Projeto Málaga


A ESCOLA COMO COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA



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A ESCOLA COMO COMUNIDADE DE APRENDIZAGEM COOPERATIVA:

UMA REFLEXÃO DA NOSSA PRÁTICA A PARTIR DO “PROJETO ROMA”.

(PROFESSORADO )
A colocação que apresentamos é uma síntese elaborada a partir de nossa prática educativa, os princípios e a filosofia do Projeto Roma. Nesta colocação procuramos recuperar o protagonismo do professorado que confia na inovação educativa e considera a escola como agente de transformação social, assim como aos valores que necessita desenvolver para isto.
Para compreender nossa exposição, necessitamos fazer uma declaração de princípios. Em primeiro lugar, não se trata de estudar qual é o melhor modelo para educar as pessoas com Síndrome de Down como algo separado da cultura da escola, senão estudar a cultura escolar sob o prisma da diversidade. Deste ponto de vista, o professorado que participa neste projeto de pesquisa considera que é uma alternativa ao existente. E em segundo lugar, nós temos considerado sempre o Projeto Roma como um meio facilitador de nosso desenvolvimento profissional. Por último, assinalar que seria uma ingenuidade de nossa parte assegurar que o Projeto Roma tem resolvido todos os nossos problemas didáticos, pois tão somente tem sido uma ajuda quando as circunstâncias contextuais o tem permitido.
Destes princípios, quais são esses valores de mudança?


  1. Valores de emancipação e desenvolvimento profissional.

O convencimento de que a diversidade é um valor tem sido o motor de nossa atuação dentro do Projeto Roma que, de maneira evolutiva, nos tem ajudado a ir introduzindo melhoras em nossa prática. Esta tomada de consciência de que a escola não pode ser entendida como lugar de reprodução do sistema, senão um lugar de permanente reconstrução do conhecimento e de atualização é o que nos tem obrigado a transpassar a fronteira da oficialidade e situar-nos em uma alternativa educativa para evitar que na escola exista um alunado silenciado.


Neste sentido, desejávamos esclarecer que entendemos por “alunado silenciado”, que como destaca o professor López Melero é o mesmo que dizer o que entendemos por diversidade, por diferença e por desigualdade. A diversidade refere-se à qualidade da pessoa porque cada qual é como é, e não como nós gostaríamos que fosse. Este reconhecimento é precisamente o que é a dignidade humana. A diferença é a valorização da diversidade e é precisamente nesta valoração onde há várias manifestações, sejam de repulsa (antipatia, xenofobia, racismo) como de compreensão (simpatia). É a consideração da diversidade como valor. E a dignidade é o estabelecer hierarquia entre as pessoas, por critérios de poder social, político ou econômico. É precisamente o contrário da igualdade. Se todos os seres humanos nascemos livres e iguais em dignidade e em direitos humanos, como nós, como profissionais iríamos permitir que em nossa escola se cometa a crueldade da separação?
Deste ponto de vista, não pode existir uma escola que não seja educativa, e portanto, integradora. A escola que nós queremos é aquela onde as pessoas aprendem a conhecer, a compreender e a respeitar a outras pessoas como são e não como gostariam que fossem. Ou seja, pensamos que a escola como organização social tem que formar mulheres e homens democratas e livres, vivendo e aprendendo os valores internos.


  1. Valor ( auto ) reflexivo.

Desejamos assinalar como o Projeto Roma nos tem permitido partir sempre da realidade de nossas escolas. Pretendíamos introduzir melhoras em nossa prática de nossa própria experiência e não como meros aplicadores de princípios sem sentido. Todas as mudanças que se têm introduzido sempre tem sido a partir da reflexão compartilhada com todos os profissionais. O próprio projeto nos tem permitido sair de nossas próprias fronteiras de cada colégio e refletir com outros colegas dos centros vizinhos, formando-se um triângulo de reflexão entre profissionais de níveis primário e secundário. Este tipo de atividade reflexiva algumas vezes aconteciam no colégio e outras, na Faculdade de Ciências da Educação com o Professor López Melero.


O Projeto Roma, ao abrir espaços para a participação na tomada de decisões, está contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade mais humana, menos discriminadora, mais democrática. A construção desses ambientes escolares, com estruturas metodológicas e organizativas democráticas tem possibilitado ao alunado e ao professorado uma nova axiologia ao introduzir-se no colégio novas preocupações, tais como o pluralismo, a liberdade, a justiça, o respeito mútuo, a tolerância, a solidariedade... “Esta maturidade ética da escola tem que ser fundamentalmente crítica e reflexiva. A ética democrática se constitui como uma ética cívica, onde as chaves giram em torno à solidariedade e à justiça social” (López Melero, M. 1996).
O desenvolvimento profissional pode fazer com que o professorado se faça mais conhecedor de si mesmo e esteja mais seguro através de sua própria reflexão (auto - reflexão) e avaliação. São os profissionais que desenvolvem uma auto - consciência e confiança que lhes permite promover sua auto - estima profissional.


  1. Valores Críticos ou Transformadores da prática.

A escola que defendemos deve ser uma escola pública como modo de garantir o direito de todos à educação, especialmente, quem menos possibilidades tem. Uma escola pública que se caracterize por formar uma cidadania livre e com autonomia moral e intelectual; que seja um espaço de diálogo social, onde seja possível o desenvolvimento da liberdade pessoal, onde o intercâmbio de idéias entre alunos e professores seja algo permanente e onde haja uma abertura à crítica. Uma escola que seja militante defensora da socialização e o desenvolvimento de valores.


Temos procurado que nossa escola esteja em uma relação de interdependência com o entorno, a tal ponto, que a escola tenha sabido refletir a cultura da comunidade. A escola abrangente que aspira a assumir de forma integradora a diversidade é, como diz o Prof. López Melero, “o gérmen daquilo que tem que construir uma sociedade democrática, pluralista e socializante na sociedade atual. Em uma sociedade pluralista tem-se que aceitar as diferenças e as heterogeneidades das pessoas como potencial para que a sociedade avance e chegue a ser eticamente madura. A cultura da diversidade, como potencial de transformação, penetra no mais profundo da educação ( a moral, o mundo dos valores,... ) e não na parte puramente estrutural; daí que se tem que produzir uma tomada de consciência radical ( não dogmática ) nos dirigentes e no professorado, que permita uma mudança profunda em sua gestão e em seu pensamento pedagógico.
O propósito fundamental dos movimentos educativos críticos, como é o caso do Projeto Roma, é o de desenvolver teorias e práticas progressistas que contribuam para a emancipação social. Esta complexa tarefa requer a cooperação de todos aqueles que NÃO nos sentimos identificados com o tipo de sociedade e de educação na qual nos encontramos.


  1. Valores de solidariedade e de cooperação.

O Projeto Roma aspira a construir nas escolas o Paradigma da Cooperação como ajuda compartilhada por todas as pessoas envolvidas na educação para, dessa visão solidária, dar respostas conjuntas às situações problemáticas que se estabelecem. Introduzir a participação democrática no ensino requer a mudança de atitude de toda a comunidade educativa. O êxito da participação se tem dado em dois âmbitos: na escola, abrindo espaços democratizadores na vida escolar e na classe como comunidade de aprendizagem cooperativa e onde se aprende não só a cultura, e sim que se aprende a ser livre e a que o aluno participe ativamente no planejamento do ensino e na tomada de decisões. Tudo isto nos tem permitido uma mudança emocional, intelectual, de desenvolvimento profissional, de pensamento teórico - prático e de atitude.


A integração e o trabalho solidário e cooperativo necessitam de profissionais que tenham autonomia para desenvolver sua profissão. Esta é a linguagem dos profissionais da escola da diversidade. Quando estes profissionais trabalham com pessoas, com alunos com Síndrome de Down de forma solidária e cooperativa, possibilitam uma melhora substancial na aceitação mútua e no rendimento escolar de todo alunado.
Do que foi exposto até aqui, seria conveniente estabelecer como se tem produzido este desenvolvimento evolutivo em nosso pensamento pedagógico e em nossa prática diária. Para isto, vamos distinguir três fases, a saber:
PRIMEIRA FASE OU DE INICIAÇÃO NO

PROJETO ROMA.
Esta fase de iniciação e de conhecimento do Projeto Roma nos permitiu conhecer, por um lado a fundamentação teórica e todo o marco conceitual e metodológico, de um ponto de vista vigotskiano, e por outro, sensibilizar o resto de companheiros do centro para este novo modo de entender a cultura escolar. Foi uma etapa difícil e gerou algumas confusões, até que pouco a pouco, se foi compreendendo. Também se pode assegurar, que nesta fase, se foram detectando melhor as necessidades curriculares e organizativas.
SEGUNDA FASE OU FASE DE DESENVOLVIMENTO.
Neste período, pode-se dizer que temos procurado trabalhar a partir de dois grandes âmbitos: um é como mudar a escola, buscando uma nova organização e um novo currículo. Aqui foram desenvolvidos o que o Projeto Roma denominava “contratos de trabalho”, que mais tarde se exemplificaram e, por outro lado não podíamos descuidar da formação do professorado no projeto. Para isto, com o máximo detalhe, temos ido pouco a pouco explicando em que consiste o projeto e a necessidade de conhecer o pensamento vigotskiano e sua utilidade no currículo escolar.
TERCEIRA FASE OU DE REFLEXÃO COMPARTILHADA.
Digamos, que nesta fase nos encontramos, dado que tanto professores como pais e universidade, buscamos soluções conjuntas para a problemática que se estabeleceu. Esta fase se conhece a partir do Projeto Roma como o Paradigma da Cooperação e, nós o interpretamos como é a cultura do colégio através da diversidade. O professorado está compreendendo que o que este projeto requer é transpassar a parede de cada classe para incorporar-se em um pensamento mais amplo que comporta todo o colégio. O Projeto Roma aspira transmitir que a mudança cultural não é só de algumas professoras, senão de todas as pessoas do colégio. Esta é uma questão de resolver.
A partir desta perspectiva e de um ponto de vista didático, viemos trabalhando no que temos denominado “Os Contratos de Trabalho”, mas sem esquecer: Quais são os conteúdos culturais que a escola tem que ensinar? Que mudanças no estilo de ensino e no trabalho cooperativo entre as quais o profissional tem que produzir para conseguir um ensino de qualidade? A que nos comprometemos para isto? Quando nos comprometemos? Que sentido tem a avaliação e como a estamos fazendo?


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