Projeto Málaga



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2o - Aprendemos que a orientação e organização de estratégias metodológicas não se focalizavam somente na menina ou no menino, mas também no contexto familiar, escolar ou social, não pretendíamos substituir, no Projeto Málaga, nem à família nem à escola, e sim que quando um pai ou uma mãe, um professor ou uma professora trabalhava em algum tema ou algum assunto onde nossa menina ou nosso menino tinha que intervir, temos aconselhado, sempre e quando solicitavam nossa ajuda, atendemos esta através das demandas e a temos feito compartilhando um modo de trabalhar, que em síntese era este:

  • que todos tenham claro que há um problema que temos que resolver;

  • que os problemas se resolvam de maneira compartilhada;

  • que nos interessa mais os processos para sua resolução do que os resultados;

  • que os equívocos são necessários para reconstruir o processo;

  • que durante a resolução do problema temos que fazer perguntas sobre o processo e ir obtendo informações parciais do processo (por exemplo: se estamos fazendo uma salada, além do resultado da salada, obtemos linguagem articulada, léxica, cores, tamanhos, formas, sabores,...);

  • que a aprendizagem é uma atividade prazeiroza (entusiasmar-nos e oferecer entusiasmo para a aprendizagem);

  • que temos que oferecer incentivos intrínsecos à própria tarefa que estamos realizando, no exemplo da salada, despertar o gosto pelos sabores, provando o que estavam fazendo;

  • que temos que aprender a relacionar o que estamos fazendo com o que fizemos anteriormente (seguir o processo e relacionar o novo com algo conhecido);

  • que temos que elaborar (inventar = criatividade) nossas próprias regras em cada contexto particular e logo pô-las em comum;

  • que temos “aprendido a aprender” e a criar itinerários mentais para solucionar problemas no âmbito concreto de nossa casa e escola.

Em síntese, podemos afirmar que a expressão “ter pontes cognitivas” é simplesmente a mediação necessária para produzir desenvolvimento cognitivo e será sempre útil e quando for uma mediação de qualidade. Isso propõe que se faça intencionalmente e que vá além da situação concreta (que seja transferível), que se faça com a confiança da competência cognitiva da criança e que aquela se desenvolva de maneira cooperativa e solidária.



3o - Para se trabalhar com os pais e com seus filhos, aprendi a saber como eles me vêem e como eu os vejo. Do mesmo modo que partíamos do Projeto Confiança com seus filhos, nesta relação entre vocês e minha pessoa se tem dado esta confiança necessária para evitar um tratamento patológico com sua filha ou seu filho. Todos concordamos que não podemos terapeutizar a vida de nossos filhos e que em casa tem que se trabalhar com naturalidade e não criar um excesso de responsabilidade.

Por isso, vocês têm sido os protagonistas deste trabalho durante estes anos e quando eu lhes perguntava - Por favor, apresentem-me a sua filha ou filho como pais? , minha pergunta estava carregada de intencionalidade, era uma pergunta para negociar uma colaboração entre vocês e eu. Porque todos os pais e mães constróem um modelo de seu filho ou filha, e eu precisava conhecê-lo, às vezes não tem sido possível isto, porque alguns pensavam que eu me metia dentro de suas casas, mas era algo necessário para um melhor assessoramento.

Neste aspecto, aprendi muito dos pais, em alguns casos me ensinaram que não há dois tipos de filhos, uns que aprendem e outros que não aprendem; e em outros casos, - em relação à confiança no desenvolvimento evolutivo de seus filhos -, eu aprendi que no pensamento dos pais existem como três momentos, que são: um inicial, onde os pais vão aprendendo de seus próprios filhos como eles são competentes cognitiva e culturalmente. Este convencimento - pensamos - se manifesta quando seus filhos aprendem os instrumentos culturais, ou seja, a leitura e a escrita. Segundo, definido pelo conflito que costuma se produzir entre os pais e professores, quando aqueles tentam transmitir a estes que seus filhos são competentes para aprender e que não são certos os preconceitos que existem em relação a estas pessoas como seres incapazes de aprender. Quando o professor se convence desta realidade, passou-se um tempo que é difícil de ser recuperado; e o terceiro momento é aquele que uma vez convencidos os pais e os professores desta competência cognitiva e cultural, buscam conjuntamente modelos para a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Síndrome de Down.

Mesmo assim, nem sempre chegamos à acordos em relação aos modos de trabalho e às vezes se produzem conflitos entre os pais das crianças com Síndrome de Down, os professores e o grupo de pesquisa. Com o decorrer do tempo e buscando possíveis soluções, estas sempre se realizavam desde as partes envolvidas, mas não de maneira cooperativa, e sim isolada, seja pais com professores, seja professores com pesquisadores, seja pais com pesquisadores; mas nunca conjuntamente pais, professores e grupo de pesquisa.

Este fenômeno me tem feito pensar que no “Projeto Roma” nem todos estavam convencidos do que nele se postulava e daí a necessidade de buscar sintonia em nossas ações, precisamente para evitar confrontos entre uns e outros e, porque ao grupo de pesquisa chegam informações deste tipo por parte dos professores: “é que os pais prestam muita atenção em seus filhos (superproteção), ou que há pais que não prestam a suficiente atenção a seus filhos (abandono); e assim mesmo, por parte dos pais eram comentadas afirmações equivalentes, tais como: “não prestam muita atenção em nossos filhos, ou é que os professores lhes prestam excessiva atenção aos nossos filhos”.

Diante desta alternativa, o grupo de pesquisa numa reunião conjunta com professores e pais introduz o seguinte pensamento: não será tanto professores como pais que prestam uma atenção equivocada?

Neste momento temos que apontar que entre todos temos buscado uma solução conjunta e temos aprendido muito, mas o mais destacável para mim é que, as famílias das crianças com Síndrome de Down são famílias normais antes do nascimento e depois continuam as mesmas, porém enriquecidas pela bonita experiência de seu filho ou sua filha com Síndrome de Down. Têm se tornado especialista de seus próprios filhos.

Hoje, nenhum de vocês estaria de acordo com o que um dia lhe disseram, mais ou menos, ao que descrevo no seguinte parágrafo:

...Sua filha ou seu filho tem uma anormalidade cromossômica que está aparelhada



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