Projeto Málaga


ETAPAS EM QUE SE REALIZARÁ O PROJETO ROMA



Baixar 0.69 Mb.
Página24/50
Encontro06.04.2018
Tamanho0.69 Mb.
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   50
0.7 ETAPAS EM QUE SE REALIZARÁ O PROJETO ROMA.
O Projeto Roma vem se desenvolvendo em duas fases, como colocamos anteriormente. Uma, de dois anos de duração ( 1991 - 1993 ), onde representam os resultados e expectativas produzidas nos pais e nos professores que participaram desta primeira fase; e uma segunda de outros dois anos ( 1994 - 1996 ). Tanto na primeira fase como na segunda se elaborará uma Memória - Informe como reflexão conjunta entre mediadores, pais e professores de cada um dos casos. É desejo deste grupo de pesquisa que todos os projetos parciais de cada caso, assim como o programa em geral, se publiquem conjuntamente com um apoio audiovisual e fotográfico.

O trabalho que apresentamos aqui é uma síntese de nosso pensamento sobre a competência cognitiva e cultural que todas as pessoas com Síndrome de Down têm que adquirir em sua educação para chegarem a ser autônomas pessoal e socialmente.


1.ALGUNS PONTOS PARA CONHECER O "PROJETO ROMA".
No Projeto Roma tratamos de educar ao trissômico-21, ou o que é o mesmo que abrir espaços de educação em seu meio cultural, desde as idades mais precoces, para que lhes ensine e adquira as estratégias cognitivas e metacognitivas necessárias que lhe permitam, quando for adulto, desenvolver-se com autonomia, competência e originalidade. Quando educamos as pessoas com Síndrome de Down, o fazemos pensando que algum dia serão pessoas adultas.
Deste ponto de vista, nosso modelo educativo parte dos princípios, tais como:

  • A educação da criança trissômica-21 desde seu início tem que ser focalizada pensando em sua autonomia pessoal na idade adulta” porque o Trissômico-21 é um ser com necessidades educativas específicas como qualquer pessoa e que se faz inteligente, como afirmamos no item anterior, sempre e quando o contexto lhes saiba dar oportunidades para isso. Então, o que acontece com a genética? Com a genética não acontece nada. A genética é uma oportunidade não um epitáfio.

Tudo o que se faz, tudo o que se projeta como aprendizagem nas pessoas trissômicas-21, desde a idade mais precoce, tem que se fazer pensando nessa autonomia pessoal e social que desenvolver ao longo de sua vida. Se não se procede deste modo, as pessoas com Síndrome de Down sempre atuarão dependendo do adulto e nunca adquirirão um critério próprio de originalidade. Este pensamento que nós propomos para o futuro, leva também uma educação para todos respeitando a diversidade cognitiva e cultural ( educação intercultural ). Deste modo não é necessário que a pessoa trissômica-21 se normalize, e sim que todo contexto social e cultural que a rodeia, vendo a diferença como energia, a conheça, a compreenda e a respeite. Tudo isso vai produzir uma situação de aceitação recíproca.

Nosso conceito de autonomia cognitiva não vem determinado pelo nível de escolarização, nem tampouco responde a uma taxonomia preestabelecida de objetivos que tem que ir superando os obstáculos e individualmente, e sim pela competência para resolver problemas da vida quotidiana de maneira cooperativa e solidária. Ao contrário do que se pode pensar o conceito de autonomia não é um conceito que separe, e sim que une. Não é um conceito de separação. É o saber resolver problemas da vida diária, sabendo questionar e interpretar o contexto. Significa saber colaborar , saber trabalhar conjuntamente com os outros. É algo emergente e que respeita ao outro em sua diversidade. A autonomia passa pelo que outro possa me reconhecer como sou e não como ele gostaria que eu fosse. O conceito de autonomia está unido ao de dignidade e este não é um conceito abstrato e sim concreto. É o direito que tem todas as pessoas de serem reconhecidas e valorizadas como pessoas livres e diferentes.


  • O segundo princípio a levar em consideração é o seguinte: "O objetivo básico será fornecer oportunidades educativas apropriadas a cada menino e cada menina trissômica-21, respeitando seus modos e ritmos de aprendizagem".

Desde a psicologia soviética, e concretamente desde o pensamento vigotskiano, se tem elaborado um marco conceitual para explicar os processos de internalização e o papel da linguagem no controle e na planificação da atividade cognitiva. Os processos cognitivos se produzem em um contexto interativo de natureza social e comunicativa ( conceito de educação ).

Destacando algumas idéias apontadas anteriormente, temos que dizer que nosso modelo educativo se expõe aos modelos de intervenção didática que existem em algumas escolas e, embora sejam diferentes entre si, todos partem de um mesmo princípio e vai considerar as pessoas com Síndrome de Down como a origem e a causa de seu handicap e não só isso, senão que é a partir desta consideração quando se nega a competência cognitiva e se apontam suas incapacidades. Este modelo conhecido como modelo deficitário e, frente a este nós trabalhamos apontando as competências de qualquer pessoa, é um modelo que denominamos competencial.


Que características ou peculiaridades para a aprendizagem temos visto em cada um deles como indicadores, em alguns casos, de déficit e, em outros, não? A continuação será colocada as seguir.
1.1 Modelo Deficitário versus Modelo Competencial
O Modelo Deficitário é, a nosso ver, um modelo centrado preferencialmente no sujeito como única causa de seus problemas cognitivos e de aprendizagem e todo ele apoiado médica e psicologicamente, mas nunca se busca uma possível causa no contexto ( no sistema ). O modelo de intervenção é, portanto, individualizado e de currículo truncado até as incompetências, incidindo nas incapacidades e não nas possibilidades dos alunos. É um modelo "privado" e determinista ( negativo ) que aponta mais o que a menina ou o menino não sabe fazer do que o que realmente pode fazer. Outras vezes, este modelo se centra na necessidade do especialista e se busca um modo de intervir "específico" ( tecnocracia ), como se a resolução dos problemas da diversidade estivesse sujeita à formação de especialistas. E os profissionais se fazem profissionais do handicap. E, por último, este modelo deficitário se tem centrado no currículo paralelo (Programas de Desenvolvimento Individual (P. D. I) ou Adequações Curriculares Individuais), como que se tratasse de uma atitude compensadora (modelo compensatório).

Do nosso ponto de vista, manter este discurso é um problema ideológico, porque o que se oculta atrás desta atitude é a não aceitação da diversidade como valor humano, as percepção das diferenças entre os alunos, mostrando que estas diferenças são invencíveis... (determinismo bio e sociológico), e embora compartilhem ônibus, mesa, cadeira e aula com seus companheiros, seguem um currículo diferente e às vezes até oposto. É o déficit entre os alunos a principal etiqueta de separação curricular, e a outra idéia que impera é a concepção de homogeneidade nas aulas (Modelo Deficitário).

Frente a este modelo deficitário definido como específico, privativo e compensador centrado na criança como deficiente, nós estamos desenvolvendo uma pesquisa centrada nas competências e buscando causas exógenas ao sujeito, tentando mudar o sistema (Contexto). Este modelo é definido como educativo - competencial ou de currículo único. Ou seja, um modelo que evite a subcultura.

1.2. Modelo Educativo Competencial pretende, em primeiro lugar, ter pontes cognitivas entre os alunos e o currículo para que adquiram e desenvolvam estratégias que lhes permitam resolver problemas da vida quotidiana e que lhes preparem para desfrutar das possibilidades que a vida lhes oferece. Estas possibilidades umas vezes serão dadas, mas a maioria se terão que construir e nesta construção as pessoas com handicap têm que participar ativamente.

Os princípios nos que se sustentam são, por um lado, a consideração da escola como um sistema organizado e, por outro, o respeito à diferença entre todas as crianças.

Esta diferença não se refere à "capacidade para aprender" , medida exclusivamente através do rendimento acadêmico, e sim aos distintos modos e ritmos de aprendizagem de cada menino ou menina em função de seu modo particular de ser. Temos que desenvolver suas competências até uma autonomia social e pessoal. Um tratamento integrador da heterogeneidade supõe, por um lado, aceitar a diversidade como elemento de progresso e de riqueza de coletividade e por outro, assumir as diferenças como ponto de partida e não de chegada em sua educação, para desenvolver as estratégias e os processos cognitivos e afetivos necessários para que participem na tomada de decisões da comunidade a que pertencem e para que guiem sua própria vida quando forem adultos.

Qualquer programa educativo baseado nos processos básicos para o ensino do pensamento lógico, sobre todo o instrumento para a aprendizagem, podem se denominar cognitivos. Para ser metacognitivo, tal problema deveria ter além dos seus principais objetivos o conseguir que os alunos pensem sobre o que pensam, para refletir sobre os processos e estratégias lógicas que utilizam para entender o mundo, e para criar consciente e deliberadamente mais processos de raciocínio efetivo.

Assim, o primeiro objetivo, de um currículo cognitivo é ensinar aos alunos processos e estratégias de raciocínio efetivo que se possam utilizar na aprendizagem e resolução de problemas. Um objetivo fundamental do currículo é ajudar às crianças a ser competentes para criar seus próprios processos e estratégias de raciocínio. Os currículos metacognitivos enfatizam também embora relativamente a aprendizagem cognitiva mediante a aplicação, assim os alunos adquirem experiências para deduzir aplicações de princípios, conceitos, normas e estratégias apropriadas assim como para admitir os princípios, normas e estratégias em si mesmas.

Em síntese, podemos dizer que a educação das pessoas com Síndrome de Down tem que ser uma educação que assuma a autonomia em todas as suas facetas e não a dependência. A seguir, colocaremos um quadro que resume este tipo de educação:






Baixar 0.69 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   50




©psicod.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
ensino fundamental
Processo seletivo
minas gerais
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
Curriculum vitae
seletivo simplificado
Concurso público
Universidade estadual
educaçÃo infantil
saúde mental
direitos humanos
Centro universitário
educaçÃo física
Poder judiciário
saúde conselho
santa maria
assistência social
Excelentíssimo senhor
Atividade estruturada
ciências humanas
Conselho regional
ensino aprendizagem
Colégio estadual
Dispõe sobre
secretaria municipal
outras providências
políticas públicas
ResoluçÃo consepe
catarina prefeitura
recursos humanos
Conselho municipal
Componente curricular
psicologia programa
consentimento livre
ministério público
público federal
conselho estadual