Projeto Málaga


REFLEXÕES DE GIUSEPPE A RESPEITO DO PROJETO ROMA - MÁLAGA



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REFLEXÕES DE GIUSEPPE A RESPEITO DO PROJETO ROMA - MÁLAGA.


Conheço ao Doutor Albertini há dezessete anos, quando só tinha oito meses e ele vinha à Sicilia, onde eu moro.

Sempre me tem animado para superar as problemáticas que eu tinha.

O Projeto Málaga se iniciou em Santa Marinella há seis anos, e assim conheci os doutores Biondi, Cuomo e López Melero, que sempre me têm ajudado.

Tem sido e é uma experiência interessante porque me permite encontrar com outros jovens como eu e com suas famílias.

Me dou conta que não sou o único que tem Síndrome de Down. Nos encontros me sinto tranqüilo, e fazem-me sentir importante, como uma pessoa valiosa, que não tem grandes dificuldades.

Me dou conta disto, através das reuniões que temos sobre mim e de outros jovens com Síndrome de Down.

Quando falo com os especialistas, parece que sou uma pessoa que sabe fazer as coisas sem dificuldade, sem ansiedade. Me têm ensinado a não ter medo das coisas que tem que fazer. Me sinto contente porque me têm aceitado em suas reuniões.

Há seis anos não sabia cozinhar nem viajar sozinho no ônibus. Pagar a passagem era para mim um problema que tenho resolvido com o abono mensal. Aprendi a usar a câmera fotográfica e posso fotografar muitas paisagens e pessoas durante as festas.

Quando devo enfrentar uma situação nova, difícil, antes de fazê-lo sei que devo permanecer sereno e dizer a mim mesmo que sei fazê-la, me dar ânimo. Aprendi a fazer as coisas de modo mais organizado e agradável.

Me parece que esta experiência também tem sido útil para meus pais, que têm sabido me ajudar desde que nasci, a ser cada vez mais autônomo e importante.


Voltando no Tempo...

Fiz pré escola em um colégio de freiras. Ali havia muitas crianças e brincava com elas. Não me lembro muito daquela época, porque já passou muito tempo. Mesmo assim, me lembro de que a professora, a Irmã Juana, nos fazia jogar a bola no pátio e não fechávamos o portão de ferro. Também haviam balanços e topogans. As primeiras vezes, os saltos me assustavam e meus companheiros me animavam.

Ao final do curso fazíamos um exercício e também eu subia no cenário para recitar. Me sentia incômodo, mas também contente pelos aplausos dos pais. Ao final do ciclo, me sentia triste porque deixava muitos amigos meus. Me lembro com carinho de todos os meus companheiros.

Na Escola Elementar voltei a ver alguns companheiros da pré escola. Tinha tr6es professoras e uma delas, a de apoio, eu a chamava “a Loira” .

Me encontrava na classe, seguindo as explicações, quando “a Loira”, batia na pporta, me chamava e eu ia com ela ao piso inferior, onde havia um quarto pequeno. Só estávamos nós dois. Me lembro que me fazia falar as cores do estojo enquanto saia ao pátio para fumar. Quando terminava sua aula, voltava à minha para continuar as explicações. Me sentia mais a vontade em minha classe, são meus companheiros, que com “a Loira”.

Lembro que no primeiro curso de Educação Primária aprendi a ler e a escrever com um pouco de atraso em relação aos meus companheiros. Minha mãe me ensinou a escrever bem, assinalando no caderno as linhas pontilhadas da palavra que tinha que escrever. Aprendi a ler com a ajuda de minha mãe: ela preparava para mim muitas fichas pequenas, cada uma com uma palavra, e eu construía as frases. Um dia a professora escreveu “muito bem” em meu livro e desde aquele momento a leitura se converteu em minha força.

Na Escola Média me encontrava bem com meus companheiros e também com meus professores; estava numa classe que me ajudava, e tinha muitos amigos com os quais me relacionava bem, me divertia.

Tinha e ainda tenho amigos do ginásio com os quais sempre me relaciono bem: tenho ido comer pizza e sempre tenho me divertido.

Na escola, tenho realizado muitos trabalhos interessantes que têm sido gravados em vídeo, entre eles:


  • Uma viagem a Paris: temos colorido o mapa e assinalado o acontecimento que tínhamos que fazer, e finalmente, temos realizado um trabalho sobre todas as cidades importantes que teríamos que ter visitado.

  • O telediário: cada companheiro tinha que apresentar seu artigo, e eu apresentei-o a respeito da publicidade; fiz um grande cartaz publicitário e também li um caligrama (desenho expressado com palavras).

Com o Professor de Educação Técnica tenho feito anotações da aula e escrito os dados na lousa. Depois desenho um plano da aula.

Lembro muito bem os exames da terceira média (último curso da Escola Obrigatória) nos quais preparei uma palestra muito boa, que os professores não esperavam, e como ficaram maravilhados. Eu, pessoalmente, estava muito contente porque havia superado todas as dificuldades.

Fiz um trabalho que tratava da contaminação e da fome no mundo.

Lembro que fizemos uma excursão do colégio à região de Puglia. Me diverti, vendo Igrejas, Museus, e as Gutas de Castellana, com grandes estalactites e estalagmites; tirei muitas fotos, e no ônibus tirei também outra de uma moça que eu gostava.

Freqüentemente, treino no ginásio, onde encontro meus amigos. Sempre me respeitaram e eu sempre me dei bem com ele, me querem muito bem. Se chamam: Walter Martínez, Salvatore Principato, Paola Morales, etc. São do ginásio “Mundo Clube” e me conhecem desde que eu tinha quatro anos. Gosto de ir com eles, porque estamos juntos e me sinto bem: jogamos, brincamos, e nos divertimos. Sempre tenho me portado bem com eles.



Férias de verão.

O ginásio “Mundo Clube” há anos que organiza acampamentos de verão em várias localidades italianas. Tive uma interessante experiência na região da Calabria e me diverti muito. Durante o dia podíamos fazer várias atividades: voleibol, tênis, basquete, ping - pong... sempre goste destas atividades.

Também estivemos na região da Umbria e ali me diverti muito, havia uma discoteca e dançamos. De manhã, nos dedicávamos a treinar jogando voleibol ou tênis. Foi uma experiência magnífica, porque conheci rapazes e moças de outras cidades, assim como treinadores que foram muito amáveis comigo.
O pai e a mãe narram...
O crescimento de Giiuseppe tem se desenvolvido através de vários itinerários realizados na família, na escola e em volta dele.

Ao longo dos primeiros anos de vida, as atividades e os jogos foram a base do trabalho desenvolvido e da vivência tranqüila de Giuseppe. Sons, cores, imagens e movimentos são elementos muito estimulantes que servem para envolver-lhe nestas atividades.

A entrada na pré escola nos permitiu, sobretudo, ativar suas capacidades, relações com os iguais. Mesmo assim, não foi tão positiva a ajuda da escola para integrá-lo ativamente e de maneira organizada no trabalho da escola. Giuseppe se lembra daquele período com tranqüilidade.

A entrada na escola elementar esteve precedido por contatos com o professor, que já havia tido uma experiência de ter na sua classe uma criança com Síndrome de Down; mas a havia vivido sentindo-se com pena e preocupado do que animado (Giuseppe foi a primeira criança com Síndrome de Down integrado naquela escola).

Os professores estavam convencidos de que Giuseppe não podia se integrar, porque seu tempo era sem dúvida maiores em relação ao de seus companheiros, e certamente não foram considerados de maneira justa.

Além disso, a professora de apoio (que inicialmente se havia mostrado disponível), tem manifestado ao longo dos anos competência bem mais limitadas, tanto que nos tem obrigado praticamente a não requerer sua presença durante o quinto ano da escola elementar (Eduacação Obrigatória).

Aquele foi um ano muito importante para Giuseppe, que o viveu com muita serenidade, integrado completamente e com o apoio total da escola. Giuseppe experimentou um crescimento pessoal muito significativo.

Os transtornos psicológicos vivenciados ao longo dos primeiros anos de escolarização, emergiram gradualmente durante os anos posteriores através de inseguranças em suas relações e carência de conteúdos, o que prejudicou pouco a pouco seu progresso como estudante.

A escola média (correspondente à segunda etapa de E.G.B., na Espanha) tem sido encarada com mais segurança e tranqüilidade, já que todos os professores, em seu conjunto, souberam transmitir confiança à Giuseppe, assim como facilitar os itinerários operativos, permitindo-lhe por em marcha seus potenciais que antes não haviam sido levados em conta.

A entrada na Escola Superior (Profissional) não foi fácil para Giuseppe. Inclusive hoje em dia, estando no quarto curso do Instituto Técnico Agrário, permanecem grandes reservas em suas relações, que não se reorientam devido ao desconhecimento da Lei 104 e de uma programação que facilite o itinerário escolar de Giuseppe.

Tem sido muito importante sua participação nas atividades esportivas desde os quatro anos e meio. Têm constituído uma ajuda muito válida para a evolução psicomotora de Giuseppe, assim como um crescimento no âmbito da socialização (ver vídeo).

Ainda hoje, Giuseppe vai ao ginásio, onde tem muitos amigos da mesma idade; com eles, tem vivido momentos importantes que, para ele, são muito significativos: saída à noite, festas, etc.

Têm sido de grande ajuda as experiências de verão de “Acampamentos Esportivos”, vividas em várias localidades da Itália com jovens provenientes de diversas zonas geográficas.

O que agora falta à Giiuseppe é ter “amigos de seu bairro”, o que se torna difícil, porque a Escola Superior que freqüenta está longe de onde reside e não tem companheiros de classe que vivam na mesma localidade; além disso, os horários de estudo ocupam grande parte de seu tempo.

Nossa preocupação como pais, é que se esta situação continuar, Giuseppe possa isolar-se do contexto social, com as conseqüências que isto poderia trazer.
NOSSAS IMPRESSÕES COMO PAIS.
A experiência que temos vivido através do “Projeto Málaga” nos tem enriquecido como pais, e a nossos filhos através da crença na vida que nos tem feito percorrer juntos o caminho do crescimento.

A possibilidade de confrontação com outras famílias, o fato de ser protagonistas junto com os especialistas na investigação de “algo novo” (que, na realidade não é nada novo, e sim desconhecido, ou às vezes não desejado), nos tem feito sentir, a cada dia, mais fortes. Discutir, ajudar a nossos filhos a se converterem em seres autônomos, a se socializar, a aprender, a ser pessoas, tem sido e é um acontecimento, às vezes difícil, mas vale a pena vivê-lo.

A interdisciplinariedade, que tem caracterizado cada encontro, tem facilitado, sem dúvida, a experiência.

Temos crescido junto com nossos filhos e tens sabido nos ajudar a “acreditar”; nos tens guiado, animado e inclusive, educado.

Junto à vocês temos aprendido muito e temos construído algo útil para nós e para os demais.

Não podemos parar, temos que continuar. Somente deste modo, terá um sentido tudo o que se tem feito até agora.


... RAMÓN” como estudante de 3o Eso: Meu pensamento sobre o “Projeto Roma”.


Eu tenho aprendido muito, porque havia uns professores muito bons no Colégio Jorge Guillén e me ensinaram. Também Miguel López Melero confiou em mim. E Miguel falava com os professores quando eu tinha problemas.

Agora, estou no Instituto e meus professores continuam me ajudando. Maria José é minha professora de apoio e ela procura que eu esteja bem e me ajuda em todas as disciplinas. Está comigo na classe e também nas horas que estudo. Juntos organizamos as tarefas de classe (aula) e de casa. Ela me ajuda a pensar melhor e a que saiba falar corretamente.

Meus pais e meu irmão Alejandro trabalham nas lojas de “Alejandro Sport- Intersport”. Gosto de trabalhar na loja da Praça do Teatro com meu amigo Pitu, que conheço desde que estávamos juntos no Colégio Jorge Guillén. Eu o ajudo a colocar as chuteiras, coloco o cordão à chuteira esquerda e a ponho na prateleira e a chuteira direita a coloco na vitrine com o preço. Só posso ir aos sábados e me pagam 5000 pesetas.

Para ir à loja, chamo Pitu e fico com ele no Armazém. Meu pai me leva em seu carro até o armazém. Logo, vou com Pitu no seu carro até à loja. Quando acabo de trabalhar, volto com Pitu para minha casa. Assim todos os sábados. Gosto muito deste trabalho.



Gosto muito do esporte. Alguns finais de semana, todos nós vamos, meu irmão e meus pais a Serra Nevada. Adoro esquiar, sobretudo, os saltos. Também gosto de um filme que assisti com Jean-Claude Van Damme e fui com meu pai. Gostei muito pela ação. Quando acabou o filme, fomos jantar um hambúrguer no Larios Centro. Agora tenho um amigo do Instituto que se chama Javi e estou com ele nas horas livres e conversamos a respeito das garotas do Instituto. É um rapaz muito simpático e muito agradável. Ele também gosta do Handboll e ficamos alguns dias para jogarmos juntos. Gostaria de ensinar às crianças pequenas a jogar Handboll.

Na minha casa, além de estudar, arrumo meu quarto e ajudo minha mãe em algumas coisa da cozinha. Nos meus estudos, Nacho me ajuda no inglês e Carlos no resto das outras disciplinas. Hoje estou lendo um livro que se chama “Fora de temporada”(“Fuera de temporada”).

Algumas vezes ajudo Miguel Melero nas reuniões do Projeto Roma, cuidando das crianças pequenas com Síndrome de Down, enquanto Miguel fala com seus pais, e também falou uma vez pelo rádio do Projeto Roma.
Graças ao Projeto Roma, eu sou assim!





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