Projeto Málaga



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Relação com os pais.
Poderíamos englobar os seguintes compartimentos:


  1. No início, tínhamos pouca segurança no nosso trabalho e como atuar, coisa que se transmitiu aos pais e profissionais. Graças ao Projeto e amigos, temos nos envolvido cada vez mais, obtendo uma relação mais próxima. Temos uma maior segurança e acreditamos no que fazemos com muita ilusão, embora sempre temos que continuar investigando e nos informando, abertos à todos tipos de possibilidades.

  2. Outro dos sentimentos dentro da relação com os pais é que ao nos incorporarmos , nos parece que eles sabem de tudo e que nós não podemos contribuir com nada. Mas pouco a pouco, temos ido intercambiando roles, “todos temos que aprender de todos”, não existe ninguém que tenha a verdade absoluta, trocando conhecimentos chegaremos ao longe.

  3. Havia uma grande distância entre os pais e o mediador, já que havia um grande respeito entre nós. Alguns pensam que o mediador é imprescindível e que não se pode continuar sem ele, porque somos os que possuem o conhecimento. Mas felizmente, o trabalho diário com seus filhos, lhes tem proporcionado mais segurança e confiança neles mesmos, propiciando assim sua atuação.

Em geral, aprendemos muito dos pais em relação a sua dinâmica de trabalho em casa. Tudo isso não está em textos, e sim à nossa volta, temos que aproveitar as situações que nos oferece a vida quotidiana e transformá-las em educativas para uma melhor relação e entendimento em nosso contexto e desenvolvimento pleno nas atividades diárias, tomando o ambiente como laboratório.


Temos desempenhado o papel de intermediários entre os coordenadores da investigação e os pais, tentando proporcionar uma visão mais objetiva que a dos próprios pais, sobre o desenvolvimento de seus filhos/ filhas, dificuldades, a aplicação dos distintos projetos encaminhados até a melhora dos déficits sócio - cognitivos e informado sobre a complexidade dos contextos familiar e escolar.
Pensamos que se tem conseguido satisfazer as demandas dos pais e mães refletindo e tratando de maneira conjunta o que seria mais conveniente em cada situação. Embora em outras ocasiões, estas tratavam sobre o contexto escolar e tem sido difícil ou impossível, a não dar a este contexto muitas oportunidades para tentá-lo ou conseguí-lo. Às vezes, no contexto familiar e social tem-se podido delinear as necessidades delineadas, ao se produzir contra - indicações nos mesmos pais ou mães; por exemplo: é muito comum querer que um filho ou filha seja autônomo ou autônoma, mas, por outro lado, é maior o medo de deixar-lhe sair para qualquer lugar ou deixar-lhe que vista desta ou daquela maneira.
As pessoas mediadoras, de certo modo, contribuem para abrir espaços para melhorar a educação familiar ao fomentar o convencimento por parte da família na competência cognitiva das pessoas com Síndrome de Down e ao verificar, junto aos membros da família, muitos processos que acreditavam que não iam conseguir abordar com seus filhos e filhas. Tratamos de convencer-lhes de que qualquer situação quotidiana é aproveitável para a educação e para a satisfação desta ou daquela demanda, sem ter que recorrer à técnicas terapêuticas.
Pretendemos que se considere a pessoa com Síndrome de Down, como um filho ou filha mais que, portanto, tem que assumir responsabilidades como qualquer outro membro da família. Deste modo, tentamos fazer que os pais e mães vejam que a linguagem é fundamental como veículo socializador e de desenvolvimento cognitivo, que tem que deixar fazer a menina ou o menino e que, de antemão, não podemos julgar sem provocar esta ou aquela experiência. Que são seus filhos e filhas e que se tem que envolver eles e elas primeiro como pais e mães, já que é enorme a importância de seu papel no processo de aprendizagem de seus filhos e filhas.
Em relação à nossa contribuição da melhora do currículo escolar, temos que destacar alguns aspectos como: o estímulo da consideração do valor dos conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais por igual. Mesmo assim, normalmente, se tem dado muito mais importância aos conceituais, deteriorando os procedimentais e atitudinais. O Projeto Roma se baseia na idéia de que é muito melhor realizar uma meta - aprendizagem que te leva a uma mudança de atitudes em vez de acumular conceitos como se se tratasse de uma enciclopédia.

A consideração da importância de ensinar a pensar e a proceder para que se produza uma maior generalização a outras novas situações, acima do acúmulo de conceitos concretos ou a realização, de forma perfeccionista, de tarefas ou temas fixos. É muito mais importante o processo do que os resultados.


Além disso, estimulamos a oferta de um mesmo currículo para todos e todas e não a de currículos paralelos que criam uma “subcultura” em palavras de Miguel López Melero, em vez de ajudar na reconstrução de um patrimônio de cultura comum.
Nos contextos familiar e social, nos tem sido permitido alimentar o desenvolvimento da aprendizagem cooperativa. No contexto escolar, do mesmo modo, se tem confundido muitas vezes o estar agrupados com o trabalhar cooperativamente, sendo um abismo o espaço que diferencia estes dois modelos de ensino e aprendizagem.
Do nosso próprio ponto de vista, temos observado que em todos os casos tem havido uma evolução em nossos meninos e meninas, tanto em relação às competências cognitivas produzindo-se uma melhora na linguagem (tanto expressiva como funcional e de nível socializador), assim como em relação à representação mental, de planejamento, de leitura - escrita, de resolução de problemas, de atenção e de memória e de generalização do conhecimento de novas situações que surgem nos diferentes contextos.
Em relação às competências afetivo - sociais, também observamos uma grande evolução em suas condutas tanto em nível social como de assertividade (saber como conseguir algo) e, sobretudo, no referente ao desenvolvimento da própria autônomia.
A formação que o Projeto Roma contribui aos mediadores poderia se sintetizar assim: tem ocasionado uma nova filosofia de ensino e uma nova maneira de enfocar a prática educativa; tem dado a oportunidade de ajudar a dar soluções aos problemas com os quais, ainda hoje em dia, as pessoas com Síndrome de Down têm que enfrentar; tem-se visto que se pode aprender de qualquer situação e que não se deve desperdiçá-la; também tem contribuído para que valorizemos, desde o princípio, a leitura - escrita como base de acesso à cultura e a importância de trabalhar os processos de atenção, memória, percepção, etc.
Avaliamos nossa participação no Projeto Roma como uma experiência muito positiva, tanto do ponto de vista pessoal como profissional.
Pessoalmente, nos tem oferecido a oportunidade de progredir em nosso desenvolvimento como pessoa, permitindo fazer-nos participantes e solidários com uma problemática e meta atual, a integração plena na sociedade das pessoas diferentes as quais chamamos de “normais”. Sem a intenção de sermos pretenciosos e a pequena escala, nos tem convertido em agentes de troca social, sendo nosso trabalho um êxito total no meio das famílias, em alguns contextos sociais próximos às famílias e não tanto nas instituições, sobretudo a escolar.
O desenvolvimento, aplicação e avaliação do Projeto potencializou em nós o desenvolvimento simultâneo de nossas capacidades de planejamento e reflexão, tornando-nos mais maduros na criação e prática de estratégias aplicadas à resolução de problemas da vida quotidiana.
Também nossa participação no Projeto Roma nos abriu um campo de relações interpessoais de valor incalculável. Estreitou os vínculos com os que já eram nossos amigos, em quase todos os casos, os pais, permitindo-nos um maior conhecimento, admiração e trabalho conjunto. Em relação aos outros mediadores de nosso “Estado”, temos iniciado relações de amizade e companheirismo muito enriquecedoras. Com respeito às outras pessoas de outros “Estados” nos têm aberto caminhos que nem suspeitávamos, nos encontrando com pessoas muito diferentes unidas por um projeto comum, nos permitindo falar num mesmo idioma frente a uma mesma problemática. E no que se refere à Universidade, temos sentido-a mais próxima e viva, em contato com a realidade.
Para os profissionais do ensino, temos visto a possibilidade de realizar uma educação e escola ideais, na qual pais, professores e outros envolvidos, possam exercer um trabalho conjunto para conseguir o desenvolvimento máximo da personalidade dos meninos/ meninas, nos constituindo em comunidade educativa onde todos, independentemente de sua realidade, encontram capacidade e igualdade de oportunidades. Por este ideal se tem lutado e agora, através do Projeto Roma, têm encontrado pessoas que participam e vêem sua realização mais possível, apesar das múltiplas dificuldades encontradas.
Em relação à dinâmica de trabalho do grupo de mediadores e mediadoras, se tem baseado, fundamentalmente, em reuniões semanais de cada uma destas pessoas com as famílias de seu caso concreto e, nos casos que têm sido possível, com os professores e professoras nos centros educativos. Nestas reuniões se refletiam conjuntamente sobre o processo e que tentavam dar respostas às demandas surgidas em cada uma das situações e casos concretos. Mesmo assim, é preciso trabalhar junto com os outros mediadores e mediadoras, para estabelecer deste modo uma série de cargos em comum, onde possamos traçar nossos próprios problemas, dúvidas, preocupações e ganhos. Desta maneira, podemos nos ajudar e nos movimentar para seguir adiante com nossos propósitos.
Finalmente, em relação à nossa função, como conseqüência do melhor entendimento da filosofia do Projeto Roma ao longo de sua evolução, tem sido cada vez mais definida.
Em síntese, a pessoa mediadora no Projeto Roma é a ajuda permanente nos contextos familiares e escolares; é a que tem possibilitado através das observações em tais contextos, orientar, organizar e propor alternativas de trabalho (projetos específicos), para que tanto pais e mães, professores e professoras como meninos e meninas, aprendam a aprender.
Estas orientações estão determinadas em função das necessidades dos contextos. Não tem que oferecer nem mais nem menos ajuda que cada contexto determinado precisa. Quero dizer, é um processo de reconstrução permanente no sentido vigotskiano.
Simplesmente, os mediadores e mediadoras são aquelas pessoas que sabem abrir espaços para a aprendizagem e para desenvolver processos que ajudem a resolver problemas de vida quotidiana das pessoas com Síndrome de Down.


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