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ANÁLISE E VALORIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE ENSINO - APRENDIZAGEM NAS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN



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ANÁLISE E VALORIZAÇÃO DOS PROCESSOS DE ENSINO - APRENDIZAGEM NAS PESSOAS COM SÍNDROME DE DOWN.

Tendo em conta, tanto nossas finalidades como a literatura especializada, centramos nossa pesquisa, em como nos aproximamos no conhecimento das pessoas com Síndrome de Down, desde um ponto de vista interdisciplinar, assim como os problemas de ensino e de aprendizagem que tal literatura asseguravam que manifestavam e que nós resistíamos em aceitar de maneira categórica. Acaso, não será possível introduzir melhoras nos processos de ensino e aprendizagem nos distintos contextos que possibilitem uma mudança em seus processos cognitivos?

Estas melhoras, pensamos que se podem produzir se levarmos em conta alguns princípios na hora da intervenção, tais como:


  1. Que cada pessoa com Síndrome de Down é única e diferente e, consideramos que são competentes para aprender ( educabilidade ), sempre e quando se saiba abrir espaços para a aprendizagem ( educativo ), sem se esquecer que seus modos e ritmos de aprendizagem são diferentes ( heterocrônia ), simplesmente porque são pessoas e a qualidade de ser pessoa é a diferença.

  2. Que o modo de nos aproximarmos cientificamente ao seu conhecimento e compreensão tem que ser a partir de um ponto de vista interdisciplinar. Tendo em conta o princípio anterior e como profissionais da educação sabemos que esta é uma tarefa complexa; pensamos que a única maneira de abordar uma pesquisa como a que levamos no Projeto Roma, era desde o princípio a interdisciplinariedade. Para conhecer as dificuldades nos processos de ensino e aprendizagem nas pessoas com Síndrome de Down precisamos da ciência médica, psicológica, sociológica e pedagógica. Dar prioridade a algumas delas em detrimento das outras é um reducionismo incapaz de compreender o mundo complexo da educação.

  3. E por último, temos que melhorar e qualificar os mundos de significados das pessoas com Síndrome de Down; ou seja, a família, a escola e a sociedade. Estes contextos têm que saber estabelecer “pontes cognitivas” entre as características de cada pessoa Down e seu entorno, sabendo ensinar para generalizar e não para conhecer de maneira automática e repetitiva, e sim que se ensine para ter um pensamento lógico, autônomo e com sentido comum.

O desenvolver com coerência os princípios anteriores proporcionará, por um lado, uma educação para autonomia das pessoas com Síndrome de Down e por outro, nos permitirá abrir novos espaços de reflexão na ciência em geral e na ciência didática em particular. Ou seja, vamos buscar outro modo de nos educar com as pessoas com Síndrome de Down.

Esta nova concepção na educação das pessoas com Síndrome de Down para a autonomia reconhece à pessoa “trissômica - 21” primeiro como pessoa e logo depois como Síndrome de Down. Ou seja, o identifica ( Identidade ) como pessoa ativa que participa na vida de relação quotidiana e que toma decisões ( Liberdade ) em igualdade de condições que o resto das pessoas da comunidade ( Igualdade ) reconhecendo-a como é e não como gostaria que fosse ( Dignidade ), confiando em suas possibilidades e competências ( Auto - estima ) para a aprendizagem. Tudo isso vai permitir uma melhora em sua qualidade de vida e, como conseqüência, vai produzir uma melhora na qualidade de vida de seus familiares, professores e de toda a sociedade, já que deixam de ter ( ser ) uma identidade “colonizada” e são considerados cidadãos de pleno direito.

O Projeto Roma tem sua fundamentação epistemológica, precisamente, no anteriormente exposto ao considerar que as pessoas com Síndrome de Down, são competentes cognitivamente para “aprender a aprender” sempre e quando o contexto ( familiar, escolar e social ) seja, assim mesmo, competente para “ensinar a aprender” e este trabalho que se faça de maneira interdisciplinar e cooperativa. Desde esta perspectiva vigostkiana, pensamos que o que tradicionalmente se conhece como “inteligência” nas pessoas se encontra condicionado pelo contexto ou, melhor dito pela “qualidade” do contexto, no qual nos desenvolvemos, em princípio - logicamente - familiar e depois escolar e social.

A nós, interessados na educação, o que nos preocupa e nos ocupa no Projeto Roma é como buscar uma( s ) nova ( s ) maneira ( s ) de enfocar a natureza dos comportamentos e das ações na pessoa trissômica-21 e de sua forma de pensar. Entre outras coisas, o que nos interessa saber quais são as estratégias que desenvolvem quando adquirem informação ( competência receptiva ) e como melhorá-la; quais são as estratégias que desenvolvem quando processam esta informação ( competência processual ) e como melhorá-la; e quais são as estratégias que desenvolvem quando utilizam tal informação ( competência de planificação e forma de decisões ) e como a melhorar. Ou seja, que processos são os que lhes configuram como trissômicos-21 e que estratégias estão em jogo em seu pensamento e em seus comportamentos e descobrir como poderíamos intervir para compreender a idiossincrasia e originalidade de alguns dos obstáculos que possam apresentar na resolução dos problemas da vida quotidiana, para o qual elaboramos itinerários muito relevantes e significativos de sua vida quotidiana ( âmbitos familiares e sociais ) e contratos de trabalho na escola.

Agora convêm dizer desde o princípio, embora centramos nosso trabalho nas pessoas com Síndrome de Down, este modo de intervenção não somente vai repercutir nelas, e também em todo corpo docente e, com este modo de trabalho, pensamos que a família e a escola como organizações sociais e a própria sociedade melhoraram em qualidade de vida. O Projeto Roma desde sua definição como Paradigma da Cooperação, é um instrumento para conhecer, compreender e transformar os referenciais da escola atual buscando uma família de qualidade, uma escola de qualidade e uma sociedade de qualidade.

Nosso modelo didático se define como o processo da reconstrução da cultura apoiando-nos nas contribuições de VIGOTSKI, BRUNER, WERTSCH, FEUERSTEIN,...etc. É um modelo que põe sua ênfase nas possibilidades cognitivas ( estratégias de aprendizagem ) das pessoas com Síndrome de Down e não em apontar suas incapacidades. A pessoa com trissomia-21,como qualquer pessoa, é um ser que se faz inteligente ao longo de sua vida, sempre e quando, a família/ escola como mediadores de cultura, lhe dêem a oportunidade para adquirir e desenvolver a inteligência, não somente acadêmica mas também afetiva, moral e social.




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