Palavra da Presidente do Conselho de curadores Ika Passos Fleury



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6.229 atendimentos às famílias
1.128 pessoas reabilitadas

Aumento de 18,35% em relação a 2015
Laneide Menezes de Souza Silva, 49 anos, é baixa visão no olho direito e cega total da vista esquerda. Antes de receber este diagnóstico, passou por diversas cirurgias e transplantes. Por não ter uma resposta exata dos médicos, entrou em depressão. Foi quando conheceu o trabalho da Fundação Dorina.

Desde o início, a cliente participou de aulas que a auxiliaram a lidar melhor com atividades do dia a dia. Mas foi em seus atendimentos com a terapeuta ocupacional que confidenciou que seu grande sonho era pintar. Assim, foi encaminhada à oftalmologista e à ortoptista, que fizeram todos os testes necessários, inclusive com lupas.

Laneide se adaptou bem à terapia com as lupas e atualmente tem uma para cada atividade: fazer artesanato e costurar, assistir a televisão, ler, ver alguns detalhes específicos e até para pegar ônibus!

Ao longo dos anos, a Fundação vem aprimorando continuamente seu programa de reabilitação com o objetivo de promover o empoderamento da pessoa com deficiência visual, fortalecendo sua participação social e cidadã em igualdade de condições e oportunidades.

Na instituição, todos os atendimentos realizados são cuidadosamente pensados, considerando cada fase da vida do indivíduo e suas particularidades. Na infância são trabalhados o desenvolvimento de habilidades básicas e a descoberta do Eu e do mundo; na juventude, uma fase de transição, o foco do trabalho é na importância das escolhas e na necessidade de pertencimento aos grupos sociais. Já na fase adulta são observados o reconhecimento profissional, a formação de vínculos familiares e autoconhecimento. Por fim, durante o envelhecimento, são trabalhadas as diversas mudanças: físicas e comportamentais, que envolvem convívio, produtividade e reconhecimento social. Laneide pôde vivenciar tudo isso e reaprender a viver com independência

Todo esse cuidado foi fundamental para o desenvolvimento dela que, antes de passar por toda essa turbulência em sua vida, era artesã. Trabalhava com malharia, pintura e outras atividades manuais que dependiam de sua visão. Então, toda a dedicação da equipe da Fundação Dorina em fazer treinamento e adaptação para uso de recursos ópticos especiais, como lupas, contribuiu para que ela voltasse a fazer o que sempre amou: a arte.



Em suas obras, podemos encontrar lindas telas com flores, plantas e todo tipo de paisagem natural. A artista já teve seus quadros expostos em galerias de arte e contou com o apoio do renomado artista Gregory Fink.

Mas não foi só na arte que Laneide se encontrou. Com o apoio da psicóloga da Fundação, participou de aulas de massoterapia e conseguiu dar início a uma nova profissão: hoje ela é massoterapeuta em um hospital renomado de São Paulo e sente-se realizada.

A Fundação Dorina me trouxe uma nova identidade. Descobri que tenho potencial. Aqui, aprendi a lutar por mim e para mim.”

Em meio a tantos acontecimentos, a comemoração do Dia da Pessoa com Deficiência Visual certamente pode ser destacado como exemplo concreto do processo de reabilitação, empoderamento e protagonismo social promovidos pela instituição. O evento, totalmente organizado pelos clientes da Fundação Dorina, ofereceu palestras sobre diversos assuntos, massoterapia e exposição de trabalhos artesanais com objetivo de promover um momento de reflexão sobre questões relacionadas à deficiência visual. Vale ressaltar que todas as atividades foram protagonizadas por pessoas nessas condições.

Acesso à EDUCAÇÃO

Aprimoramos nossa forma de atuação e processos para favorecer ainda mais a inclusão da pessoa com deficiência no ambiente escolar. Entendendo a importância do papel do professor, escola e família no processo de alfabetização e inclusão escolar, voltamos nosso foco a esses atores.

Para cada cliente em idade escolar atendido, desenvolvemos parcerias efetivas com a escola, que passou a ser acionada e envolvida desde os primeiros atendimentos, recebendo orientações em relação à condição visual do aluno, recursos necessários, formas de adequação de materiais e apoio na adaptação do programa pedagógico de maneira individualizada, para que seja mais efetivo, conforme necessidades do aluno em questão. A família também foi envolvida em todas as etapas, sendo orientada e apoiada em seu papel ao longo de todo o processo.

Para educadores em geral, atuamos oferecendo informação, sensibilização e orientação sobre os temas relacionados às questões educacionais dos alunos com deficiência visual, promovendo melhores condições para que o processo de inclusão escolar ocorra de maneira adequada. Essa atuação ocorreu por meio de cursos, palestras e sensibilizações em diferentes espaços, tais como: escolas, universidades, espaços culturais. Além disso, destacamos a elaboração de 14 aulas em vídeo sobre a temática do aluno com deficiência visual na escola que serão disponibilizadas em uma plataforma online para apoiar a atuação de educadores de todo o país.

Outro destaque do ano foi a realização, em junho, do “Seminário Internacional de Educação Inclusiva: avanços e possibilidades”. Os 170 participantes de todas as regiões do país puderam conhecer as ações da Fundação Dorina, ao longo de seus 70 anos de existência, no âmbito da educação inclusiva; receber informações atualizadas sobre educação inclusiva no Brasil e no mundo; discutir o papel dos principais atores (Escola, Família, pessoa com deficiência, governo e instituições) no cenário da Educação Inclusiva; debater sobre a importância do tema e os caminhos futuros da educação inclusiva para a inclusão de pessoas com deficiência.

O projeto Palestras Inclusivas teve sua segunda etapa em 2016. A partir de uma captação de recursos junto a pessoas físicas, foi possível viabilizar 52 palestras, em que foram impactados 1.500 educadores. Cada um deles recebeu kits informativos sobre a inclusão do aluno com deficiência visual na escola.

O Centro de Memória Dorina Nowill recebeu, por meio do projeto Aprendendo com o Centro de Memória, 5.147 pessoas, entre professores e alunos com idade entre 6 e 17 anos, da rede estadual da cidade de São Paulo. Eles fizeram visita à exposição de longa duração “E tudo começou assim: ações, projetos e histórias que mudaram a vida das pessoas com deficiência visual”, instalada na Fundação Dorina.

RESULTADOS



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