Psicologia, tecnologia e educaçÃO: apontamentos sobre oliveira vianna e lourenço filho



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PSICOLOGIA, TECNOLOGIA E EDUCAÇÀO EM OLIVEIRA VIANNA E LOURENÇO FILHO

Sass, Odair – PUC-SP

GT: Psicologia da Educação / n.20

Agência Financiadora: CNPq

Introdução

O reconhecimento de que o comportamento humano recebe influências do meio sócio-cultural por intermédio da convivência [social] remonta aos primórdios da formalização da Psicologia como disciplina científica, realizada desde o último quartel do século XIX.Tome-se, por exemplo, a Psicologia dos povos (Völkerpsychologie), de Wilheim Wundt, publicado em 1900, e Princípios de psicologia (The Principles of Psychology), de William James, publicado em 1890. Os dois autores contribuíram distintivamente para a refutação da consciência como substância, propugnando que tal conceito deveria ser entendido mais apropriadamente como uma função psicológica e repousando suas convicções na psicologia fisiológica. Contudo, enquanto Wundt procura distinguir a porção das funções mentais que não dependem da convivência com os outros daquela porção das funções étnicas dependentes da vida coletiva, James propõe a noção de self — constituído pelo eu (I) e o mim (Me) — como função psicológica desenvolvida pelo indivíduo a partir de suas experiências com os outros e que ele as declara como suas. O self, segundo James, contrapõe-se tanto à noção de eu empírico do associacionismo quanto ao ego transcendental, que, admitido como um a priori não modificável, é incompatível com as evidências da evolução do indivíduo, realizada no decorrer de sua história de vida.

Desde esses primórdios desdobram-se, em consonância com as mudanças das relações sociais promovidas pela sociedade capitalista, de um lado, intensos debates acerca da funções mentais do indivíduo na evolução da sociedade e, de outro, preocupações com o comportamento coletivo ou das massas antes do que com os atos individuais isolados. Mencione-se, a título de registro, a conhecida polêmica travada entre Gabriel Tarde, que sustentava ser a imitação um mecanismo psíquico essencial para explicar o comportamento social do indivíduo, e Émile Durkheim, que reivindicava ser a pressão social (la contrainte) o elemento decisivo para explicar os atos e pensamentos individuais como fato sociológico (cf. Germani, 1971:40-45). Acrescente-se a essa polêmica uma outra, tão intensa quanto relevante, que incide sobre a função do indivíduo em comportamentos coletivos e que reverbera até a atualidade. São exemplares, além de Wundt, Durkheim, James e Tarde, autores franceses, tais como Charles Blondel e Gustave Le Bon — importantes elaboradores da psicologia coletiva, psicologia dos povos e das multidões — e estadunidenses, tais como John Dewey e George Herbert Mead — propositores da psicologia social, sem esquecer, é óbvio, os nomes de William McDougall e Sigmund Freud.1

Neste ensaio explora-se dois modos com que a psicologia social é inserida nas ciências sociais e na educação brasileira; em particular, pretende-se evidenciar como a Psicologia é introduzida, no Brasil, como tecnologia, isto é, como componente relevante para o exercício do controle social sobre o indivíduo. O primeiro modo trata da conversão da psicologia social em psicologia política tal como se depreende dos escritos de José Francisco de Oliveira Vianna [1883—1951]; diga-se, o primeiro autor brasileiro, do ponto de vista cronológico, a adotar a psicologia social como um modo de interpretar, sob a óptica da psicologia social, o homem brasileiro em relação ao meio sócio-cultural (cf. Oliveira Vianna, 1923) bem como a organização política brasileira (cf. Oliveira Vianna, 1987). Antecipe-se que o significado atribuído por Oliveira Vianna à Psicologia Social aproxima-se bastante daquele assumido pela tendência francesa de tradição durkheiminiana, com uma aplicação singular à época em que escreveu, pois, inscreve a psicologia social como psicologia política, especificamente, como elemento central de sua análise sobre as carências da vida política brasileira e básico para aquilo que ele denomina de “tecnologia das reformas sociais”(Oliveira Vianna,1987:95 e segs.); por sua vez, a educação é entendida pelo autor como educação política do povo para superar a inércia social fundada na tradição e nos costumes bem como a coação imposta por transformações exógenas conduzidas pelo Estado, na mesma proporção que rejeita a educação reduzida, pelos reformadores, à alfabetização.

O segundo modo é exemplificado pelo conhecido estudo da Escola Nova levado a cabo por Manuel Bergström Lourenço Filho [1897—1970], publicado em 1930, no qual o autor adere à psicologia funcional ou da inteligência e fundamenta as bases para o desenvolvimento da psicometria e da mensuração pedagógica,no Brasil.



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