Programa Viver Consciente



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Problemática

Relevância e justificativa da pesquisa

É conhecida a elevada incidência dos transtornos emocionais relacionados à ansiedade e à depressão na população em geral e na saúde laboral em particular. Decorrem em certa medida de diversos mecanismos globais que incluem desde a precarização das relações de trabalho, pressão por eficiência e competitividade crescentes, até o fantasma do desemprego ou a impossibilidade do vínculo formal, etc. Ao atingirem os indivíduos em sua realidade concreta ou pelo viés imaginário, esses impactos originam condutas/reações variadas mais ou menos saudáveis. No ambiente de trabalho a atenção a esses transtornos desempenha importante papel na prevenção de riscos laborais, com repercussão nos índices de absenteísmo, produtividade, turnover, inibindo ainda a vulnerabilidade às patologias psicossomáticas.


Tendo em perspectiva que esses transtornos emocionais constituem a base do chamado stress, cabem algumas explicações. Temos que compreender antes de tudo que os termos “estresse” e “ansiedade”, por exemplo, mesmo sendo, muitas vezes usados de forma intercambiável, não são sinônimos. O estresse ou, mais corretamente, um fator de estresse, se refere a uma pressão externa que é exercida sobre o indivíduo. Sendo a ansiedade a resposta subjetiva a esse fator de estresseiv, apresentando-se muitas vezes sem objeto identificável. A depressão por sua vez, é provavelmente a mais antiga e ainda uma das doenças psiquiátricas mais freqüentemente diagnosticadas sendo que sua etiologia ainda não foi muito bem esclarecida. Seus sintomas podem ser descritos como promovendo alterações nas quatro esferas do funcionamento humano: afetiva, comportamental, cognitiva e fisiológica.
Nas profissões da área da Saúde, que compõe boa parte dos integrantes do grupo experimental, a ansiedade tende a ser comum, visto que esses profissionais lidam com o sofrimento humano e a morte, situações em si mesmas potencialmente altamente estressantes. A ansiedade, em função do risco ou da ocorrência da morte, é prevalente, universal e de difícil resolução entre esses profissionais.v
A relevância da pesquisa deriva da elevada incidência desses transtornos emocionais (ansiedade, depressão e sua repercussão no desenvolvimento do estresse) na população em geral, sendo bastante reconhecida a freqüência com que essas alterações aparecem na saúde laboral e mais especificamente no grupo dos profissionais da saúde. Em termos genéricos, suas conseqüências acabam repercutindo no absenteísmo, na baixa produtividade, e ainda na incidência das patologias somáticas e psicossomáticas citadas, acrescendo-se em muitos casos do abuso de substâncias psicoativas como o álcool e medicamentos ou acarretando o desenvolvimento de outras adições.
Dado que esse tema é correlato ao trabalho realizado até aqui, merecendo inclusive uma abordagem específica na continuidade de nossas intervenções, vale a pena citar o psiquiatra Kalina, E.,vi professor da pós-graduação em Adicções da Universidad del Salvador/Argentina, que confirma haver “um aumento alarmante do consumo de substâncias no âmbito do trabalho, sendo que o mais habitual é o consumo de tabaco, álcool e psicofármacos, que muitas vezes são utilizados como via de escape em relação às pressões cotidianas, às quais hoje se soma o temor de perder o emprego”. Kalina, estendendo a noção de transtornos emocionais, propõe ainda a adicção ao trabalho como um dos maiores transtornos, que visto ser socialmente apreciada, está se transformando em uma enorme epidemia oculta, pois esta adicção abre caminho ao policonsumo de substâncias. “O laboradicto, como ele denomina, tende a consumir anfetaminas e álcool para manter suas extensas jornadas de trabalho. Após os picos de euforia e hiperatividade, podem seguir-se estados depressivos, que em casos extremos levam ao suicídio. Há um ponto a partir do qual a pessoa estressada deixa de simbolizar, e passa a compreender literalmente a mensagem de que “se ela não pode atingir os resultados, então não serve, só lhe resta morrer”.
Esses problemas afetam com maior freqüência e mais profundamente aos grupos que desempenham funções que envolvem certo “risco emocional”, devido às características de sua atividade laboral habitual, como policiais, bombeiros, etc. Diversos estudos tem incluído neste caso os trabalhadores da saúde – enfermeiros, médicos – que devem lidar com situações de stress cuja carga emocional, em muitos casos, é acrescida do fator dupla jornada de trabalho (conforme mostra a realidade brasileira).


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