O sentido e o significado, na intervençÃo docente, À luz da ciência da motricidade humana


- Considerar o sentido e o significado e as motivações pessoais dos educandos e dos educadores



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3 - Considerar o sentido e o significado e as motivações pessoais dos educandos e dos educadores

Ao longo da História da humanidade os seres humanos superaram suas necessidades biológicas primárias e passaram a construir novas coisas para satisfazerem novas necessidades e carências. Assim, criaram uma imensidão de objetos. Produziram objetos culturais materiais (roda, bússola, navio, bola, raquete de tênis, patins, ski, etc.) e, também, objetos não-materiais (palavra, conceito, idéia, representação, música, canto, poesia, ciência, etc.).

Pretende-se elucidar que tudo o que foi criado tem funções e significados socialmente estabelecidos. O resultado de toda e qualquer atividade humana tem seu objeto. Isso significa que, […] o objeto da atividade é seu motivo real18. Então, o ser humano, como ser de necessidades, busca a sua satisfação, aproximando-se em direção ao objeto e a essa ação podemos chamar de motivo. Todavia, existem motivações pessoais decorrentes de necessidades que impulsionam os seres humanos em direção aos objetos. Esse processo, o psicólogo soviético Alexei Leontiev (1903/1979), na esteira de Marx, chamou de objetivação.

Com efeito, tudo aquilo que é produzido culturalmente está ligado à práxis social humana. Dessa forma, a atividade humana se objetiva em criações e produções culturais. Newton Duarte explica que […] o processo de objetivação é, portanto, o processo de produção e reprodução da cultura humana (cultura material e não-material), produção e reprodução da vida em sociedade19. Mas afinal, o que é que essa discussão tem a ver com a Educação Motora e, especificamente, com a aula da escola?

Resultaram da prática social humana, no decorrer da História da Humanidade, a criação e a produção de movimentos culturalmente construídos, que podemos denominar de cultura motora.

As atividades humanas, decorrentes de uma cultura específica de movimentação e exercitação, frutos de uma prática social, produziram as mais diversas modalidades, tais como: jogos recreativos, brincadeiras cantadas, desportos, lutas, ginásticas, danças, entre outras, sendo que essas se apresentam carregadas de sentidos e de significados socialmente definidos. Conforme Leontiev, o ser humano, no decurso de sua vida, assimila as experiências acumuladas das gerações anteriores e apropria-se delas. O homem quando nasce […] encontra um sistema de significação pronto, elaborado historicamente, e apropria-se dele, tal como se apropria de um instrumento […]20. O referido autor diz ainda que as significações da cultura humana não são, simplesmente, dadas ao homem, mas sim apropriadas, por meio dos fenômenos do mundo real e das relações intersubjetivas com os outros, expressas nos processos de comunicação21.

O ser humano apropria-se da cultura motora existente e pode expressar intencionalmente necessidades, desejos e motivações pessoais, no sentido de aproximar-se dos objetos, que essa cultura motora revela, tendo em vista as mais diversas significações sociais, como: a educação, a saúde, a estética, o treino de alta performance e, ainda, o lazer, o prazer, a diversão, entre outros.

O ser humano quando se apropria das significações sociais, do mundo objetivamente histórico, confere-lhes um sentido próprio e singular, a saber, um sentido pessoal conectado diretamente à sua vida, perspectivando as suas necessidades, interesses, motivações e desejos. Isso quer dizer que, cada pessoa impõe um sentido próprio, de sua consciência individual, aos fenômenos significativos da consciência social.

A questão a ser tratada é que, por um lado, as crianças e os jovens educandos vêem a aula de Educação Motora como um espaço de possibilidades para brincar, ou seja, um espaço de lazer, de entretenimento, de liberdade e, até mesmo, de relaxamento, já que as outras disciplinas da escola, de certa forma, interditam e controlam a corporeidade e a motricidade. Por outro lado, os educadores têm a aula de Educação Motora como um espaço de práxis pedagógica, para operacionalizar um conjunto de ações intencionais, com finalidades específicas que é ensinar.

O educando engendra um sentido pessoal aos conteúdos e as atividades que o educador lhe sugere e propõe. O problema é que nem sempre existe uma convergência entre as finalidades do educador e as necessidades do educando. Na aula de Educação Motora notam-se dificuldades em gerir e equacionar a liberdade e a satisfação do movimentar-se e a obrigação de aprender e de estudar.

Observou-se, a partir da realidade das aulas das professoras brasileiras e, também, do acompanhamento e da Supervisão do Estágio nas Escolas, nos anos de 2005 e 2006, da Disciplina Pedagogia do Desporto, do Curso de Ciências do Desporto da Universidade da Beira Interior, em Portugal, que existem dificuldades, na intervenção pedagógica, em mediar as relações entre o sentido e o significado e as motivações pessoais de educandos e de educadores. Para legitimar a ilação anterior, buscam-se os discursos das professoras, em que se podem perceber as intenções dos educandos relacionadas à expectativa da aula: A professora diz que os alunos perguntam antes do início da aula: – Do que nós vamos brincar hoje? Ela diz que responde: – Eu não vou brincar, eu vim aqui para dar aulas. Encontramos situações, no discurso de uma outra professora, em que o educando manifesta claramente a sua insatisfação com o conteúdo. Ele assim expressa: – Disso eu não quero brincar! Cabe ainda mencionar que uma das professoras tenta […] seguir o conteúdo, mas às vezes deixa os educandos […] escolherem o que fazer. Então, a professora conclui: – Ah! Hoje minha aula foi do jeito que os alunos adoraram. E eles decidiram por bola queimada. E participaram e fizeram… […].

Infere-se que a aula tem a tendência a se polarizar duplamente entre o sentido pessoal do educador, motivado na intenção de ensinar o conteúdo da Educação Motora, e o sentido pessoal do educando, motivado muito mais na intenção de brincar do que de aprender22.

No caso do educador, o sentido pessoal está ligado ao significado de efetivar o seu trabalho na direção de um processo em que se favoreça a apropriação do conhecimento pelo aluno. Entende-se que a educação escolarizada tem que se alargar para além das esferas cotidianas da vida social do educando. Somente assim se desencadeará o acesso a novas objetivações, por parte do educando, na assimilação de um novo conhecimento, provindo da ciência, da arte, da filosofia, ao mesmo tempo em que se viabiliza a formação da atitude crítica do educando.

Aqui, é de referir as ponderações de Itacy Basso:



Ao possibilitar acesso às objetivações das esferas não cotidianas, a prática pedagógica estará contribuindo para a apropriação de sistemas de referência que permitem ampliar as oportunidades de o aluno objetivar-se em níveis superiores, não só satisfazendo necessidades já identificadas e postas pelo desenvolvimento efetivo da criança, como produzindo novas necessidades de outro tipo e considerando o desenvolvimento potencial […]23.

O relevante para o nosso argumento é que o educador da Educação Motora deve operar ações mediadoras (interativas e comunicativas) entre a formação do educando, que foi apropriada no âmbito da cultura popular, e a formação cultural erudita, a ser apropriada na instituição-escola, tendo como finalidade garantir novas apropriações qualitativas, por meio de instrumentos conceituais e materiais (conhecimento científico, cultura, arte, técnicas, recursos tecnológicos, equipamentos desportivos e outros), que permitam a compreensão do contexto social, no sentido de promover a sua transcendência individual e, por extensão, a coletiva.




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