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Treinamento em Relaxamento Criativo



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Treinamento em Relaxamento Criativo

O Relaxamento Criativo (Dr. E. H. Lozano) tem-se mostrado, desde 1982, como uma técnica particularmente simples e eficaz para evidenciar nossa capacidade de alcançar o estado de relaxamento em qualquer lugar, em qualquer postura, de modo privado ou em público, com os olhos abertos ou fechados, compreendendo o estado de relaxamento não somente como um estado físico, mas também como um estado de consciência, uma maneira de estar no mundo, com ‘atenção sem tensão’”.

(Raquel Martín Pozas – Psicóloga da Fundación Girasol, Espanha)

Entendemos a técnica de relaxamento e elaboração da imaginação de Herrero Lozano, E. (TRC) complementando de modo muito produtivo e eficaz a relaxation response de Benson. Como se sabe, para este bastaria tão somente trazer à tona, evocar a relaxation response, a partir, por exemplo, de uma simples palavra ou frase, para se conseguir neutralizar a reação hiper vigilante da fight or flight response. Isso em razão de que tanto uma como outra se encontram profundamente ancoradas em nosso cérebro correspondendo, na realidade, a uma área específica chamada hipotálamo que, quando estimulada, dá início automaticamente a uma seqüência de ativação das células nervosas que termina por liberar hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol.

O Treinamento em Relaxamento Criativo por sua vez, mesmo valendo-se desse mesmo mecanismo cerebral automaticamente ativado, constitui-se numa determinada seqüência de ações específicas projetadas de maneira a trabalhar, ao mesmo tempo, o corpo e a mente da pessoa. Trata-se de criar um estado de relaxamento que gradativamente venha a transformar-se numa maneira de estar no mundo.

Mas antes de detalharmos o modo de ação e fundamentos do TRC vale recordar a história recente da noção de relaxamento. Provém de antigas bases orientais sendo que no Ocidente, no início do século XX, foi introduzido como uma prática estruturada por Schultz, J. H. (1932) que acabou produzindo o chamado treinamento autógeno, ao mesmo tempo em que Jacobson (1938) arquitetava seu relaxamento muscular progressivo ou profundo. Nos anos oitenta, observando a extensão e gravidade dos transtornos causados em seus pacientes pela tensão e ansiedade presentes no mundo contemporâneo, o psiquiatra e neurologista espanhol Dr. Eugenio Herrero Lozano, criou o seu Treinamento em Relaxamento Criativo. Aproveitando uma parte do treinamento autógeno de Schultz, ele o desenvolveu e acrescentou um sofisticado trabalho com a imaginação – campo ao qual ele atribui enorme importância na conformação das atitudes e comportamentos individuais.


O problema da tensão em geral se configura no interior de um conhecido ciclo vicioso - tensão psíquica→tensão física→tensão psíquica→.... Em um número ascendente de pessoas, sob determinadas circunstâncias, esse ciclo se instaura de modo imperceptível e crescente – começando com a pessoa “ensinando” certos grupos musculares a contrair-se por sua própria conta sem que haja razão para isso – podendo levar ao aparecimento do que chamamos stress. Como se sabe, esse conceito foi proposto por Selye, H. nos anos 50 como um mecanismo natural de adaptação do organismo ao ambiente/circunstâncias que, entretanto, dependendo do grau exigido por essa “adaptação”, pode resultar na exaustão física e psíquica chegando até mesmo à morte.
Para que se possa entender o alcance e relevância dessas idéias cabe lembrar sua insersão no interior do campo da medicina psicossomática, noção arquitetada nos anos 30/40 pela médica Flanders Dumbar, H. e o psicanalista Alexander, F., que descreve como os estímulos psíquicos podem colocar em marcha uma cadeia de respostas fisiológicas que terminam por afetar as funções corporais, provocando doenças psico-somáticas.
Recordemos mais detalhadamente os mecanismos fisiológicos que são acionados na criação e desenvolvimento da situação de stress. Em termos gerais, a medicina psicosomática propõe que certos estímulos psíquicos podem disparar uma cadeia de respostas fisiológicas as quais, por sua vez, podem afetar as funções corporais e provocar uma doença somática – sendo já bastante assentada a idéia de que a personalidade e as emoções têm grande peso nesse processo. Contudo, a fonte desse intrincado processo que tem sido esclarecido ao longo dos últimos cinquenta anos reside nas camadas mais profundas da espécie humana desde os primórdios. Tomemos como exemplo um encontro casual de um homem das cavernas com um tigre dentes de sabre. Sentara-se para descansar e quando percebe está à frente de um enorme tigre que se aproxima dele rapidamente: sua pupila se dilata/antes estava mais contraída, ocorre a vasoconstrição das glândulas gastrointestinais/antes havia estimulação de secreções, ocorre sudação, seu coração tem sua atividade aumentada, há vasodilatação das artérias coronárias, os pulmões se dilatam, no tubo digestivo há diminuição do tônus e da peristalse, seu fígado libera glicose, seu metabolismo basal aumenta em até 50%, há aumento da atividade mental e da secreção da medula suprarenal (adrenalina). Esse o efeito da estimulação proporcionada pelo sistema nervoso simpático no sentido de prover o organismo de uma resposta, a mais adequada possível, a uma ameaça ou, dito de outra maneira, estamos diante da famosa “fight ou flight response” descrita por Cannon e contraposta por Benson e sua relaxation response.Podemos supor que nosso homem das cavernas tenha sucesso em seu enfrentamento (seja fugindo ou enfrentando a fera) entrando em cena então o efeito de estimulação do sistema nervoso parassimpático, de modo a produzir-se o re-equilíbrio de todo o sistema: a digestão volta a funcionar, o coração diminui de atividade...
O problema é que, não mais sujeitos a encontrar tigres dente de sabre à nossa frente de uma hora para a outra, constata-se no homem contemporâneo entretanto, uma ansiedade e angústia onipresentes. A explicação para isso, segundo Herreroxx, encontra-se no treinamento inconsciente de um mecanismo relacionado ao sobressalto, ao medo. Quando, diz ele, um animal se sobressalta, por exemplo um macaco que ouve o estalar de um graveto, em seu corpo se produz uma reação de uma parte do sistema nervoso vegetativo (SNV), o sistema nervoso simpático (SNS), que tem o instinto de sobrevivência. Para sobreviver, ele deve dispor-se a fugir ou atacar tensionando os músculos que, por sua vez, vão necessitar de energia proporcionada por uma maior quantidade de sangue, que chega graças a um aumento do trabalho do coração... O mesmo acontece conosco quando atravessamos uma rua e um carro aparece em grande velocidade. Damos um salto para a calçada e notamos que estamos tremendo, suando frio, pálidos, com a boca seca, o coração batendo muito depressa, a vista embaçada e com uma sensação de sufoco, de falta de ar. Todos conhecemos essa sensação de sobressalto, que acontece sempre quando está em jogo a nossa sobrevivência. Esse mecanismo de ativação do Sistema Simpático é muito importante, porque é graças a ele que sobrevivemos.
Mas o que acontece, questiona Herrero, quando não há nenhum carro nos atropelando e reagimos da mesma maneira acionando todo o nosso mecanismo de sobrevivência, sem que haja uma real ameaça? A questão não reside na resposta de nosso organismo. Foi nossa mente, ao imaginar um perigo, que deu o sinal de alarme ao corpo que reagiu imediatamente. É suficiente que imaginemos o carro nos atropelando para nos convencermos de que é real e o organismo reaja dessa forma. Basta eu acreditar estar em perigo, ou imaginar que algo pode acarretar a minha morte, para que, imediatamente, o mecanismo se ponha em funcionamento. Neste caso, já não estamos falando de medo, mas de angústia ou ansiedade. A ansiedade seria uma reação de medo gerado pelo “engano”, por ocorrer diante de uma ameaça imaginada e não real.

Quando continuamente reagimos com angústia às situações banais que se apresentam, afirma Herrero, promovemos o treinamento desse mecanismo e, quanto mais o treinarmos, mais provável será que a angústia ou a ansiedade apareçam diante de estímulos cada vez menores. A reação vai se tornando automática. Dado que um dos componentes da reação de medo ou angústia é a contração muscular, ao longo da nossa vida vimos nos contraindo sucessivamente, e em geral de forma desnecessária ou desproporcional. De tal modo que a contração muscular torna-se habitual e tendemos a permanecer contraídos sem necessidade – recordemos aqui do ciclo vicioso acima mencionado - tensão psíquica→tensão física→tensão psiquica→....


Com o relaxamento invertemos esse ciclo aprendendo a fazer o inverso, isto é, afrouxar os músculos quando não for necessário mantê-los contraídos. Se a angústia e a contração muscular estão relacionadas, e de fato estão, quando alguém está angustiado, contrai os músculos do pescoço, das costas, dos ombros. Mas o inverso também é verdade: quando relaxamos os músculos, diminuímos nosso nível de angústia. D. Herrero resume assim seu raciocínio: com o relaxamento, diminuímos os efeitos da angústia no nível do corpo, e quando diminuímos a angústia no nível do corpo físico, também diminuímos a angústia psíquica, a ansiedade. Ele não quer dizer que o relaxamento nos livra da angústia, mas sim que estaremos fazendo o inverso do que quando nos angustiamos; ensinamos assim, o nosso organismo a defender-se da angústia que é a base do stress. Com o relaxamento muscular, treinamos as vias neuro-musculares, isto é, as vias nervosas relacionadas com os músculos, que reaprendem como ajustar o grau de relaxamento/contração às necessidades do momento. Como sabíamos fazer sem perceber quando recém-nascidos ou como os felinos são capazes de fazer.
Um dos desdobramentos capitais da prática do relaxamento é a produção do que Schultz chamava “distanciamento afetivo”. Isto é, tende a estabelecer-se uma diferença cada vez maior entre “eu tenho este problema” e “este problema me tem”. Herrero vai além deste ponto propondo que o relaxamento pode se tornar uma forma de auto-psicoterapia – dado que ele serve para combater a angústia e a depressão – e de auto-farmacoterapia – dado que no hipotálamo assim como em muitos pontos de todo o Sistema Nervoso, produz-se substâncias chamadas endorfinas, que têm propriedades analgésicas, euforizantes e tranqüilizantes, além dos IMAO.


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