Práticas e Representações de Normalistas de Campinas no Período 1920-1936


V – Os alunos e suas representações



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V – Os alunos e suas representações

Uma questão relevante a ser observada é quanto ao número de rapazes e moças. A preponderância das matrículas da seção feminina sobre a masculina mostrou-se constante durante toda a história da Escola Normal de Campinas, o que a caracterizou como uma instituição de predominância feminina. Parte desse fato pode ser explicado pela presença de um ginásio do Estado na cidade, que tinha a preferência masculina, mesmo daqueles que pretendiam ser professores pois, na época, o aluno que concluísse o curso ginasial e realizasse um ano de prática de ensino em qualquer grupo escolar oficial receberia a habilitação para o magistério.

Também razões de natureza cultural podem ser identificadas como, por exemplo, o fato de a educação das crianças ser vista como uma tarefa da mulher. Apelando-se para o argumento de que a natureza feminina e o instinto maternal são voltados para o cuidado e a guarda natural da criança, tornava conveniente que ela soubesse como realizá-la, se não para ter uma boa profissão, ao menos para formar bem seus próprios filhos.

Outra explicação para a predominância feminina tem caráter econômico. O salário pago aos professores, especialmente primários, era muito baixo e não atraía os homens, que tinham o dever de sustentar suas famílias naquela época. Também não lhes possibilitava oportunidades de sucesso financeiro e econômico.

A utilização do trabalho feminino no campo da educação ganhou força no final do século XIX, sobretudo devido à urgência de conciliar a necessidade de um grande contingente de profissionais para atender à difusão da educação popular, com os baixos salários que eram pagos a esses profissionais. Tal fato tornou o magistério pouco atraente para os homens.

Por outro lado, a educação tornou-se um dos primeiros campos profissionais respeitáveis à atividade feminina, conforme os padrões da época. Portanto, ser professora tornou-se uma profissão especial, pois requeria uma formação específica que a distinguia de outras profissões, dotando-a de especificidades. Para as mulheres que seguiram o caminho do magistério, esse fato significou novas possibilidades de inserção social.

No cenário dos anos vinte e trinta, o ideário republicano propagou uma nova concepção sobre o papel do professor. Passou-se a compreender que a ação social do mestre não se restringia apenas aos limites da sala de aula, mas ultrapassava-os para atingir a sociedade como um todo. A valorização da função social do professor estava voltada para a formação do cidadão.

O sucesso da nova escola pretendida dependeria dos professores formados pela Escola Normal, “templo bemdito”, “recinto sagrado”. Sua formação se daria segundo concepções educacionais modernas, de acordo com os valores republicanos. Desse modo, o magistério tornava-se uma profissão digna, reconhecida e edificante.

Assim, a maioria das mulheres freqüentava a escola enquanto aguardava pela oportunidade do casamento. Uma vez formadas, poucas iam ser professoras e as que seguiam a carreira do magistério o faziam por dificuldades financeiras ou porque desejavam mesmo uma profissão que fosse reconhecida socialmente.

Os homens, porém, utilizavam o diploma da Normal para prosseguirem em seus estudos e seguirem carreiras que lhes possibilitasse sucesso econômico e social.



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