O livro das mulheres



Baixar 0.83 Mb.
Pdf preview
Página1/22
Encontro21.09.2022
Tamanho0.83 Mb.
#62124
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   22
baixar-livro-o-livro-das-mulheres-osho
a-jornada-da-heroina-maureen-murdock-z-lib.org-1



Tradução
Patrícia Arnaud
1ª edição
Rio de Janeiro | 2014


O91L
14-14161
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
Osho, 1931-1990
O livro das mulheres [recurso eletrônico] / Osho; tradução Patrícia Arnaud. - 1. ed. - Rio de Janeiro: BestSeller, 2014.
recurso digital
Tradução de: The book of women
Formato: ePub
Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions
Modo de acesso: World Wide Web
ISBN 978-85-7684-874-5 (recurso eletrônico)
1. Vida espiritual. 2. Meditação. 3. Livros eletrônicos. I. Arnaud, Patrícia. II. Título.
CDD: 299.93
CDU: 299.9
Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
TÍTULO ORIGINAL
:
THE BOOK OF WOMEN
Copyright © 1995, 1998 OSHO International Foundation
Copyright da tradução © 2014 by Editora Best Seller Ltda.
Publicado mediante acordo com OSHO International Foundation, Switzerland.
www.osho.com/copyrights
O material contido neste livro foi selecionado a partir de vários discursos de Osho para plateias ao vivo. Todos os discursos de Osho foram
publicados na íntegra como livros, e estão também disponíveis como gravações de áudio.
Os arquivos completos de gravações e textos se encontram em www.osho.com
OSHO é uma marca registrada da Osho International Foundation,
www.osho.com/trademarks.
Capa: Gabinete de Artes
Editoração eletrônica da versão impressa: Abreu’s System
Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, sem autorização prévia por escrito da editora, sejam quais forem os
meios empregados.
Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa para o Brasil adquiridos pela
EDITORA BEST SELLER LTDA.
Rua Argentina, 171, parte, São Cristóvão
Rio de Janeiro, RJ – 20921-380
que se reserva a propriedade literária desta tradução


Produzido no Brasil
ISBN 978-85-7684-874-5
Seja um leitor preferencial Record.
Cadastre-se e receba informações sobre nossos lançamentos e nossas promoções.
Atendimento e venda direta ao leitor:
mdireto@record.com.br ou (21) 2585-2002


Todos os capítulos foram obtidos a partir de discursos espontâneos feitos por Osho.


Sumário
Introdução
FEMININO
A HISTÓRIA DELE
MOVIMENTO FEMINISTA
SEXUALIDADE
O CASAMENTO
AMOR
RELACIONAR-SE
MATERNIDADE
FAMÍLIA E CONTROLE DE NATALIDADE
CRIATIVIDADE
O CORPO
A MENTE
MEDITAÇÃO
Informações adicionais


Introdução
“Como você, sendo homem, pode falar sobre a psique feminina?”
Não estou falando como um homem, assim como não estou falando como uma mulher. Nem
tampouco estou falando como uma mente. A mente é utilizada, mas estou falando como consciência,
como percepção. E a consciência não é nem ele nem ela, a consciência não é nem homem nem mulher.
O corpo tem essa divisão, e a mente, também, porque a mente é a parte interna do corpo e o corpo é a
parte externa da mente. O corpo e a mente não são separados; pelo contrário, são uma entidade única.
Na verdade, dizer corpo e mente não é correto; o “e” não deve ser usado. O ser humano é corpomente,
sem nem mesmo um hífen entre os dois.
É por isso que, com o corpo e com a mente, as palavras “masculino” e “feminino” são relevantes,
significativas. Mas há algo além dessas duas palavras, há algo transcendental. E ele é a verdadeira
essência, é o seu ser. Esse ser consiste apenas de consciência, testemunho, vigilância. É pura
consciência.
Não estou falando aqui como um homem, pois, do contrário, seria impossível falar sobre a mulher.
Estou falando como consciência. Vivi no corpo feminino muitas vezes, assim como vivi no corpo
masculino outras tantas, e testemunhei tudo. Vi todas as casas, vi todas as peças de roupa. O que lhe
digo é a conclusão de muitas, muitas vidas; e não tem nada a ver com esta vida apenas. Esta vida é
apenas o ponto culminante de uma longa, longa peregrinação.
Portanto, não tente ouvir o que tenho a dizer como um homem ou uma mulher, caso contrário não
estará ouvindo a mim. Ouça-me como consciência.
1


Nota
1
O Dhammapada, Volume 8, Capítulo 12.


Feminino
“Parece-me que você é realmente o primeiro homem que este planeta já conheceu que compreende as mulheres e as
aceita. Por favor, comente.”
Já disse que uma mulher tem que ser amada, não compreendida. Esta é a primeira compreensão.
A vida é tão misteriosa que as mãos do ser humano não conseguem chegar à sua altura, e os olhos
não conseguem investigar o seu mais profundo mistério. Compreender qualquer expressão da existência
– seja o homem ou a mulher, sejam árvores, animais ou pássaros – é função da ciência, não de um
místico. Não sou um cientista. Para mim, a ciência em si é um mistério, e somente agora os cientistas
passaram a reconhecer isso. Eles estão abandonando a velha atitude teimosa e supersticiosa de que um
dia vão ter conhecimento de tudo o que é para ser conhecido.
Com Albert Einstein toda a história da ciência tomou um caminho muito diferente, porque, quanto
mais ele se aprofundava no cerne da questão, mais confuso ficava. Toda a lógica foi deixada de lado,
toda a racionalidade foi deixada de lado. O indivíduo não pode dar ordens à existência, porque ela não
segue a sua lógica. A lógica é feita pelo homem. Houve um momento na vida de Albert Einstein, que
ele se lembrava, de estar hesitante sobre se devia insistir em ser racional... mas isso seria tolice. Seria
humano, mas não inteligente. Mesmo que o indivíduo insista na lógica, na racionalidade, a existência
não vai mudar de acordo com sua lógica; sua lógica é que tem que mudar de acordo com a existência. E
quanto mais fundo se vai, mais misteriosa se torna a existência. Chega um momento em que é preciso
deixar de lado a lógica e a racionalidade para ouvir apenas a natureza. Chamo a isso de compreensão
final, mas não no sentido comum de compreensão. Todo mundo sabe disso, todo mundo sente isso, mas
não há nenhuma maneira de como dizer isso.
O homem é um mistério, a mulher é um mistério, tudo o que existe é um mistério, e todos os
esforços para se descobrir o mistério vão ser falhos.
Lembro-me de um homem que estava em uma loja de brinquedos comprando um presente de Natal
para o filho. Ele era um matemático bem conhecido e, portanto, naturalmente, o gerente da loja
apresentou-lhe um quebra-cabeça. O matemático tentou... era um belo quebra-cabeça. Tentou e tentou
e tentou e começou a transpirar. A situação estava ficando embaraçosa. Os clientes, os vendedores e o


gerente estavam, todos, olhando, e nada de o matemático conseguir finalizar o quebra-cabeça. Por fim,
ele desistiu da ideia e gritou para o gerente:
– Sou um matemático, e se não consigo resolver este quebra-cabeça, como você acha que o meu
menino poderá fazê-lo?
– Você não compreende. Ele é feito de forma que ninguém consiga resolvê-lo, seja matemático ou
não – explicou o gerente.
– Mas por que é feito dessa forma? – perguntou o matemático.
– Simplesmente para que o menino, desde o princípio, comece a aprender que a vida não pode ser
resolvida, não pode ser entendida – argumentou o gerente.
O ser humano pode viver o mistério, pode curti-lo, pode tornar-se uno com o mistério, mas a ideia
de compreender como um observador não é possível, de jeito nenhum.
Eu não me compreendo. O maior mistério para mim sou eu mesmo. Apesar disso, posso dar
algumas pistas:
Um psiquiatra é um sujeito que faz a você um monte de perguntas caras, as mesmas perguntas que
sua esposa lhe faz sem cobrar nada.
A chave para a felicidade: a pessoa pode falar de amor, ternura e paixão, mas o real êxtase é
descobrir que não perdeu suas chaves, afinal.
As mulheres começam resistindo aos avanços do homem e terminam bloqueando sua retirada.
Se quiser mudar a mente de uma mulher, concorde com ela.
Se quiser saber o que uma mulher realmente quer dizer, é preciso olhar para ela, não ouvi-la.
A senhora foi até o policial e disse:
– Seu guarda, aquele homem na esquina está me irritando.
– Estive observando o tempo todo – disse o policial –, e aquele homem não estava sequer olhando
para a senhora.
– Bem – disse a mulher –, não é irritante?
O jovem romântico virou-se para a bela jovem em sua cama e perguntou:
– Sou o primeiro homem com quem você já fez amor?
Ela pensou por um momento e depois respondeu:
– Pode ser. Tenho uma memória terrível para guardar fisionomias.
Tudo é misterioso: é melhor desfrutar do mistério do que tentar entendê-lo. Em última análise, o
homem que continua tentando compreender a vida revela ser um tolo, enquanto o homem que desfruta
a vida torna-se sábio e continua aproveitando a vida, porque se torna cada vez mais consciente dos
mistérios que rondam todas as pessoas.
A maior compreensão é saber que nada pode ser compreendido, que tudo é misterioso e miraculoso.
Para mim, esse é o início da religião na vida do indivíduo.
1
“Poderia, por favor, explicar quais são as reais diferenças entre homens e mulheres?”


A maior parte das diferenças entre homens e mulheres existe devido a milhares de anos de
condicionamento. Embora não sejam fundamentais para a natureza, há algumas diferenças que dão ao
ser humano uma beleza única: a individualidade. Essas diferenças podem ser apuradas com muita
facilidade.
Uma das diferenças é que a mulher é capaz de produzir a vida; o homem, não. Nesse quesito ele é
inferior, e essa inferioridade tem desempenhado um grande papel no domínio das mulheres pelos
homens. O complexo de inferioridade funciona da seguinte maneira: ele finge ser superior, de modo a
enganar a si mesmo e enganar o mundo inteiro. Assim, o homem ao longo dos séculos vem destruindo
a genialidade, o talento e as capacidades da mulher, para que ele possa provar a si mesmo que é
superior, para si mesmo e para o mundo.
Em função de a mulher dar à luz, durante nove meses ou mais permanece absolutamente vulnerável
e dependente do homem. E os homens exploram isso de uma forma muito feia. Trata-se apenas de uma
diferença física. E que não faz diferença alguma.
A psicologia da mulher é corrompida pelo homem, uma vez que ele lhe diz coisas que não são
verdadeiras, faz dela escrava para proveito próprio, e a reduz a indivíduo de segunda classe no mundo. E
a razão para isso é o fato de ele ser mais poderoso em termos de músculos. Mas o poder dos músculos
faz parte da característica animalesca. Se isso vai decidir a superioridade, então qualquer animal é mais
musculoso do que o homem.
Mas as verdadeiras diferenças certamente estão ali, e é necessário que se procure por elas por trás da
pilha de diferenças inventadas. Uma diferença que vejo é que a mulher tem maior capacidade de amar
do que o homem. O amor de um homem é mais ou menos uma necessidade física, o que não acontece
com o amor de uma mulher. É algo maior e mais elevado, é uma experiência espiritual. É por isso que a
mulher é monogâmica, e o homem, polígamo.
O homem gostaria de ter todas as mulheres do mundo e, ainda assim, não ficaria satisfeito. Seu
descontentamento é infinito.
A mulher pode ficar satisfeita com um único amor, e totalmente realizada, porque, em vez de olhar
para o corpo do homem, olha para suas qualidades mais íntimas. Ela não se apaixona por um homem
que tem um belo corpo musculoso, apaixona-se, sim, pelo homem que tem carisma – algo indefinível,
mas imensamente atraente –, tem um mistério a ser explorado. Ela quer um homem não apenas para
ser meramente um homem, mas também para ser uma aventura na descoberta da consciência.
O homem é muito fraco no que diz respeito à sexualidade, tanto que ele pode ter apenas um
orgasmo. A mulher é infinitamente superior, tanto que ela pode ter múltiplos orgasmos. E esta tem sido
uma das questões mais problemáticas. O orgasmo do homem é local, restrito aos seus órgãos genitais. O
orgasmo da mulher é total, e não se limita aos órgãos genitais. O corpo inteiro da mulher é sexual, e ela
pode ter uma bela experiência orgástica mil vezes maior, mais profunda, mais enriquecedora, mais
salutar do que o homem.
Entretanto, a tragédia é que o corpo inteiro da mulher tem que ser despertado, e o homem não está
interessado nisso. Na verdade, ele nunca esteve interessado no corpo da mulher. O homem usa a
mulher como uma máquina de sexo apenas para aliviar suas próprias tensões sexuais. Ele acaba em
questão de segundos. E na hora em que ele acaba, a mulher nem sequer começou. Quando o homem


acaba de fazer amor, vira-se para o outro lado e dorme. O ato sexual ajuda-o a ter uma boa noite de
sono, pois fica mais relaxado, com todas as tensões liberadas na atividade sexual. E toda mulher chora e
derrama lágrimas quando vê isso: ela não tinha nem mesmo começado, não havia sequer se mexido. A
mulher tem sido usada, e esta é a coisa mais feia na vida: quando a pessoa é usada como uma coisa,
como um mecanismo, como um objeto. E ela não pode perdoar o homem por usá-la.
Para fazer com que a mulher também seja uma parceira orgástica o homem deve aprender as
preliminares, para que não tenha pressa de ir para a cama. Ele tem que fazer amor praticamente como
uma arte. O casal pode ter um local, do tipo um templo de amor, onde o incenso esteja queimando e,
em vez de luzes ofuscantes, que tenha apenas velas. E o homem deve aproximar-se da mulher quando
estiver de muito bom humor e alegre, para que assim possa compartilhar. O que acontece normalmente
é que os homens e as mulheres brigam antes de fazer amor. A briga envenena o amor. Nesse caso, o
amor é uma espécie de tratado do término da briga, pelo menos pela noite em questão. É um suborno, é
uma enganação.
Um homem deve fazer amor do modo como um pintor pinta, ou seja, quando sente a vontade
preenchendo seu coração, ou do modo como o poeta compõe poesia, ou um músico toca música. O
corpo da mulher deve ser considerado como um instrumento musical, e é como se fosse. Quando o
homem sente-se alegre, o sexo deixa de ser apenas uma libertação, um relaxamento, um método para
dormir. Daí, então, há preliminares. Ele dança com a mulher, canta com a mulher, com a bela música
que faz o templo do amor vibrar, com o incenso que eles adoram. Deve ser algo sagrado, pois não há
nada sagrado na vida comum a não ser que as pessoas tornem o amor sagrado. E isso vai ser o início da
abertura da porta para o fenômeno total da superconsciência.
O amor nunca deve ser forçado, o amor nunca deve ser uma tentativa. Não deve estar na mente, de
jeito nenhum. A pessoa está brincando, dançando, cantando, divertindo-se... parte dessa longa alegria.
Se o amor acontecer, é belo. Quando o amor acontece, ele tem beleza. Quando é forçado a acontecer, é
desagradável.
E enquanto o ato sexual for realizado com o homem por cima da mulher... na conhecida posição do
missionário. O Oriente conscientizou-se dessa feiura de que o homem era mais pesado, mais alto e mais
musculoso e que ele, afinal, estava esmagando um ser delicado. No Oriente, a forma tem sido sempre
exatamente a oposta: a mulher por cima. Esmagada sob o peso do homem, a mulher não tem
mobilidade. Apenas o homem se move e, consequentemente, chega ao orgasmo em segundos, e a
mulher fica simplesmente chateada. Ela tem sido parceira, mas não tem envolvimento no ato. Ela tem
sido usada.
Quando a mulher fica por cima, ela tem mais mobilidade, e o homem, menos, e isso faz com que os
orgasmos de ambos aconteçam quase simultaneamente. E quando ambos vivenciam o orgasmo, é algo
do outro mundo. É o primeiro vislumbre de samadhi, ou seja, é o primeiro vislumbre de que o homem
não é o corpo. Ele esquece o corpo e esquece o mundo. Tanto o homem como a mulher entram em
uma nova dimensão, que nunca exploraram antes.
A mulher tem a capacidade para múltiplos orgasmos, e, portanto, o homem tem que ser o mais lento
possível. Mas a realidade é que o homem anda com tanta pressa para tudo que acaba por destruir a
relação como um todo. O homem deve estar muito relaxado, para que a mulher possa ter orgasmos


múltiplos. O orgasmo dele deve chegar à reta final quando o orgasmo da mulher tiver atingido o auge.
É pura questão de compreensão.
Estas são diferenças naturais, não têm nada a ver com condicionamento. Há outras diferenças. Por
exemplo, a mulher é mais centrada do que o homem... Ela é mais serena, mais calma, mais paciente, e
sabe esperar. E é, talvez, por causa dessas qualidades que ela tem mais resistência a doenças e vive mais
do que o homem. Devido à serenidade e à delicadeza é que ela pode satisfazer a vida do homem
imensamente. Ela pode envolver a vida do homem em uma atmosfera muito reconfortante e
acolhedora. Porém, o homem tem medo, pois não quer ser envolvido pela mulher, não quer deixá-la
criar um calor aconchegante em torno dele. Tem medo, porque, dessa forma, vai se tornar dependente.
É por isso que há séculos o homem mantém a mulher a distância. Além disso, ele tem medo, porque, no
fundo, sabe que a mulher é mais do que ele. Ela pode dar à luz a vida. A natureza escolheu a mulher
para reproduzir, não o homem.
A função do homem na reprodução é praticamente nula. Essa inferioridade criou o maior problema:
o homem passou a cortar as asas da mulher. Começou a reduzi-la e a condená-la em todos os sentidos,
de modo que ele pudesse, pelo menos, acreditar que era superior. Ele tratava as mulheres como gado, e
até pior. Na China, durante milhares de anos, a mulher foi tida como um ser sem alma, de modo que o
marido podia matá-la sem que a lei interferisse; ela era propriedade dele. Se ele quisesse destruir os
móveis de sua casa, não era ilegal. Se ele quisesse destruir sua mulher, não era ilegal. Eis o maior
insulto: a mulher não ter alma.
O homem privou a mulher da educação, da independência financeira. Privou-a da mobilidade social
porque tinha medo. Ele sabe que ela é superior, sabe que ela é bonita, sabe que vai criar perigo se lhe
der independência. É por isso que, ao longo dos séculos, não houve independência alguma para as
mulheres. As muçulmanas têm, inclusive, que manter o rosto coberto, para que ninguém possa ver a
beleza do rosto e a profundidade de seus olhos, exceto o próprio marido.
No hinduísmo, a mulher tinha que morrer quando o homem morria. Que ciúme! O homem possuiu
a mulher por toda a vida e, mesmo depois da morte, quer continuar a ter a sua posse. Ele tem medo. Ela
é bonita e, quando ele se for, quem sabe? Ela pode encontrar outro parceiro, talvez melhor do que ele.
Assim, o sistema de sati [a autoimolação da esposa para acompanhar o marido na morte] prevaleceu por
milhares de anos, o fenômeno mais horrível que se pode imaginar.
O homem é muito egoísta. É por isso que o chamo de macho chauvinista. O homem criou esta
sociedade e, nesta sociedade, não há lugar para a mulher. E ela tem qualidades enormes que são
próprias dela! Por exemplo, se por um lado o homem tem a possibilidade da inteligência, por outro, a
mulher tem a possibilidade do amor. Isso não significa que ela não tenha capacidade para ter
inteligência; pelo contrário, ela pode ter inteligência, desde que lhe seja dada a oportunidade de
desenvolvê-la. Porém, quanto ao amor, ela já nasce com ele, e é por isso que ela tem mais compaixão,
mais bondade, mais compreensão... Embora homem e mulher sejam duas cordas de uma harpa, ambos
sofrem por estarem separados entre si. E é por causa desse sofrimento, e por não saberem a razão para
tal, que eles começam a se vingar um do outro.
A mulher pode ser de imensa ajuda na criação de uma sociedade orgânica. Ela é diferente do
homem, mas não é desigual. Ela é tão igual a um homem quanto qualquer outro homem. Ela tem


talentos próprios, que são absolutamente necessários. Não são o suficiente para ganhar dinheiro, não
são o suficiente para tornar alguém um sucesso no mundo, mas são imprescindíveis para se ter uma bela
casa, e a mulher tem a capacidade de transformar qualquer casa em um lar. Ela pode preencher o lar
com amor, ela tem essa sensibilidade. Ela pode rejuvenescer o homem, ajudá-lo a relaxar.
Nos Upanishads [escrituras hinduístas] há uma bênção muito estranha para os novos casais. O novo
casal vai até o vidente dos Upanishads para que ele lhes dê sua bênção. O vidente diz à moça,
especificamente: “Espero que você se torne uma mãe de dez filhos para, finalmente, seu marido se
tornar seu 11º filho. E se não se tornar uma mãe para o seu marido, não vai conseguir ser uma
verdadeira esposa.” É muito estranho, mas apresenta uma percepção psicológica enorme, uma vez que é
o que se encontra na psicologia moderna: que todo homem está em busca de sua mãe na figura da
mulher, e toda mulher está em busca do pai na figura do homem.
É por isso que todo casamento é um fracasso: o homem não consegue encontrar sua mãe. A mulher
com quem se casou não veio para sua casa para ser sua mãe, ela veio porque quer ser sua esposa, sua
amante. No entanto, a bênção da filosofia upanishadic, que tem cerca de 5 mil ou 6 mil anos, oferece
um conhecimento para a psicologia moderna. A mulher, quem quer que seja, é basicamente uma mãe.
O pai é uma instituição inventada, não é natural. Mas a mãe vai permanecer indispensável. Foram feitas
algumas observações com crianças: a elas foram dadas todas as comodidades, medicamentos, toda a
alimentação... toda a perfeição proveniente de diferentes campos da ciência, mas, curiosamente, as
crianças começavam a definhar e morriam num período de três meses. Constatou-se, então, que o corpo
da mãe, e seu calor, é uma necessidade absoluta para que a vida se desenvolva. Esse calor, nesse vasto
universo frio, é absolutamente necessário no princípio, pois, do contrário, a criança vai se sentir
abandonada. E vai definhar e morrer.
O homem não precisa se sentir inferior à mulher. Toda essa ideia surge em função de se considerar
homem e mulher como duas espécies. Além de pertencerem à humanidade, que é única, ambos têm
qualidades complementares entre si. Ambos precisam um do outro, e apenas quando estão juntos é que
se sentem por inteiro... A vida deve ser levada sem problemas. As diferenças não são contradições.
Podem se ajudar um ao outro e aprimorar imensamente um ao outro. A mulher que ama o homem
pode aprimorar a criatividade dele, pode inspirá-lo às alturas como ele nunca sonhou. E sem pedir nada
em troca. Ela simplesmente quer o amor dele, que é o seu direito básico.
Grande parte das coisas que faz com que homens e mulheres sejam diferentes é proveniente de
condicionamentos. As diferenças devem ser mantidas porque tornam homem e mulher atrativos um
para o outro. No entanto, não devem ser usadas como condenação. Eu gostaria que ambos se tornassem
um conjunto orgânico, permanecendo, ao mesmo tempo, absolutamente livres, pois o amor nunca cria
escravidão, ele dá é liberdade. Com isso, então, podemos criar um mundo melhor. Negou-se a
contribuição de metade do mundo, e essa metade, que é formada pelas mulheres, tinha uma capacidade
enorme de contribuir para o mundo. Poderia ter construído um belo paraíso.
A mulher deve buscar seu potencial em sua própria alma e desenvolvê-lo. Com isso, terá um belo
futuro. O homem e a mulher não são nem iguais nem desiguais, são únicos. E o encontro de dois seres
únicos traz algo milagroso para a existência.
2


Notas
1

Baixar 0.83 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   22




©psicod.org 2022
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
santa catarina
Prefeitura municipal
processo seletivo
concurso público
conselho nacional
reunião ordinária
prefeitura municipal
universidade federal
ensino superior
ensino médio
Processo seletivo
ensino fundamental
minas gerais
seletivo simplificado
Conselho nacional
terapia intensiva
oficial prefeitura
Boletim oficial
direitos humanos
Curriculum vitae
Concurso público
saúde mental
Universidade estadual
educaçÃo física
educaçÃo infantil
Centro universitário
saúde conselho
ciências humanas
santa maria
Excelentíssimo senhor
Poder judiciário
Conselho regional
assistência social
Atividade estruturada
ensino aprendizagem
políticas públicas
língua portuguesa
Colégio estadual
outras providências
recursos humanos
ResoluçÃo consepe
Dispõe sobre
secretaria municipal
público federal
educaçÃo universidade
Componente curricular
Conselho municipal
catarina prefeitura
conselho estadual
psicologia programa