator de destaque foi a estrutura dos tipos de informes psicodiagnósticos encontrados: o clínico e o institucional e/ou familiar, bem como as etapas que os constituem para uma maior clareza e distribuição dos dados obtidos, assim como o nível de discussão apresentado em cada um dos tipos.

Para finalizar, o capítulo trouxe exemplos dos dois tipos de informes para que o leitor possa se familiarizar com o vocabulário, bem como com a forma de escrita desses tipos.

Indicações culturais

Livro

Sánchez-Cano, M.; Bonals, J. Avaliação psicopedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2008.



Essa obra apresenta as principais questões sobre a avaliação psicopedagógica e os procedimentos mais atuais para essa prática, além de contribuir para as discussões sobre a produção de um informe psicopedagógico preciso e bem elaborado para ser compreendido por todos. Seu vocabulário é
essencial para que o futuro profissional se familiarize com as terminologias utilizadas entre os especialistas, bem como as transformem em vocábulos entendíveis por pais e professores.




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