Programa Viver Consciente



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Considerações Finais

Trataremos com maior ênfase dos desdobramentos relativos à aplicação das noções anteriormente trabalhadas sob um ponto de vista organizacional por entendermos que muitas empresas têm a possibilidade de interferir de modo relativamente rápido e positivo em aspectos significativos de seu clima organizacional aportando benefícios reais aos seus colaboradoresxxviii com previsíveis desdobramentos positivos em sua qualidade de vida e seu desempenho profissional. A urgência assinalada é gerada, por um lado, pelos dados da OMS (2003) que apontavam a incidência junto à população economicamente ativa global de uma proporção de 30% dos trabalhadores sofrendo de Transtornos Mentais Menores (ou Comuns) com sintomas ansiosos, depressivos ou somatoformes com elevada prevalência na população adulta – e o problema fica maior quando se sabe que apenas uma pequena parte deles é identificada e tratada. Soma-se a isso a projeção realizada pela mesma OMS para o Século XXI colocando a depressão como 2ª causa para carga global de doenças (no mundo) estimando tornar-se em 2020 a principal causa de incapacitação para o trabalho. Em ordem de prevalência aparecendo logo depois os transtornos relacionados ao stress (ansiedade e consumo de substâncias psicoativas legais e ilegais).

Acrescenta-se a esses dados a força da percepção trazida pelo senso comum da condição vivida por grande parte dos trabalhadores, que dá sinais da vivência de uma sensação genérica de pressão e over-work/sobrecarga de trabalho já há alguns anos. Usamos a palavra “sensação” para caracterizar seus aspectos, ao mesmo tempo, objetivo e subjetivo. Quer dizer, algo que em parte deriva da situação concreta existente, ao mesmo tempo em que procede da percepção que a pessoa tem de si mesma e de sua interação com o ambiente profissional ambos permeados por outras áreas de sua vida, por exemplo, a dimensão familiar.

Dado esse seu caráter multidimensional, torna-se difícil a priori estabelecer qual proporção corresponderia ao ambiente laboral propriamente dito. Entretanto, se aceitarmos que essa sensação existe e que ela tenha como uma de suas fontes o ambiente de trabalho, e esteja atuando explícita ou sub-repticiamente no grupo de colaboradores de uma determinada empresa, então suas conseqüências negativas em termos de produtividade, por exemplo, são evidentes. Acrescente-se a isso uma visão empresarial que contemple, com igual ênfase, os resultados e o bem-estar de seus colaboradores, como se observa em muitas organizações, e temos um quadro absolutamente favorável às intervenções com técnicas como o Relaxamento criativo e os Contos-Ensinamento.

Há diversas maneiras de compreender as condições geradoras desse eventual ambiente estressante, não incumbindo ao escopo de nosso trabalho uma análise mais detalhada do que já realizamos acima. Cabe-nos, entretanto, enfatizar que a presença desses elementos “estressores”, como são qualificados pela medicina psicossomática, e os conflitos por eles provocados, têm desdobramentos múltiplos. Como descrevem Laganá e Okabexxix, podem manifestar-se como ocorrências isoladas ou múltiplas, de forma periódica ou contínua, afetando pessoas específicas, um subgrupo/área da empresa ou mesmo, ao longo do tempo, todo o grupo. Alguns deles podem acompanhar acontecimentos particulares próprios ao curso de desenvolvimento natural de uma pessoa paralelamente à sua vida profissional, como ir à escola, casar-se, tornar-se pai ou mãe, aposentar-se. Outros podem proceder de alterações no modo de vida da(s) pessoa(s), decorrentes de situações abruptas de violência, ou desemprego ou pressões no trabalho, uso de medicamentos sem prescrição médica (ansiolíticos e antidepressivos) e consumo de drogas como mencionado por Kalina, ou mesmo desastres naturais e acidentais (vividos ou noticiados).

Interessa nesse tipo de situação, porém, não somente avaliar os fatores estressores ou as manifestações desse stress, mas, sobretudo agir sobre as variáveis individuais potencialmente mediadoras desses mesmos conflitos, como traços de personalidade e estratégias de enfrentamento.

Entramos aqui na área propriamente chamada de administração do stress caracterizada, na melhor das hipóteses, pelo enfrentamento pró-ativo por uma organização da tensão, desgaste e sofrimento psicológico eventualmente existentes de maneira a renovar entre os colaboradores seu compromisso com a organização (organizational commitment) e com sua missão.

Na linguagem das organizações o que estamos propondo pode ser descrito como coping instrumental ou action-oriented efforts voltados para a modificação de elementos estressores objetivos associados a ações que permitam às pessoas o desenvolvimento de esforços psicológicos interiores de regulação emocional. Partindo do que a Psicanálise chama de princípio de realidade, trata-se de aprender a lidar com as fontes atuais de stress, em parte pela alteração do ângulo de visão acerca da situação estressante – naqueles aspectos que concernem especificamente à(s) pessoa(s). Esse tipo de estratégia permite influenciar positivamente a saúde da(s) pessoa(s) e da organização como um todo.


O caminho proposto para que tenha lugar uma reação substanciosa a essas situações pode ser qualificado como a introdução da relaxation response como propõe Bensonxxx, em oposição à fight or flight response – arquetípica reação humana condicionada ativada em presença (real ou imaginária) de qualquer situação percebida como ameaçante. Pretendemos haver demonstrado até aqui, que toda a importância reside nos meios a serem utilizados para realizar com sucesso essa passagem Neste ponto confluímos para nossa proposição essencial presente em todo este trabalho: trata-se de promover em cada pessoa a consciência de seus pensamentos e reações habituais, suas tendências, seus pontos fortes e suas fragilidades, instrumentando-os – através do Relaxamento Criativo e dos Contos-Ensinamento. Deslocamos assim, as re-ações condicionadas e damos lugar ao que podemos chamar de reações refletidas que gradativamente se desdobram em comportamentos elaborados consciente e voluntariamente.


1 CACURO, R., Doutor em Saúde Pública/Promoção da Saúde pela USP, Psicanalista, fundador da Associação GiraSol São Paulo, Rua José do Patrocínio, 421, Apto. 36, SP/SP, fone 11.557I8708/8117, robmeg@uol.com.br

2 NOGUEIRA, J.G.S., Master em Programação Neurolinguística - PNL, fundador da Associação GiraSol São Paulo, Rua Dr. Mario Tavares, 200, SP/SP, 11.37355899, gustavosarraf@terra.com.br

3 LIMA, S.R.R., Especialista em Psicologia Hospitalar e da Saúde, Psicóloga da Área de Inteligência em Saúde da Empresa AxisMed Gestão Preventiva da Saúde – Av Nações Unidas 13797, 18º Andar, SP/SP, 11.35132908, silvia.lima@axismed.com.br

4 COLOMBINI-NETTO, M., Mestre em Saúde Coletiva, Médico de Família e Comunidade, Médico da Área de Inteligência em Saúde da Empresa AxisMed Gestão Preventiva da Saúde – Av Nações Unidas 13797, 18º Andar, SP/SP, 11.35132908, massimo.netto@axismed.com.br.

5 BUSANI, M. M., Bacharel em Matemática, Matemática da Área de Riscos e Resultados Populacionais da Empresa AxisMed Gestão Preventiva da Saúde – Av Nações Unidas 13797, 18º Andar, SP/SP, 11.35132900, maribusani@gmail.com


i A Associação GiraSol São Paulo foi a instituição responsável pela aplicação do “Programa Viver Consciente” (PVC) na AxisMed Gestão Preventiva da Saúde, através de seus sócios fundadores Cacuro, R. e Nogueira, J.G.Sarraf.

ii Shah, I., “A Perfumed Scorpion - The Way to the Way”, p. 123, Octagon Press, London, 1978.

iii Op. Cit., p. 115

iv Hetem LBA, Graeff FG. Transtornos de ansiedade. São Paulo: Atheneu; 2004.

v Barros ALBL, Humerez DC, Fakin FT, Michel JLM. Situações geradoras de ansiedade e estratégias para seu controle entre enfermeiras: estudo preliminar. Rev Lat-Am Enfermagem. 2003;11(5):585-92.

vi Citado por Ensinck, M. G., in “Epidemia de estrés: el costo oculto de la crisis”, in http://www.cronista.com/notas/186545-epidemia-estres-el-costo-oculto-la-crisis, acessado em 29/04/2010.

vii Instâncias envolvidas: Coordinación General de Seguridad, Dirección General de Seguridad, Subdirección General de Gestión de Personal, Departamento de Salud Laboral.

viii Evaluación de Los Resultados Obtenidos tras la Aplicación a Población de Alto Riesgo Emocional del Proyecto G.E.R.C.H.E. (GRUPOS DE ENTRENAMIENTO EN RELAJACIÓN CREATIVA Y HABILIDADES EMOCIONALES) para la Prevención en Salud Laboral.

ix Diretora da ONG Girasol Foundation/UK.

x “Pilot in Creative Relaxation for Redbridge Teachers - Evaluation report” disponível para consulta em www.girasol.org.uk , acessado em 28/04/2010.

xi 1. Evaluación de los efectos ansiolíticos del entrenamiento en relajación, Revista de Psicoterapia y Psicosomática, Nº10, Madrid, 1985; 2.Terapia de la ansiedad y sus manifestaciones mediante técnicas cognitivas de aplicación grupal, Revista de Psicoterapia y Psicosomática Nº10, Madrid, 1985.

xiiLearning that Lasts: Teaching-Stories - A Unique Tool for Educators, ISHK/Hoopoe Books, Los Altos, 2009, disponível em www.hoopoekids.com acesso em 28/04/2010; Teaching-Stories and the Brain, Library of Congress, lecture, 2002.

xiii Id ibid

xiv A Comparison Between the Fight or Flight Response and the Relaxation Response, in http://www.relaxationresponse.org/Neimark.htm, em 29/04/2010.

xv Benson, H., “Are you working Too hard?”, Harvard Business Review, novembro 2005, 83(11):53-8, 165.

xvi Neimark, Neil F., op.cit.

xvii


 Ensinck, M. G., in “Epidemia de estrés: el costo oculto de la crisis”, Sociedad Argentina de Medicina del Estrés (SAMES), http://www.cronista.com/notas/186545-epidemia-estres-el-costo-oculto-la-crisis, em 29/04/2010


xviii


 “Guerra de nervos no trabalho”, Revista Mente e Cérebro, Ed. 173, Junho 2007 (Psicólogos e professores de psicologia do trabalho da Universidade de Potsdam, Alemanha)



xix


 Id ibid

xx


 Entrenamiento en Relajación Creativa, Ed. Herrero, Madrid, 1990, p. 35 e seguintes.

xxi


 Op cit, p. 70

xxii


 Op. cit., p. 123

xxiii


 Palestra na Library of Congress em 01/11/2002, in http://www.loc.gov/today/pr/2002/02-147.html; acessado em 29/04/2010

xxiv


 Modelo desenvolvido em trabalhos realizados no Reino da Garotada de Poá, descrito por Cacuro, R., Schwair, B. e Sarraf, G em “A Promoção da Saúde de adolescentes com foco na prevenção ao uso e abuso de substâncias Psicoativas enquanto Política Pública Inclusiva” in “Políticas públicas – Construção, fortalecimento e integração”, Alves, L.R. e Nascimento, A.R. (Organizadores); São Bernardo do Campo, Universidade Metodista de São Paulo, São Paulo, 2009.

xxv


 Shah, Idries - Histórias dos Derviches – ed. Nova Fronteira, 1976, pg.81; 2.Shah, Idries - Histórias dos Derviches – ed. Nova Fronteira 1976, pg.219Gougaud, Henri – Contes de sages soufis – Ed. Seuil, 2004, pg.115.


xxvi


 Caine, R.N. e Caine, G., Making Connections: Teaching and the Human Brain, Rev. Ed. Dale Seymour Pubs., 1994.

xxvii


 Jackson,Y., National Urban Alliance for Effective Education, « Reversing Underachievement in Urban Students: Pedagogy of Confidence » in Costa, A., Developing Minds : A resource Book for Teaching Thinking, ASCD, 2001.

xxviii


 Os eventuais casos particulares de colaboradores que apresentem graves níveis de depressão e ansiedade constatados numa avaliação específica devem receber um tratamento mais cuidadoso decidido em conjunto com as áreas psicológica e de assistência médica e social da empresa.

xxix


 L. de Andrade, C. e Okabe, R., in “Estilo de Vida e Estresse”, acessível em http://www.psicossomatica-sp.org.br/artigos5.html (18 mar 2010)

xxx


 BENSON, H., Are you working too hard? A conversation with mind/body, Harv. Bus Rev., 2005 Nov; 83(11):53-8, 165.




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