Projeto Málaga


A FORMAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO - AÇÃO



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A FORMAÇÃO E A INVESTIGAÇÃO - AÇÃO
Esta pesquisa descobriu a importância da busca – ação enquanto propõe uma condição de formação permanente e de crescimento cultural de todos implicados no projeto ( especialistas, pais, crianças... ).

Atuando conjuntamente com a área médica e psicológica, descobrimos que quando as competências das diversas áreas se integram em um projeto, emerge uma contextualidade que no momento de informar os pais e demais pessoas que atuam com a criança, é fundamental.

Nos hospitais, onde nascem, a quase totalidade das crianças, para informar adequadamente aos pais acerca da patologia de seu filho, pouco são os projetos que prevêem intervenções multidisciplinares nestes primeiros importantes momentos.

Isto denuncia uma carência de caráter organizativo, cultural, metodológico.

Nas conversas com os pais, nós percebemos, às vezes, que o médico, respondendo sobre as possibilidade de intervenção com o trissômico crê na imutabilidade do diagnóstico. Esta imutabilidade impede, muitas vezes, o médico de informar-se e de informar aos pais sobre as outras intervenções, além da médico – sanitária. Existem outras crenças, igualmente severas, que podem intervir para favorecer e potencializar o desenvolvimento cognitivo da criança, criando ocasiões para viver e determinar uma qualidade de vida desligada da imutabilidade do diagnóstico.

Infelizmente, ocorre com freqüência, que certos médicos fornecem aos pais juízos de caráter pedagógico, social, psicológico... que não fazem parte de suas competências profissionais. Tais juízos se baseiam em intuições ( qualquer sobre qualquer argumento, pode criar uma resposta intuitiva baseando-se em um juízo pessoal ) e, portanto, têm um valor relativo. Mas, escutados de um médico, em um momento emotivamente importante como é o nascimento de um filho, podem assumir um valor de “verdade”.

O confrontá-lo, o determinar a possibilidade de avaliar e enfrentar um problema a partir de uma multiplicidade de enfoques, o relativizar a própria opinião, tem sido a atitude que nos tem permitido formular hipóteses de intervenção alternativas.

“... uma garantia interessante que tem sido sugerida por Chamberlaim, trata do princípio das hipóteses múltiplas na investigação. Sua idéia era que se inventassem todas as hipóteses possíveis e que se tivessem em conta todas elas durante a pesquisa. Esta atitude mental prepara o observador a considerar os jeitos relativos a cada uma delas, podendo atribuir significado a eventos que de outra forma seriam banais.”

No âmbito da experiência de integração, os instrumentos que têm permitido relativizar os prejuízos e favorecer hipóteses de intervenção e que são próximos à atitude sugerida por Chamberlaim são a monografia e a observação etnográfica.

A monografia e a observação etnográfica se constróem no suceder do tempo de onde emergem os eventos, em uma dimensão global e sistemática, que atende ao particular. Onde os imprevistos, as ocasiões, revelam hipóteses pedagógicas que orientam a prática, a intervenção educativa.

Além disso, a monografia é um instrumento de análise para a instituição educativa, revelador e provocador de mudanças institucionais de formação permanente. E propõe uma dinâmica para realizar um percurso educativo integrado, global e complexamente articulado; que se contrapõe aos processos desagregados e à considerações meramente diagnósticas e de anamnese. Um modo de ver os problemas a partir de todos os lados para buscar o acesso, delimitar o campo sem excluir táticas nem problemáticas e sem delimitar, de antemão, a pesquisa.

O contexto, as situações, a complexidade, talvez as considerações banais, emergem como referências fundamentais, justamente, porque estão dentro das categorias hierárquicas que os consideram marginais para as observações, as hipóteses.

Ao pensamento somatório e linear, as experiências de integração têm oposto a globalidade, a contextualidade, a complexidade, a “multidimensionalidade” junto à atenção ao particular, ao considerado marginal, secundário, hierarquicamente inferior, descuidado.

A atenção ao considerado marginal, descuidado paradoxalmente significa descobrir recursos para superar limitações concretas, e então ocorre que:

“... o quarto de despejo, o banheiro, a cozinha, o instante de almoço, o instante de recreio, o professor de apoio, o pessoal não docente ( cuidadosamente excluídos do projeto educativo, mas que o integram e o potencializam ).

A organização dos espaços, a posição dos bancos, as palavras, o tom de voz, a divisão do tempo, os objetos, as pessoas e suas posturas ( além do significado convencional, incidem na relação no plano funcional, além de ter uma implicação e um valor afetivo que pode favorecer ou impedir uma relação. A quotidianidade, as diferentes ocasiões, a organização da classe e dos objetos podem servir de suporte e apoio à relação e à intervenção educativa.

Descobre-se que as formas para conhecer possam ir mais além dos trajetos convencionais, muitas vezes considerados os únicos caminhos para aderir ao saber, ao conhecimento.

O ver imagens pode trazer à memória situações, odores, sons, medos... E sentir odores pode trazer à memória uma história, uma vivência feita de imagens, de palavras, de sons. Os meios para conhecer não são unicamente caminhos graduais e simples ( resultado das soma de percepções sensoriais e eventos ) senão complexos e articulados que constituem uma vivência de sensações e emoções em uma situação afetiva que constitui um campo de análise bastante extenso, onde é possível encontrar uma oportunidade e estratégias para articular a intervenção educativa.

A capacidade para observar e descobrir, a inclusão de tudo isto nas reflexões e nas hipóteses de trabalho, se converte em uma oportunidade de análise e de reflexão nos encontros com os outros profissionais.

Às vezes o tempo de resposta demora, o saber observar inclui então, o saber atender às respostas; não se deixar levar pelo medo neste tempo de espera, pensando “não haver feito nada” ou haver se “equivocado” ou pensar que “não é possível”.

Na pesquisa se tem resolvido determinar uma condição desestruturada para problematizar a segurança absoluta, as visões unilaterais, as interpretações reducionistas da complexidade, da experiência, da relação, da comunicação...



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