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APRENDIZAGEM: UM PROCESSO DE BUSCA DO CONHECIMENTO



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1.2 APRENDIZAGEM: UM PROCESSO DE BUSCA DO CONHECIMENTO

Partindo da configuração que se estabeleceu para a psicopedagogia, é de fundamental importância que passemos agora a refletir um pouco mais sobre seu objeto de estudo, antes de partirmos especificamente para a intervenção psicopedagógica.

Para Barbosa6, segundo a discussão de um grupo de psicopedagogia de Curitiba sobre a epistemologia da psicopedagogia, o objeto de estudo dessa área vai muito além de um processo de aprendizagem, “refere-se a um sujeito que aprende, sendo este muito mais do que um aprendiz, é um ser capaz de conhecer sobre si e sobre o ambiente do qual é parte constituinte”.

Esse ser cognoscente é caracterizado, na perspectiva dessa discussão, Barbosa citado por Barbosa7, como um sujeito inteiro, constituído de diferentes dimensões (biológica, afetiva, relacional, funcional e cultural) que interagem entre si, capaz de formar um conhecimento sobre seu ambiente natural e sociocultural, bem como um conhecimento sobre si mesmo.

As diferentes dimensões que o constituem tornam-no um sujeito temporal e histórico, que vive em um tempo, carregando consigo o conhecimento de outros tempos, e projeta para o futuro o que conheceu, o que conhece e o que pode produzir de conhecimento a partir de sua experiência e de todos que fazem parte do conhecimento do qual consegue apropriar-se, conforme Barbosa citado por Barbosa8.

Segundo a mesma autora9, como sujeito sistêmico ele está inserido em uma teia de relações universais, e como sujeito biológico possui determinantes que não o completam: para sobreviver, ele necessita relacionar-se com sua cultura, apropriar-se de ferramentas sociais e construir sua história.

Com base nesse pensamento epistemológico, podemos relacionar diferentes fases na definição do objeto de estudo da psicopedagogia. Esse significado abrangente e sistêmico originou-se de uma perspectiva da reeducação que considerava a aprendizagem a partir de seus déficits – sendo que o sujeito não podia aprender –, passou pela significação do aprender por meio da singularidade de cada sujeito, até chegar a essa visão que considera o sujeito cognoscente como um equipamento biológico com disposições afetivas e intelectuais que interferem na forma de se relacionar com o meio e vice-versa. A aprendizagem, como processo de construção, define-se portanto como um efeito que, com base em uma articulação de esquemas, sugere que diferentes dimensões coexistem para possibilitar ao ser humano configurar uma dinâmica própria de funcionamento.

Essa concepção, concebida como interacionista, que considera a relação do sujeito com o objeto a partir de uma visão pluridirecional e ignora as concepções que consideram a relação sujeito e objeto a partir de uma única dimensão, norteou a contribuição que Visca10 delegou à psicopedagogia no sentido de permitir uma compreensão da origem do processo de aprendizagem com base em uma construção intrapsíquica, com continuidade genética e diferenças evolutivas, resultantes das condições energético-estruturais do sujeito e das circunstâncias do meio.

A contribuição de Visca, baseada em axiomas interacionistas, construtivistas e estruturalistas, define por meio de um posicionamento convergente um construto teórico e técnico que propõe uma leitura integradora do processo de aprendizagem. Sua teoria, denominada epistemologia convergente, tem sua concepção teórica baseada na integração da Escola de Genebra de Jean Piaget, da Escola Psicanalista de Sigmund Freud e da Escola da Psicologia Social de Enrique Pichon-Rivière.



A visão da Escola Psicanalista propõe um pensamento basea­do em duas classes de interação: a interpsíquica, que acontece entre o sujeito e seu meio externo, pensando no processo interno da unidade de análise (ver Figura 1.1); e a intrapsíquica, que ocorre entre o sujeito e ele mesmo, considerando seus aspectos afetivos ou energéticos e cognitivos ou estruturais, respaldados em bases biológicas.

Nas propostas estruturalistas, baseadas na escola da psicologia social de Pichon-Rivière, a aprendizagem não é uma função isolada, pois como toda personalidade compromete-se com a aprendizagem, a conduta é sempre modificada em um todo integrado.



A visão construtivista, fundamentada na Escola de Genebra, concebe a aprendizagem em função de uma construção que se dá com base no intercâmbio entre sujeito e meio, em que estruturas mais primitivas são base para estruturas mais complexas.

Sua teoria apresenta um modelo de compreensão do pro­cesso histórico da construção da aprendizagem, que se apresenta como um esquema evolutivo que envolve diferentes níveis. A construção da aprendizagem, para essa concepção, inicia com as primeiras interações do sujeito biológico com a função materna, que o acolhe, estabelecendo uma matriz de aprendizagem que regulará o percurso do sujeito pelos demais níveis descritos.

Tomando esses aspectos por base, é importante que a noção que se constrói sobre um processo de aprendizagem esteja respaldada pelo conhecimento das possíveis condutas aprendíveis do sujeito, dentro de determinado contexto sociocultural, em função das competências por ele adquiridas, nos distintos níveis de aprendizagem. A figura a seguir representa esse esquema, discriminando os diferentes níveis de aprendizagem e contextualizando os diversos vínculos estabelecidos nesse processo.



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