O sentido e o significado, na intervençÃo docente, À luz da ciência da motricidade humana


O sentido e o significado e a intervenção docente nas aulas de Educação Motora



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O sentido e o significado e a intervenção docente nas aulas de Educação Motora.

Defende-se que os processos de ensinar e de aprender, da Educação Motora, sejam interessantes e motivantes para os educandos. Isso significa, que sejam repletos de sentido e de significado. Como fazer isso constitui um problema a ser resolvido no âmbito da práxis. Por isso, conjecturam-se princípios diretores e orientadores, a partir dos seguintes pressupostos:



1 - Aprender a respeitar a cultura geral e as culturas infantil e juvenil na educação escolarizada, na assunção e construção do conhecimento compartilhado

Torna-se uma necessidade pedagógica compreender que os processos de ensino e de aprendizagem, em Educação Motora, permitem operar ações e criar práxis que tenham sentido e significado para os educandos, pois eles devem viver intensamente e concretamente a sua motricidade, por meio dos conteúdos ensinados via jogos recreativos, esportes, danças, ginásticas e lutas.

A aula de Educação Motora pode ser um lugar de encontro entre educadores e educandos, em que se viabiliza a […] construção do conhecimento compartilhado6. O educador traz para a aula, além de seu saber específico, toda a sua cultura individual: concepção de mundo, ciência, educação, escola, currículo, valores, crenças, etc., ou seja, tudo o que apreendeu no decorrer de sua experiência vivida como professor. Do mesmo modo, o educando também traz para a aula a sua experiência vivida no seio da família, talvez na rua, nos pátios dos edifícios, nos clubes, a saber, no âmbito de um contexto social em que ele vive. Ora, admite-se então que podemos ter em um mesmo espaço, o da aula, diferentes pessoas com diferentes culturas.

Não é do escopo dessa presente pesquisa tratar de cultura, porque exigiria uma discussão muito alargada e complexa. Entretanto, não podemos deixar de mencionar, tendo em vista tornar inteligível o argumento da conjectura em que estamos a defender, porque o ser humano como ser social, quando se integra e interage em um dado grupo, traz consigo um […] conjunto de significados simbólicos voluntariamente assumido em comportamentos e atitudes culturalmente determinados7.

Pimenta e Lima afirmam que a aula constitui um espaço de possibilidades para o encontro das diversas culturas8. Então, se encontramo-nos com diferentes culturas, há que conviver, tratar e respeitar os mais diversos procedimentos de atitude, padrões de conduta e normas de comportamento, porque diferentes culturas implicam um mundo de diversos acontecimentos, designadamente, explícito nas idéias, nos valores e nas linguagens dos sinais, dos símbolos, dos signos, portanto, dos significados e dos sentidos.

Face ao exposto põe-se em evidência uma questão: Como tratar os conteúdos da disciplina Educação Motora, sincronizados com os objetivos dos educadores e com os interesses dos educandos? Na organização da aula de Educação Motora, há que considerar as possibilidades de certos confrontos e contradições, ou seja, é necessário ter em relevância os diversos interesses e motivações pessoais, nas relações educador-educando e educando-educando, pois esses interesses nem sempre estão em convergência harmônica. Entende-se que os conhecimentos/conteúdos organizados, a serem tratados nas aulas, mediados pelos educadores, estejam em sintonia com as finalidades do ensino escolarizado institucional e, também, com as necessidades de aprendizagem dos educandos. Nessa dimensão, temos a aula como um espaço de conhecimento compartilhado. A aprendizagem significativa é aquela construída na relação e na interação educador-educando e educando-educando, efetivando diálogos pedagógicos, individuais e coletivos, na busca da constatação, da compreensão e da interpretação, para a transformação da realidade individual e coletiva.

Aprendizagem sob a égide de um sentido e de um significado é práxis autêntica, porque está para além do simples ato pedagógico na transmissão de um conteúdo e porque tem sentido na ação. E é a existência desse sentido da experiência humana, vivida concretamente, que possibilita uma educação na busca de ser mais, já que o sentido do movimento motiva o empenho da auto-superação e da transcendência. Torna-se necessária a participação responsável dos educadores e dos educandos em um amplo processo comunicacional e relacional, […] pois só através da troca, que implica sempre comunicação, cujo acto é cultural, o Homem se conhece e se transforma e tenta transformar o outro9.

Rubem Alves, um educador cronista, diz que:



As crianças normais, na escola, aprendem que elas têm que engolir jilós, mandioca crua e pedaços de nabo: coisas que não fazem sentido. Aprendem o que é “dígrafo”, “próclise”, “ênclise”, “mesóclise”, os “usos da partícula se”… Você ainda se lembra? Esqueceu? Mas teve de estudar e responder certo na prova. Esqueceu por quê? Porque não fazia sentido10.

O autor, na esteira de Nietzsche, continua: […] Fazer sentido: o que é isso? E numa linguagem metafórica elucida que o corpo, um sábio, carrega duas caixas na inteligência: uma de ferramenta, em que estão as coisas que realmente necessitamos, e outra de brinquedos, em que estão as coisas que nos dão prazer. […] Se a coisa ensinada nem é ferramenta nem é brinquedo, o corpo diz que não serve para nada. Não aprende. Esquece11. Esquecemos tudo aquilo que não tem sentido e nem significado para as nossas vidas.

Salienta-se que, quaisquer que sejam os pressupostos epistemológicos, as abordagens paradigmáticas ou as metodologias didáticas, os educandos (crianças e jovens) acabam por serem enquadrados no projeto de ensino elaborado pelos educadores (adultos). Contudo, o que se põe em relevância é que haja respeito pela cultura infantil e pela cultura juvenil, nas aulas de Educação Motora. Refuta-se a organização das aulas em que os conteúdos são preparados à imagem e à semelhança daquilo que os adultos consideram importante e significativo.

É necessário que práxis pedagógica esteja em sintonia com os objetivos e finalidades da educação escolarizada e com o nível real de desenvolvimento dos educandos12. Todavia, considerar a cultura das crianças e dos jovens não é repetir aquilo que já foi aprendido fora da escola, senão não teria sentido a escola, mas sim superar o saber e os níveis anteriores de conhecimento, que já foi algures apropriado.

João Batista Freire indica, em seus estudos, que o ponto de partida de qualquer intervenção pedagógica é o conhecimento que a própria criança possui, aquilo que ela traz de fora da escola, não esquecendo que seu mundo é vasto na arte de brincar, jogar e de movimentar-se livremente. Portanto, os conteúdos da Educação Motora poderão dar seu contributo, para aperfeiçoar esse acervo motor e para tomar consciência da realidade em que a criança vive, pois ela compreende melhor o que concretiza na ação13, desde que as aulas sejam criativas, imaginativas, poéticas, móveis e nunca caminhem em linhas retas, fixas e deterministas.

Com efeito, ter em primazia que a motricidade enquanto corporeidade existe e possui significado porque está conectada com o cultural. Então, pode-se dizer que aprender é apreender e ser cultura, designadamente, com ênfase nos sentidos e nos significados das coisas do mundo-vida e do mundo-ciência, ou seja, do conhecimento-popular e do conhecimento-erudito, ou ainda, da cultura primeira e da cultura elaborada14. Portanto, é da responsabilidade do educador de Educação Motora fazer comunicar as duas culturas, a cultura das humanidades e a cultura científica, imbuindo-as, a ambas, de cultura política. A aula de Educação Motora pode fornecer um ensino em que haja um reenvio de uma cultura à outra, entendidas ambas as culturas como exercício de cidadania. Assim será capaz de promover uma educação via Motricidade Humana ou Intencionalidade Operante e ensinar o humano a fazer história, ao mesmo tempo, que faz cultura.




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